MST - 25 anos de luta!!!!

"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor


"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ciranda - 31 de outubro de 2009

31/10/2009
Planejamento

História do boi do Ceará
***manifestação artística
Dança, representação.

Relato da Raquel
Um jogo de representações fascinante!
Um encanto de encontro. Fazia tempo que não ia. Fomos Raquel, Tadeu (cênicas), Dani e Andrea. Na reunião passada de quarta ligamos para a Thamires pedindo para ela avisar o Junior (que vende leite de sábado de manhã) para avisar a todas as crianças do lote que passaríamos as 9:15 de carro perto da linha do trem para buscá-las. Quando chegamos hoje, foi uma maravilha, elas estavam já subindo esperando a gente. Na verdade, o que aconteceu foi que a Thamires passou nas casas ontem ou antes para avisar e foi realmente uma boa comunicação que ajudou muito o nosso trabalho. O que me faz repensar muito em como é necessário o apoio e, melhor ainda, a participação da comunidade no projeto. Tudo flui muito mais!
Bom, com as crianças lá desde cedo, pudemos fazer todas as atividades planejadas, obvio, sempre com alterações do momento. Primeiramente fizemos jogos de corda: “o homem bateu em minha porta e eu abri...”. A Natalia fez com outra música, aquela que tem a contagem do alfabeto. Achamos interessante a questão de o alfabeto estar presente na brincadeira e lembrei muito da minha infância que também fazia isso.
Na mesma hora estava o grupo de alunos da PUC do professor Danilo (do IFCH). Achei muito estranho que tinha uma menina fazendo umas bexigas compridas com as crianças. Elas adoraram, mas por um lado eu senti aquela ação muito como um assistencialismo superficial. Qual a proposta pedagógica daquela ação? Porque fazer isso com as crianças? E pior é que depois de 10 minutos ela foi embora com as outras pessoas para visitar o acampamento. Temos que tomar cuidado para receber melhor essas pessoas. Talvez, pensando agora, fosse interessante que eles participassem um pouco da ciranda. Uma hora que eles ficaram nos observando, me senti no zoológico, mas na parte dos bichos.
Bom, depois da corda, alongamos (falamos sobre porque alongar), brincamos da corrida de quem chega mais devagar no final. A Elisandra tem muita dificuldade de jogos competitivos, ela ficou muito brava porque disse que a Natalia e a outra menina não saíram junto com todo mundo e queria jogar mais uma vez porque não era justo. Senti ela um tanto mimada e foi complicada a situação. A Natalia propôs uma outra brincadeira: uma roda, onde fica uma pessoa dentro (representando a mãe). Todos que estão na roda são os filhos. Daí rola um dialogo:
F- mãe, tem alguém te chamando. (A mãe sai da roda e volta)
M- cadê o chocolate quente?
F- O gato comeu
M- Cade o gato?
F- Ta no telhado.
M- O que eu faço para subir?
F- Pega uma escada.
M- E se eu cair?
F- Bem feito. (nessa hora, todas as crianças saem correndo e a mãe sai atrás de todo mundo para pegar alguém, quem foi pego é a nova mãe).
Quando a Natalia foi explicar, ela dizia que a mãe sai correndo para bater em alguém e eu enfatizava que era pra pegar. Depois que eu entendi que na verdade a Natalia estava representando, incorporando a brincadeira: na mímica, no jogo teatral, se o filho “falta com respeito com a mãe”, a mãe vai bater nele. A rede de significados é ampla e é complicado afirmar o que a Natalia quis dizer com isso. Mas essa é uma das interpretações possíveis. Nesse jogo, assim como na musica da viuvinha, pudemos compreender como o jogo representativo é interessante para as crianças e como elas se divertem nisso. No carro, depois, pensamos que temos muito que investigar mais essa área com as crianças.
Bom, depois fomos para a contação de histórias. (Algumas crianças queriam brincar mais). Contei a história do Saci (um livro verde que tem ilustração em xilogravura! Lindo!). Foi interessante que no meio da leitura, uma criança soltou um peido que nenhuma criança podia mais prestar atenção. Eu fiquei olhando a situação e percebi que era melhor mudar de lugar. Mas depois fiquei pensando que, talvez, se estivesse dentro de uma sala de aula, só falaria para as crianças prestarem atenção e desencanarem do cheiro. Acho que na maioria das vezes ignoramos as sensações das crianças em sala de aula. É terrível.
Aconteceu uma coisa muito interessante nesse processo da historia do Saci Pererê: as crianças perguntaram se ele era do bem ou do mal. A maioria respondeu que era do mal. Depois chegamos a conclusão que ninguém é só do bem ou só do mal. Perguntaram se ele era criança. No livro dizia que ele vivia 10 vezes 7 mais 7 anos. Uma menina logo respondeu: “77 anos”. Achei legal a conta rápida dela. (Esqueci o nome dela, estava de blusinha rosa e quase nunca aparece na ciranda, deve ter uns 11 a 13 anos).
Depois contamos a historia do Boi Bumbá com objetos. A Dani foi falando e eu manipulando os objetos (caixas, potes de requeijão etc.). Cometemos um erro grave de não ter levado mapa. É bom tê-los sempre a mão! Aos poucos eles iam se lembrando da historia dos outros bois e foi bem legal a narração.
Assim, começamos a nos organizar para fazer o auto! Primeiro separamos as personagens (Daniel- Zé patrão, Bastião – Junior, Catirina – Paola, Boi principal – Mateus, Mateus- Rick, Curandeira – Gabi, Raquel – ema, Jonas – Jaraguá, Natalia - burrinha ... - Alem disso, estavam presentes: Juju, Fauani, Jenifer, Gui, João Pedro, Elisandra, Irma da GAbi, Richard.), depois ensinamos a dobrar os chapéus de jornal e depois formamos duas filas para dançar o boi. Foi muito interessante! Aos poucos, conseguimos nos organizar! Assim, íamos mesclando a dança com a representação.
Os meninos mais velhos foram fantásticos: Daniel e Junior se revelaram! Eles faziam o sotaque perfeito do nordeste e entravam dentro do personagem, improvisavam! Era lindo! Algumas crianças ficaram muito tímidas (por exemplo o Rick), mas não comprometeu a atividade no sentido de não dar para efetuá-la. Foi extasiante o modo como se deu o processo. Havia um fluxo de interesse compartilhado na atividade que apesar de todas as nossas dificuldades, eu nunca vi uma atividade da ciranda que tivesse dado tão bem com as crianças. Os pequenos não participaram muito do teatro, mas depois pontuamos que eles fizeram mais a produção (os chapéus). E assim, pensamos que podemos muito agilizar essa separação entre maiores e menores e produzir um verdadeiro espetáculo! Hahaha.
No fim, fizemos uma finalização em roda e dei uma regra: quem estivesse com a fita vermelha poderia falar. A proposta era dizer o que tinha gostado ou não da atividade: a maioria disse que gostou do final (do teatro), o Mateus (o boi) disse que gostou de morrer ... Ninguém disse nada que não gostou. Eu e a Andrea enfatizamos que eles se bateram muito hoje, eles reconheceram que não é legal, mas não sabiam explicar por que. Temos, definitivamente, trabalhar melhor essa questão com eles. O Richard bate no Rick quando o Rick faz algo sem noção, mas é muito violento: fala com o Rick batendo...em contrapartida, vimos a mãe do Richard falando com ele (gritando) de uma maneira muito complicada...
Bom, no final deixamos os bois com eles e não foi uma briga feia. Decidimos que eles iam rodas pelas casas, mas teve um monte de gente que nem quis saber do boi (as meninas principalmente). Ao final, ficou um na casa do Rick, outro no Jonas, outro no Samuel e outro no Junior...
No meio da atividade, a Branca e o Ismael foram para Montemor com a Joice e mais alguém que levou eles para verem um lugar que talvez a Joice trabalhe cuidando de uma senhora. Senti que realmente o Ismael deu uma certa estrutura familiar para as crianças e para a Branca. Quando chegamos, ele estava andando de bicicleta com o Jonas e o filho parecia estar muito contente em ter essa companhia. Depois quando fomos chamar as crianças, o Jonas chamou o pai para ir conosco. Achei um gesto muito significativo, o pai parece estar mesmo dentro da vida dele.
Ao final, gostaria de relatar que fazia tempo que não ia no acampamento e que esse encontro me mostrou que muita coisa é possível. É bom ter essa sensação. Além disso, acho que devíamos investir na sutileza das observações e relatos!

