MST - 25 anos de luta!!!!

"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor


"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro



segunda-feira, 27 de abril de 2009

23/04 - Exibição de filme no Milton Santos

Presentes: João, Poti, Caio, Kanova, Eder, Marcião, Gilmar, Darci, Zé Mário, mais 2 pessoas que não lembro o nome.

Hoje fizemos a primeira exibição. Não conseguimos levar o projetor, e, assim, tivemos que passar na casa do Poti para buscar sua TV e o aparelho de DVD e, por conta disso, chegamos atrasados.

Ainda assim, faltaram algumas coisas para a exibição. Então, antes de começar, fomos à casa do Kanova pegar uma lâmpada, o milho, óleo, sal e uma extensão. Também fomos na casa do Eder pegar o botijão de gás emprestado. Enquanto montávamos a estrutura, fizemos a Pipoca.

Antes de iniciar o filme, Poti fez uma breve apresentação do filme “Encontro com Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá” e da idéia de passarmos esse filme primeiro, de mostrar a todos quem foi Milton Santos, já que o assentamento leva seu nome. Durante a exibição do filme o pessoal ficou bem atento, vez ou outra fazendo algum comentário ou dando risada de alguma coisa.

Terminado o filme iniciamos a discussão, primeiro abrindo o debate com uma explicação de porque estamos ali, o que estamos fazendo, o que fazemos na faculdade, etc. E, depois, já passando a palavra para o pessoal para que eles colocassem o que acharam (comentários) do filme.

Quem iniciou a discussão foi o Marcião, justamente com uma crítica ao filme por ele ser bem abrangente, mostrando muitos aspectos da globalização e exemplificando-os em problemas locais de fora do Brasil, como no caso da Água na Bolívia, ou os problemas das guerras na África, etc. E que, assim, seria mais interessante que os filmes focassem nos problemas do Brasil.

Logo em seguida Eder (que já tinha visto o filme) fez um comentário no sentido oposto, afirmando que era justamente essa a idéia do documentário, de mostrar como os problemas presentes em um país são os mesmos dos outros países explorados do mundo, e esse é o efeito da globalização. Para ele, o filme “como que espreme uma laranja num copo e mostra todo seu caldo, seu suco. Essa laranja é o mundo”.

Com essas intervenções iniciais o debate fluiu bem, ficando, no início, em torno desse tema da globalização, de como os problemas locais só podem ser compreendidos quando olhamos para seu entorno (que, hoje, é o mundo todo). E, diante disso, as saídas que devemos, enquanto povos explorados, propor para esses problemas, deve, também, ser uma saída global, que se aproveite dos pontos positivos dessa globalização (a técnica/tecnologia avançada, a comunicação, os transportes, etc.) para subvertê-la, para fazermos uma outra globalização. Diferente de como ela se apresenta hoje (ideologia), diferente de como ela é hoje (perversa), mas da forma como a queremos, capaz de resolver nossos problemas.

Outros temas que o filme trata foram surgindo no debate. A fome como uma questão de decisão política, uma vez que produzimos e temos capacidade de produzir muito mais alimentos do que precisamos, porém estes alimentos não chegam a quem o necessita por uma questão de decisão, de decisão política. Optamos por utilizar o mercado como meio de distribuição de alimentos, e de todos os outros produtos de nosso trabalho, e, assim, só tem acesso aos produtos quem tiver dinheiro para comprá-los. Não importa se são necessidades vitais ou não. É o caso da alimentação, da água, da saúde, da educação, da moradia e por ai vai. E essas necessidades humanas se já não são tratadas como mercadorias, isto é, compradas por quem tem dinheiro e inacessíveis por quem não tem, tendem a se tornar pela via das privatizações, pela redução do papel social dos Estados.

Desse tema se ligaram muitos outros, como o da divisão social do trabalho, da justiça ou injustiça de uns ganharem mais e outros menos ou nada, do valor das mercadorias (quanto vale um pé de alface? Quanto o agricultor gasta para produzi-lo: insumos, adubo, terra, impostos, horas de trabalho?), do projeto socialista de igualdade social, enfim, uma diversidade enorme de temas. O mais interessante para esse primeiro evento foi perceber que o pessoal do assentamento está bastante disposto a seguir conosco nas exibições de filmes e discussões, faz uma discussão de altíssimo nível, perceptível pela complexidade dos temas abordados, e, essencialmente, partem do concreto para debaterem, isto é, todas as suas intervenções e comentários, dúvidas e questionamentos, são reflexões da realidade que vivem ali, de um assentamento rural complexo, com relações sociais específicas (coletividade x individualismo), com dificuldades imensas, que vão desde pequenos problemas, de solo, de chuva, de falta de verbas, de problemas individuais, competição, inveja, até problemas mais profundos, causadores de muitos outros, como a ideologia imposta via mídia, o completo abandono do Estado, etc.

Fica para nós a necessidade de aprofundar melhor nossa metodologia. O que queremos abordar em cada encontro? Como faremos isso de maneira pedagógica? Creio que seja necessário delimitar melhor os temas, para que não façamos tanto uma chuva de idéias e debates a cada filme apresentado, mas sim uma discussão mais aprofundada de cada tema específico. E também creio que precisamos melhorar nossa metodologia de educação popular. Não basta darmos resposta a todos os questionamentos. É necessário desenvolver um raciocínio coletivo, para que todos construam, conjuntamente, o pensamento, a resposta aos questionamentos. Nosso papel nisso não é o de dar as respostas, uma vez que não somos nenhum ser iluminado, detentor dos conhecimentos e respostas aos problemas. Nosso papel é intervir na discussão, colocar questões que nos ajude a formular em conjunto nossas respostas.

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