Ciranda - 24 de outubro de 2009

24/10/2009
Planejamento

História do boi-mamão – SC
Usar os instrumentos e cantar uma música
Confecção de brinquedos de sucata
· oficina de brinquedos
Þ binóculo
Þ bambolê
Þ bolinha de pano
Þ boneco de pano
Þ peteca
Þ cavalo de pau
Þ pipa
Þ boi (caixa de papelão)

Þ Visita da Casa Guadalupana

Relato da Natasha

Fomos eu, Ana Maria, Gordo, Humberto de Araras, Tira, Tomas. Os três últimos foram para uma conversa com a Telma, enquanto os três primeiros pra ciranda.

Chegamos no acampamento e o pessoal da casa Guadalupana já estava nos esperando no barracão (também tinham chegado fazia pouco tempo).
Estávamos eu e o gordo, a Ana estava com os meninos e a Telma. nos cumprimentamos e ai chegou a Clarisse que levou o pessoal pra dar uma volta pra conhecer o espaço. Fomos até a linha do trem e nesse meio tempo foram aparecendo algumas crianças. A idéia era levar o pessoal pra conhecer o acampamento e ir chamando as crianças pelo caminho. Fizemos isso na volta eu, a Samara. Voltamos pro barracão (a Ana já tinha se juntado a nos no meio do caminho) e tentamos contar a historia do boi - de - mamão. Levamos a historia, o mapa com o estado de Santa Catarina, que eles reconheceram, circulado, e algumas imagens com os personagens da historia. Tentamos fazer uma roda de apresentações junto com o pessoal da C.G., mas as crianças como sempre estavam super envergonhadas, algumas das crianças/adolescentes da C. G. não participaram.
Depois das apresentações começamos a contar a historia do boi. O gordo estava fazendo uma trilha sonora no violão, uns meninos estavam com pandeiro. A idéia era que elas fossem os personagens da historia e imitassem as ações que eram faladas na historia. Elas logo pegaram as imagens com os personagens, mas na hora de representar qualquer coisa que fosse, elas não o faziam. Ficavam apenas no centro da roda. (claro, ilusão nossa que elas iriam se soltar na frente de pessoas desconhecidas, sendo que elas já não se soltam perto das conhecidas. não tínhamos pensado nisso).
Ah! Antes disso, tentamos relembrar a historia do Boi de Pernambuco e do Maranhão. Elas não lembravam de nenhuma, então eu relembrei a do boi de Pernambuco, já que eu estava no dia, mas ninguém lembrava a do boi do Maranhão, nem nos, nem as crianças.
Antes do antes, quando eu havia dito pra uma delas que iríamos contar a historia do boi, a notícia não foi bem recebida. Acho que elas já estão cansada das mesmas historias, que mesmo que sejam diferentes em alguns aspectos, são muito semelhantes e, pra elas, acabam sendo a mesma coisa.
Depois de contar a historia, o pessoal da Casa Guadalupana foi fazer pipa com elas. De novo, nem todos do pessoal deles estavam participando e nem todas as crianças "nossas" estavam fazendo as pipas. Muitas estavam correndo e brincando de outras coisas. O espaço que havia (uma mesa que acho que a Alexandra trouxe) era bem pequeno pra quantidade de pessoas que tinham, e estava ventando muito, o que fazia com que aquelas sedinhas coloridas de fazer pipa ficassem voando o tempo todo.
No meio da feitura da pipa, o pessoal entregou um presente pras crianças (todas elas, por sinal não sei como elas estão fazendo pra dividir o jogo). Era um jogo de sumo de bonequinhos que elas jogavam batendo (socando literalmente) a mesa ate que um dos jogadores caísse fora do circulo. Elas ficaram um tempão, ate o final da atividade, jogando esse joguinho.
O pessoal também trouxe outros brinquedos individuais, todos feitos de material reutilizado, que entregaram pra elas também. Isso foi no meio da atividade da pipa, que continuou depois da entrega dos brinquedos, até que todos os que estavam fazendo as pipas terminassem e o pessoal guardasse os materiais para ir embora.
Quando eles estavam indo, a Mari veio me contar que eles tinham levado também uma sacola com colares pra distribuir pras meninas e que a Natalia tinha pegado quase tudo e levado pra casa sem dividir com as outras meninas. Pouco tempo antes algumas crianças tinham me dito isso, mas achei que fosse alguma briga boba das que elas têm às vezes. Ai eu fui na casa da Natalia pra conversar com ela e pedir pra ela devolver os colares e dividir com as outras meninas. Foi muuuito difícil. Assim que eu cheguei lá ela se escondeu dentro do barraco e eu tive que pedir pra mãe dela pra entrar e conversar com ela. Falei que o pessoal tinha levado os colares pra todo mundo e que ela não podia pegar só pra ela, que ela tinha que dividir com as outras meninas. Ai ela começou a chorar e não parou nem depois que eu fui embora. Expliquei pra ela que não precisava chorar, que ninguém estava brigando, nem estava brava com ela. Que a gente só queria que todo mundo pudesse ter o colar. Mas não adiantou, ela continuou chorando.
Aí ela disse que não queria mais nenhum colar, pra eu levar tudo, inclusive os brinquedos dela. Falei que ela podia escolher um pra ela ficar, e que eu não iria levar os brinquedos dela. eu escolhi um colar pra ela, porque ela nao quis escolher. Os irmãos dela também pegaram um e depois levei pras crianças que ainda estava no barracão o que tinha sobrado dos colares.
Depois disso recolhemos os lixos que ficaram no chão. Conversamos sobre a reunião dos meninos e da Telma (mas acho que o tira pode dizer melhor, se já não escreveu nada) e fomos embora.

Acho que foi mais ou menos isso. Ana e Gordo, me complementem/corrijam se faltou algo!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ciranda - 17 de outubro de 2009

Relato da Gabi da Ciranda do dia 17/10/09

Fomos eu (Gabi), Pilar, Fabinho, Bruno e Ana Maria (dança).
Na sexta o carro da Ana Maria quebrou e ficamos sem transporte, mas o Beto que mora em casa nos emprestou o carro e no fim conseguimos ir para o acampamento e fazer nossa atividade.
Chegamos ao acampamento um pouco tarde, já era 09h30min, não tinha nenhuma criança no barracão. Então decemos em direção aos lotes com ajuda da Joyce e da Juju, passamos pela casa da Dienifer e vimos que a Cínthia e Tamires haviam mudado seu barraco de lugar, foram para os lotes, aliás, como muitas outras pessoas, desde a reunião com o INCRA estão se mudando para os lotes. Como a maioria das crianças agora se encontram lá, e ninguém de nós cinco conhecíamos essa parte do acampamento, decidimos descer até lá com ajuda das crianças. Primeiro passamos pelo barraco da Cínthia e ela nos disse que a Tamires estava na aula de informática e o Junior vendendo o leite da vaca deles nos outros barracos.
Descemos até a linha do trem, passamos pelo barraco da Soraia e o Samuel e a Paola (? ish deu branco) foram com a gente, o Junior nos encontrou e aproveitou que estava a cavalo e foi nos barracos mais longes, chamar a Jéssica e a Gabi, a Samara e a Paloma. Passamos também pelos barracos em construção da Lenira, D. Maria mãe da Telma e da Telma. O Junior voltou e nos disse que a Sueli mãe da Paloma e a mãe da Samara (esqueci o nome dela) queriam falar com gente. Conversamos com a Suely e com a mãe da Samara que não temos como passar em todos os barracos antes da ciranda e que o combinado é as crianças dos lotes nos esperarem as 9horas na linha do trem. --Aliás, conversamos isso com as mães de todas as crianças que passamos nos barracos, enfatizando bastante!!-- Subiram conosco o outro Samuel, a Paloma, o Allan e a Samara. As crianças nos levaram de volta ao barracão por um caminho muito torto que deu uma volta muito grande. E durante o caminho o Allan e o Samuel da Sueli deram um trabalhinho bom. Passamos por dentro da mina, mas antes passamos pela casa da Cida (que já é uma casa linda e aconchegante igual da minha bisavó de Minas) e o neto dela, o Hugo estava lá e foi para a atividade conosco. Foi uma hora e meia de caminhada e todos nós ficamos bem cansados, principalmente a Juju que na volta da Mina até o Barracão foi revezando no colo do Fabinho e do Bruninho.
Quando chegamos ao Barracão, estavam Matheus e Daniel, Richard, Alexandra, Jonas e João Pedro (? Filho da Alexandra). Estávamos muito cansados do passeio e resolvemos não fazer nenhuma atividade de correr ou ciranda e já era 11horas da manhã e logo menos as crianças (inclusive nós) ficariam com fome. -Antes de a atividade começar perguntei da Natália e do Rick e a Alexandra me disse que durante a semana a mãe e o padrasto da Natália haviam brigado e que ele havia seqüestrado (palavras da Alexandra) a Natália para o canavial e que o Sebastião tinha entrado no canavial e convencido ele de devolver a Natalia para a mãe e que depois disso a família toda (não sei se esse toda inclui o padrasto) tinham ido pra Limeira-. A Ana Maria começou a história perguntando do Boi da atividade passada e quase nenhuma das crianças tinha participado da atividade, só a Paola que não queria falar. Mas o Hugo resolveu falar mesmo sem saber nada (um fofo!). Quando a Paola resolveu contar a historia do Boi de Pernambuco, a Alexandra a atropelou e contou todo a historia sem dar espaço para as crianças. Ai mostramos o mapa que a Andréia tinha imprimido para a outra Ciranda e os estados de Pernambuco e do Maranhão estavam grifados. A Ana Maria começou a puxar a história, mas o Matheus ficava desconcentrando o Richard e atrapalhando a historia e o Samuel (da Soraia e a Juju) não conseguiam se concentrar. Mostrei as figuras dos bois pra eles e pra outras crianças durante a história o que atrapalhou um pouco e tive que as recolher. Mas o Samuel era só colocar uma figura do boi na mão dele que ele conseguia se concentrar na história.
Depois da História a Ana Maria puxou uma roda com o pandeiro e a matraca (?) e movimentações de bois, a perna, a cabeça e o corpo do boi. Essa idéia é bem legal, mas a maioria das crianças estavam tímidas e as que não estavam ficavam intimidadas pelas outras, como o Junior. Falamos da importância da música nas comemorações de bois e propusemos a montagem dos instrumentos. Primeiro fizemos a cuíca com as garrafas pet, o que causou a maior barulheira, pois tinha uma cuíca para cada uma delas e elas não conseguiam parar de gritar nas cuícas. O Hugo me mostrou que a Dienifer e a Paola estavam isoladas do outro lado do barracão escondidas, fui falar com elas e estavam muito estranhas desanimadas e não querendo brincar, diziam estar com dor de cabeça e o barulho incomodando muito. Convenci-as a entrarem no barracão e levei o material para montarem a cuíca. Nessa hora chegou a Jessica e a Gabi também desanimadas e meio tristes.
Tava um clima meio estranho entre as crianças, não sei se foi encanação minha. Depois da cuíca fizemos o chocalho e essa foi a parte que mais interessou as crianças, pois levamos tecidos e fitas e lantejoulas para enfeitá-los, e isso me pareceu mais divertido do que a confecção dos próprios instrumentos. Como não havia cano suficiente para fazer beliscofone para todos, combinamos que quem queria um beliscofne não iria fazer um chocalho, mas esse combinado não funcionou e acabou saindo briga porque algumas crianças tinham três instrumentos e outras dois. Já no fim da atividade vi o Ismael (? Marido da Branca) dando uma bronca na Jéssica e cheguei perto para ver o que era, ele estava ameaçando ela que a mãe dela ia brigar feio com ela porque ela e outras meninas tinham escrito de giz no barracão: “, Joyce piranha” e afastei ela do Ismael e conversamos ate decidirmos apagar o escrito, ela concordou comigo que aquilo não era legal e eu disse para o Ismael parar de dar bronca nela pois nos duas já tínhamos conversado, ai ele disse que a bronca era só porque ele achava que as meninas não deveriam brigar entre si e sim ser amigas. Mas a Jéssica ficou um tempão chorando e sem querer conversar comigo, pois estava com medo da mãe dela.
Depois foi a vez da Dienifer que emburrou porque a Gabi tinha roubado o beliscofone dela, mas na verdade não era a Gabi, era outra criança que já tinha ido embora, mas a Dienifer ficou brava culpando a Gabi e eu não consegui fazer as duas conversarem.
A Clarice chegou de carro com a Cida, para a nossa salvação, pois já era 1hora da tarde e se a Cida não levasse as crianças do lote de volta, nós que ainda teríamos que fazer. Conversamos com a Clarice e ela topou receber o pessoal da Casa Guadalupana, conversar com eles, e disse que podemos preparar a pipoca e o suco no seu barraco.
Voltei meio desanimada da atividade em si, não sei as confusões foram porque as crianças estavam cansadas de toda a volta que demos e nós também estávamos muito cansados, ou se a grande quantidade de mudanças do acampamento, o vai e volta de barracos, as confusões entre elas mesmas, as tensões do dia-a-dia, ou se a nossa proposta atual de tema não as interessa nenhum pouco e não tem nada a ver com suas realidades as deixaram mais dispersas, menos concentradas e arrumando mais brigas.Bom isso é tudo pessoal, me desculpem pelo tamanho, acabei de perceber que sou meio detalhista.
beijosss
Gabi

sábado, 10 de outubro de 2009

Ciranda 3 de outubro de 2009

3/10/2009
Planejamento

Começar o Ciclo das Histórias de Boi
Fazer bois de caixa de papelão
Levar mais caixas de papelão, tinta, papel crepon, papel laminado, lantejoulas.
Músicas e figuras de boi
Contar a história do Boi de Recife
Fazer uma dança de Ciranda.

Dúvida a respeito de com quem fica o boi?
No inicio pensamos em deixar o boi cada semana na casa de uma criança, fazendo uma dinâmica de pauzinhos para decidir quem seria ela e depois ir junto na casa dos pais e explicar a necessidade do boi ser bem cuidado.
Mas depois, resolvemos deixar os bois, protegidos em plástico dentro da escola, para que eles estejam inteiros até o final do Ciclo, para que então eles sejam divididos entre as crianças.
Como estaremos durante este mesmo ciclo, fabricando brinquedos e instrumentos musicais de sucata, este material pode ficar com elas, suprindo a necessidade de alguma coisa mais individual.

Relato da Larissa
Chegamos ao acampamento por voltas das 9:30 hs, e poucas crianças estavam no barracão, principalmente as que moram próximo: Jonas e Juliana, a Alexandra logo chegou co o filho João Pedro, e outras que não lembro agora. Assim tivemos que chamá-las nos barracos, eu e Andréa fomos de carro e ficaram brincando com as crianças a Raquel, o Pedro e a Natasha. Demoramos 1 hora para passar nos barracos, mas foi muito bom porque muitas crianças apareceram, apesar de ter sido um pouco demorado, elas vieram, muitas tiveram que pedir autorização para os pais (no caso vi pedirem para as mães) assim, enchemos o carro com 13 crianças, entre os pequeninos e maiores! Nosso “ajeitamento” para fazer caber todo mundo dentro do carro foi assim: ( eles foram entrando pra falar a verdade): os meninos foram na frente e as meninas atrás, mas como ficou bem desconfortável, e quente, uma das meninas foi na frente (ela tomou uma atitude interessante, não sei se não queria ir muito desconfortável, ou não se constrangeu em ir com os meninos na frente, o Nicolas e o Lucas! (vc se lembra Andréia , acho que foi a filha da Lenira, a menor). Muitos pequeninos, o Samuel, Rafael, uma pequenininha lindinha demais, irmã de uma maior...(anotei os nomes em uma das folhas com estórias do boi!Chegamos no barracão e o pessal tinha brincado muito...foi sugerido brincarmos com as crianças que chegaram conosco , mas o tempo estava curto já e começamos a historia.
Acabei misturando várias que tinha lido, no carro( ai ai reunão de planejamento!!!)...mas creio que deu certo, elas ficaram atentas, inclusive os maiores. Os intérpretes incorporaram os personagens. Começamos contando que uma amiga tinha me convidado para escutar uma historia , mas simulei que não queria escutar! Mas minha amiga insistiu e perguntou se eu conhecia alguma historia de boi, remeti ás crianças a pergunta, algumas disseram que sim, outras ficaram sem responder nada, foram pegas de surpresa! Brinquei que a única história que conhecia era da música do “Boi Boi Boi, boi da cara preta, leva essa crianças que tem medo de careta”, tentei tocar o pandeiro junto, saiu bem torto, mas chamou a atenção....continuei a historia e disse que não gostava desse boi, e minha amiga “ fictícia” me disse que era um boi que era muito bem tratado que participava de uma festa, e que morava em uma fazenda. Nesse momento entraram os personagens....o Pedro, era o dono do boi e da fazenda, iria viajar, então pediu para dois camaradas tomarem conta do boi , a Natasha e a Raquel?, os camaradas, ficaram cuidando do boi...(Todos montaram suas falas em cima das historias que lemos, e saiu maravilhoso!Conseguimos entreter as crianças).
Em um momento passou o cobrador de impostos e cobrou os camaradas, como eles não tinham dinheiro, o fiscal, Andréa, disse que iria levar o boi. O diálogo dos camaradas com o fiscal foi bem legal, mas infelizmente não lembro....(Acho que temos que criar umas falar e montar um diálogo só para colocar nos relatos..rs!)
O dono da fazenda volta e pergunta do boi, mas os camaradas ficam com medo de dizer que o fiscal tinha levado o boi e ele poderia estar morto.(Acho que troquei a Andréa, ela vira o Sr. Da vida que ressucita o boi). Como o boi estava morto, a festa não poderia acontecer ( o Pedro disse que ia comer o boi...rsss), assim o dono da fazenda chamou um curandeiro ou médico , o sr. Da Vida, que morava alí perto ( acabei de me dar conta que seria legal tentar adequar as historias na realidade local), que salvava os animais e até fazia eles ressucitarem, assim sr. da Vida (Andréa) ressucita o boi e a festa poderá acontecer. O final foi meio truncado (acabou de repente!), mas foi bem lega...
Fizemos os combinados, algumas já tinham trabalhado com pintura da outra vez e seguiram os combinados, mas outras, principalmente os maiores são mais autônomos, e queria fazer do seu jeito, o que é normal, acredito! Separamos em grupos e as crianças menores ficaram em um grupo só ( bem , fui eu quem foi atravessando e pegando na mão dos pequeninos...sorte que alguém puxou a explicação que os menores são iguais aos outros e que só estavam em outro grupo porque são pequenos para assim não se machucarem, mas tb aprendem coisas diferentes dos maiores, que tem apenas mais experiência, não falei isso na hora, mas devia ter falado...)
O início foi tulmultuado na distribuição das tintas e quem ia pintar o que , talvez devemos pensar em outras alternativas...ex: se somos 5 e temos cinco grupos temos que dar um jeito de organizar o material antes e cada um ficar com um grupo e durante a atividade ajudar o grupo a se organizar! Também temos que arrumar mais potes de água e pano...elas ficam desesperadas depois que se sujam e querem lavar as mãos e enfiam as mãozinhas no potão...tb queria ter uma mãozinha porque dá uma aflição mesmo...Os bois foram ficando coloridos, algumas crianças maiores foram recortando os papéis, como a Joice, e precisava de caneta, foi um pouco complicado porque essa hora eu estava anotando os nomes e idades de quem estava aí a acabou que atrapalhei! O tempo estava bem curto e tivemos que ir direcionando a brincadeira para o final pq tínhamos que levar as crianças de volta! Tentei puxar um “teatrinho” pq eles já estavam bem dispersos, enquanto arrumávamos as coisas...Pedimos ajuda para pegar os restos de papel e os pequenos foram os que mais se prontificaram a ajudar! Bem, os maiores “brincaram de se pintar”, e corriam uns atrás dos outros, Mateus e Lucas (maior) causaram, a Tati e as outras até a “brincadeira de pintura” começar ficaram encostadas e sentadas com cara de “que chato”!
Mas foi muito legal, acho que nossa organização e preparação com as atividades estão bem desenhadas, mas creio que temos que fazer mais combinados para as situações que ficamos um pouco confusos...acho que por enquanto é só!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Encontro regional dos sem-terrinha - 27 de setembro de 2009

Encontro regional dos sem terrinha 27/09/2009
No Assentamento Milton Santos
Planejamento

MANHÃ


Quando as crianças forem chegando vamos dar a elas crachás com seus nomes e idade, preenchendo ao mesmo tempo uma lista com o nome e idade de todas para nosso controle e melhor organização das atividades.
Para isso precisaremos de papel cartão colorido, caneta esferográfica, furador de papel.

MÍSTICA
-importância de trazer elementos que são parte dos encontros do MST para o encontro regional, como a mística, a produção de um painel coletivo....
-pensamos em cantar a música do "arroz deu cacho e o feijão florio...", tentei achar na internet a letra e as cifras, mas não consegui..talvez tenha no youtube. A idéia e que alguém do grupo acompanhasse no violão e outros instrumentos.
-e se alguém tivesse alguma idéia de um poema de luta mas infantil seria legal ler tb.

BATIZADO MINEIRO
- Faríamos o batizado tradicional para que todos se conhecessem, dos tres acampamentos. e depois algumas brincadeiras de roda como:
viuvinha
rosa juvenil
bamboo
andar de trem
elefante
historia da serpente
corre cotia
bom dia boa tarde
.....


MOMENTO DA LEITURA
Pensamos em ler o livro "O que os olhos não vêem" da Ruth Rocha,q ue fala da revolução através de metáforas

CONSTRUÇÃO DA CARTA DE REINVINDICAÇÕES
- a Claudinha vai conversar cm elas sobre o encontro estadual e depo9s disso vamos propor a brincadeira da Cesta da Memória: a idéia é apresentar a todos o João e a Maria e contar que eles trouxeram uma cesta cheia de objetos que fazem parte da historia deles, objetos que o João trouxe de minas e dos acampamentos/assentamentos que morou e a Maria idem. A idéia é descobrirmos qual a historia dos bonecos a partir dos objetos.
- Bom a idéia dessa brincadeira é reconstituir a vida das próprias crianças, suas rotinas e ambientes e a partir disso tirar as reivindicações delas.
- a cesta conteria:

cana
semente
lona
brinquedos
livros
cadernos
flores
chita
milho
mandioca
desenhos de criança
colher de pau
enxada
lenha
panela
........

ALMOÇO

TARDE

Pintura de um painel de tecido

A idéia é dividir em sub-grupos de acordo com a idade e pintar um tecido de 1m por 1m. Propondo que elas desenhem elementos que fazem parte da vida delas, de suas rotinas, sempre questionando elas, e levando elementos como: como é sua casa? vc tem horta?: gostaria de ter? que comida vc come? tem água limpa? como é a escola? como são os coleguinhas da escola?.....
Para essa atividade vamos precisar de tinta, tecido, pincel, jornal e alfinete.

Depois da produção do painel a idéia é fazer um jogo de batatquente, e quem for queimado tem que falar alguma coisa que gostaria que mudasse em suas vidas....sei laalgo do tipo.
Para essa atividade precisamos de uma bola.
Ainda precisamos pensar em uma mistica para o final e a participação de algum grupo de teatro, musica ou capoeira.

IMPORTANTE!!!!!!! Precisamos do maior número de cirandeiros para que o encontro corra legal e de tudo certo!!!! Só um carro seria um numero muito pequeno...

Relato da Liliane


ENCONTRO REGIONAL DOS SEM TERRINHA

Acampamentos/assentamento presentes: Elizabeth Teixeira, Roseli Nunes e Milton Santos.
Cidades de Limeira e Americana
Participantes do grupo da ciranda: Liliane, Miri, Bruninho, Bia, Pilar, Gabi, Ana, Kena e Dani.


Chegamos ao assentamento Milton Santos, mais ou menos, às 9 horas. As crianças do acampamento Elisabeth Teixeira, que vieram em um ônibus, já estavam lá. Acredito (pois foi a primeira vez que as vi), que parte das crianças do Milton Santos já estavam nas proximidades do barracão e as do acampamento (?) Roseli Nunes chegaram de carro um pouco depois.
Assim que chegamos, as crianças do Elisabeth Teixeira vieram nos cumprimentar, eu, que nunca as tinha visto, recebi calorosos abraços de boas vindas. Claro, ficou explicito que elas reconheciam a chegada do grupo da ciranda, certamente, muito importante para elas.
Começamos a ajeitar os materiais que levamos, quando, a “missa chegou”. Um grupo da igreja católica, que provavelmente já realiza as celebrações no local, começou a organizar o espaço do barracão maior. Neste intervalo e por não desejarmos participar da missa, fomos para o barracão menor e começamos a cantar e brincar em roda. Todos estavam bastante animados, embora bastante dispersos, as crianças se revezavam na participação deste primeiro momento, enquanto aguardávamos o café.
O café logo chegou e todos comeram bastante. O grupo da igreja também ofereceu pão com refrigerante. Foi a maior comilança.
Depois de fartos, fomos ao barracão maior e começamos a organização para a mística. Fizemos uma grande roda. Neste momento acredito que estávamos, no total, em 45 crianças e 14 adultos (nós do grupo da ciranda, Cláudia(?), Jussara (?) e mais dois adultos do Roseli Nunes), sem contar os “observadores” que, de certa forma, colaboraram na organização. O Richard (?) do Elisabeth Teixeira foi convidado a ler o poema dos vinte e cinco anos do MST. Com dificuldade e ajudado pela Cláudia, ele leu alto o poema todo. Depois cantamos a música “feijão florio”, tocada por Mateus, cantamos também frases de luta do MST e fizemos o batizado mineiro, que foi para mim que não conhecia a brincadeira, especialmente divertido. Após a mística, a Cláudia explicou a todos como está a organização do encontro estadual dos Sem Terrinha e o que será necessário fazer e levar para que todos possam participar.
Cabe ressaltar que as crianças, em alguns momentos, estavam bastante espalhadas, o que dificultou o encaminhamento de algumas atividades, no entanto, mesmo que esta dispersão tenha atrapalhado um pouco, todos colaboraram muito, contando também que alguns não se conheciam e outros estavam em um espaço “desconhecido”.
Com o término da fala de Cláudia, recebemos a “tia véia”, que já passou por muitos acampamentos e trouxe muitas coisas em sua cesta, que já não lembra mais o porquê estão ali. Incorporada por Miri, a “tia véia” tentou ajudar os Sem Terrinha a relatarem seus cotidianos no acampamento/assentamento e suas expectativas em relação a eles. Percebi que uma “tia véia” e uma cesta foram insuficientes para todos, muitos foram fazer outra coisa no momento desta atividade, embora outros tenham participado ativamente ajudando a memória da tia e disputando o que saia da cesta dela.
Depois que a “tia véia” terminou, iniciamos outras brincadeiras e cantorias: pula corda, imitação e outras. As crianças ficaram bastante animadas e às vezes se atropelavam, principalmente os grandes com os pequenos. Dani e Bia, no meio da brincadeira de corda, se não me engano, separaram os menores e levaram para o outro barracão para desenhar.
Quando algumas crianças se cansaram e pararam de brincar e todos já estavam aguardando o almoço, vi que uma das crianças chamou as outras para brincar de “vivo/morto ou geleinha”, sem a indicação ou orientação dos adultos presentes. Interessante como se relacionam entre elas, com bastante autonomia em relação aos adultos e as maiores cuidando das menores. Também neste momento, nós, do grupo da ciranda, começamos a cortar as caixas de papelão para fazer fantasias de boi para as crianças, elas nos ajudaram pintando com guache as caixas.
O almoço chegou e novamente todos nós comemos, dividindo pratos, vasilhas, garfos, colheres e copos. Após o almoço um dos moradores instalou uma TV, DVD e uma caixa de som, para a oficina de Break.. Quando a TV foi ligada e colocaram um filme, que não me lembro qual era e se era um filme, as crianças foram gradativamente se ajeitando em frente a ela, incrível o poder da televisão (que medo!) e assim ficaram até que colocaram um DVD feito pela Jussara (?) sobre os Sem Terrinha. Antes do término do DVD dos Sem Terrinha, Pilar “parou” a TV para darmos continuidade as atividades.
O grupo Nação Break, que chegou ao assentamento um pouco antes do almoço, iniciou as atividades mais ou menos às 14 horas. Sob a orientação de Fubá, as crianças pouco a pouco foram aderindo a oficina e entraram no “clima” hip hop. Primeiro teve uma apresentação do grupo e um segundo batizado mineiro, depois eles dividiram as crianças por idade, um grupo com menores de oito anos e um outro com maiores de oito. O grupo dos menores aprendeu uns passos de dança e depois desenharam os maiores dançando. Já o grupo dos maiores esteve empenhado em aprender passos mais articulados. Desfeito os grupos, todos se juntaram para uma roda de Break, Matheus do Elisabeth e a Ana da dança, junto aos meninos do Nação Break, deram um show na roda.
Por fim, a apresentação do Nação Break foi um espetáculo a parte, todos nós deliramos com as acrobacias corporais.. Crianças e adultos olhavam atentas os meninos dançarem e se equilibrarem nas mãos. Neste momento o barracão maior esteve rodeado por muitos moradores do assentamento.
Terminada a apresentação do grupo, nós iniciamos a confecção da “faixa” para o encontro estadual. Foi difícil conseguir a concentração das crianças no tema da pintura das faixas, claro que elas se animaram em pegar os pincéis e pintar o tecido, mas como estavam muito eufóricas com a recente oficina de Break, foi necessário insistir bastante no tema, no que elas pensavam para o assentamento/acampamento onde moram, quais suas reivindicações. No fim, todos desenharam um pouco de suas vidas e expectativas. O grupo no qual fiquei desenhou bandeiras, horta, casas, rio, moto, bicicleta, um moinho, etc.
Por fim, uma grande mesa com um bolo enorme foi organizada para o final do encontro. Os painéis pintados, que formarão a faixa, foram apresentados, cada um com diferentes desenhos. Todos aqueles que participaram da organização do encontro foram saudados e o bolo cortado. Neste final as pessoas ficaram conversando entre si até as crianças do Elisabeth se encaminharem para o ônibus e as demais para suas casas, enquanto outras pessoas terminavam de organizar o barracão e a cozinha.
Fomos embora do assentamento Milton Santos mais ou menos as 17:45 horas. Particularmente, uma linda experiência. Obrigada a todos os presentes.
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Se alguém puder relatar o movimento da cozinha será ótimo, pois foi uma organização “a parte” e muito boa, da qual não participei.
Tenho muitas questões em relação a história dos acampamentos/assentamentos, não tive oportunidade de perguntar, por exemplo, se o pessoal do Roseli Nunes está junto ao Milton Santos. Também não conhecia as crianças, o que dificultou bastante a percepção delas. Tentei arriscar alguns nomes, como puderam perceber, vejam se está correto. Talvez tenha confundido a ordem das coisas, foram muitas e novidades para mim.

Contribuição da Pilar
Quanto ao Roseli Nunes, o pessoal veio de uma ocupação recente que aconteceu em Valinhos; com a desocupação eles vieram se alojar nas proximadades do Milton Santos. Eles compõe um acampamento em teoria autônomo ao Milton Santos. Estão todos juntos, com seus barracos, numa pequena area, no interior da area do Milton Santos.

Isso aconteceu em certa época no Elizabeth também, vieram pessoas que compunham o Acampamento Che Guevara para a area do Elizabeth quando eles sofreram uma desocupação em São Paulo.
Como o Elizabeth também era um acampamento e estava em processo de legalização da area, o Che e o Elizabeth se integraram e lutam pela area juntos agora.

Contribuição da Bia
Bom, vou falar um pouquinho só da cozinha, porque eu o Bruninho, fomos forçados a abandoná-la!!!!!!!
Eu e o Bruno (coitado) ficamos com a missão de limpar e cortar os frangos! A D. Maria, mãe da Telma fez o café. O pão foi feito no "Elisabeth", que aliás estava uma delícia, e o bolo foi feito no "Milton Santos". As verduras (couve, cheiro verde e o alho) e também a cenoura foram colhidos lá mesmo no Milton Santos, o cheiro estava maravilhoso! A Telama, D. Maria, a Clarisse e as filhas da Telma se incunbiram do almoço... foi tudo feito com muito carinho para as crianças... bom, foi um pouquinho que deu pra perceber enquanto eu e Bruno cortávamos o pescoço do frango!!!!!!!
OBS: As crianças gostaram muito do João e da Maria, a ponto de degolarem a cabeça da boneca...rsrsrs...
Contribuição da Maria Emília
Muito bom os relatos!
Bom, eu queria deixar minha leve impressão e acho legal se todos fizerem assim, pra gente poder indentificar os problemas da escola e outros.
Eu achei que as crianças estavam mto dispersas, elas n paravam nunca, como a Bia comentou no carro na volta, as crianças do Milton Santos não estão acostumadas a sentar e ouvir. Teve algumas horas que foram bem difíceis de conversar, a Claudinha teve que gritar, o Fubá, do Break teve mta dificuldade pra falar também.
As brincadeiras também parecem que foram ''poucas'', as crianças logo queriam fazer outras coisas, como brincar com os brinquedos da cesta, que eram inicialmente só para serem mostrados. Acho que devemos pensar em mais mil brincadeiras pra próxima vez hehehe.
As crianças falaram da escola coisas como ''a professoara é chata'', ''é legal andar de ônibus'' (porque elas bagunçam no ônibus heheh) mas na hora da pintura acho que surgiram mais coisas.
na cozinha à tarde foi tudo bem, a gente cortou laranja pro suco, deu tudo certo em termos de estrutura, só faltou o pessoa do M. Santos arrumar o banheiro, mas não faltou nada. Só achei ruim que tinha um assentado, o Lió, que ficou brincando o tempo todo e não ajudou em nada na cozinha. Eu tive que pedir ajuda pra ele fazer alguma coisa.
O break foi demais! de muita qualidade! tinha uma coreografia e tal! e o fubá dá mto certo com criança, pq ele faz brincadeiras td hora.
A eu falei com um dos meninos do break que ele salvaram a tarde, dai ele falou assim que é a gente que salva o mundo com nosso trabalho, que ele admira mto =´)
bom, é isso. Bjos

Ciranda - 19 de setembro de 2009

19/09/2009
Planejamento
TEMA: a criança sem-terrinha



Festa de apresentação dos novos sem-terrinha
Circuito de brincadeiras que seriam como uma mística de conhecimento e adaptação dos sem-terrinhas ao acampamento:
Mata - barata: os novos sem-terrinha morrem de medo de baratas, precisamos furar todos os balões presos nas pernas das pessoas ( baratas)

Corrida do saco: temos que levar as mandiocas plantas para a casa dos sem-terrinha
Carrinho de mão: Quem tem carro? vamos andar todos de carrinho de mão igual aos novos sem-terrinha
Corrida do ovo: a galinha deles pos muitos ovos, temos que ajuda-los a levar os ovos do galinheiro para casa, carregando na colher e sem derrubar.

Materiais:
bexiga
pipoca, 3 pacotes
ovo cozido, uma caixa
colheres
copos
guardanapo
água para lavar as mãos em garrafas de plástico: musica do ‘ra tim bum’
sacos de estopa
suco de pó
bolo - na
sacos de lixo - na
óleo
sal
agua mineral
bacia para pipoca

Relato da Gabi

Fomos para o Elizabeth 12:30 do dia 19/09, eu (Gabi), Natasha, Bruno, Pilar e Ana Maria ( da dança). Chegamos lá e nos dividimos, a Pilar e o Bruno foram fazer os corres de estourar a pipoca e fazer o suco, eu e Ana Maria fomos nos barracos chamar as crianças e a Na e a Alexandra foram nos lotes buscar o resto.
Reunimos no total umas 20 crianças e vou dizer que o número de 5 cirandeiros da Unicamp mais a Alexandra, a Branca e o Ismael (marido da branca) foi uma numero muito bom, apesar de que mais a branca participou das brincadeiras e a Alexandra ajudou a cuidar mais das crianças e o Ismael ficava incentivando os filhos dele a participarem de tudo.
Enquanto eu e a Ana Maria esperávamos o resto das crianças no barracão fomos conversando sobre a atividade do dia relembrando a atividade da semana anterior e brincando de roda. Deu pra notar como o Junior é um cirandeiro e super puxa as brincadeiras e a atenção das outras crianças, e ele tem só dez anos.
A Pilar chegou com as outras crianças e brincamos de pega-pega da lua ( aquele que só podemos correr imitando coisas), depois de "lencinho branco", corre cutia, adoleta e a Natasha chegou com as outras crianças, dos lotes.
Fizemos o batizado mineiro porém antes conversamos com elas pra relembrarem quem era o João e a Maria e como eles eram, e propusemos um o batizado mineiro pensando em coisas que eles gostavam e faziam, e elas enfatizaram q o J e a M deveriam estar na roda, e as apresentações foram:

O João gosta de brincar
O João e Maria são lutadores
A Maria gosta de pipoca
O J gosta de jogar video game
A Maria gosta de chupar pirulito
O J e a M gostam de dançar
A M gosta de boneca
O J e a M moram aqui em Limeira
O J e a M gostam de pular
O J e a M gostam de brincar
A M gosta de lavar roupa
O J também ( o bruno que disse)
O J veio de Minas ( não foi eu nem a pilar que dissemos heheh)
A M veio da Bahia
O J e a M são sem-terrinhas
O J solta pipa
O J joga vôlei
A M gosta de varrer a casa
O J adora cozinhar
O J e a M gostam de nadar ( a na e o bruno tb)
O J gosta de jogar bola ( disseram isso 3 vezes)
O J gosta de trabalhar
O J gosta de jogar burquinha( não faço idéia do que isso e esqueci de pergunta pra eles o que era)
O J e a M gostam de se esconder
O J é boxeador
O J e a M gostam de passear
O J e a M são ciclistas
O J gosta de dançar
A M gosta de comer fruta
O J e a M gostam de pescar
A M gosta de andar de bicicleta
O J e a M não vêem tv
O J e a M gostam de brincar na terra.

Foi bem legal o batizado mineiro pq ate as crianças que geralmente são mais timidas participaram e foram no centro das roda falar alguma coisa e inclusive o Rique e a Juju. Depois do batizado mineiro a Pilar leu pra elas " Bruxa, bruxa venha a minha festa" e elas estavam super concentradas, inclusive os pequenos, menos o Daniel e o Richard que ficaram cutucando o Matheus pequenino o tempo todo.
Depois da leitura nós falamos pra elas que pra ajudar o João e a Maria a serem parte do acampamento , ou seja, os novos sem-terrinhas eles iam ter que ajudar os dois em diversas tarefas:

Primeiro tínhamos que matar todas as baratas pq os dois não gostavam nenhum pouco de baratas e então amarramos os barbantes com bexigas na perna de todos inclusive nossas e dos adultos do acampamento, chamamos as bexigas o tempo todo de baratas e inclusive eles entraram totalmente no clima. combinamos que não podiam pisar no pé do outro e depois de matar todas as baratas tínhamos que recolher os restos delas. Eu acho q funcionou super bem a brincadeira e todo mundo se divertiu bastante.
A próxima tarefa era ajudar o J e a M a levar as mandiocas da plantação para serem cozidas e que todos tinham que chegar na linha de chegada juntos para que a mandioca de ninguém estragasse ou fosse desperdiçada no meio do caminho ahh e para que todo mundo pudesse comer depois. Rolou legal essa atividade de corrida de saco tb e os pequenos tb adoraram, as crianças insistiram em repetir ai propusemos que todos teriam que correr de braço dados em fila e foi bem mais legal.
a próxima tarefa era levar os ovos do galinheiro do J e da M para a cozinha, e todos carregaram os ovos na colher na boca e a maioria sem derrubar.
* Durante essas brincadeiras o Ismael e a branca ficaram super empolgados, a branca participou de todas e o Ismael ficava super incentivando os filhos a fazerem tudo e elogiando eles.
Ea ultima tarefa era ajudar o J e a M a andarem pelo acampamento de carrinho de mão, essa atividade ja tava um pouco mais varzeada mas td mundo se divertiu tb.
Nesse momento chegou a pipoca, o suco e o bolo de chocolate, fizemos uma fila de lavar mão (usamos a água que levamos) e a Pilar e Ana puxaram a musiquinha do Ra-tim-bum (que nenhuma delas conhecia) ,acho que podíamos ensinar melhor essa musica para elas ( e tão bonitinha) todo mundo comeu bastante e ate cantamos parabéns pro João e pra Maria pois era aniversario deles de um ano, o junior que disse que isso tinha sido decidido semana passada.
O Cleiton passou a atividade inteira tirando fotos e tem umas bem legais. Eu senti que a Branca esta bem mais "feliz" e estruturada, o Jonas engordou esta mais sorridente e extrovertido e a Juju esta falando bastante, inclusive a Joice esta com uma cara mais calma, menos preocupada.
Acho que o maior problema da atividade foi a participação do Daniel e do Matheus,não a participação deles em si mas a atitude deles, dava pra ver que eles estavam se divertindo muito porém não cumpriam nossos combinados e ficavam o tempo todo pentelhando e batendo nas outras crianças, chamando os outros de feio e gordo e por mais que agente conversasse ou brigasse com eles não adiantou nada.
Bom, gente acho que esse foi meu primeiro relato on-line de uma atividade, me desculpem a informalidade e o assassinato da gramática portuguesa. Fazia um mês que eu não ia, e estava com muita saudade das crianças. Foi bem legal o fato de irmos a tarde pois eu estava bem mais animada e disposta, porém fiquei moída e quebrada o resto do dia, inclusive hoje.

Falamos para eles sobre o Encontro Sem Terrinha Regional.

Ciranda - 12 de setembro de 2009

12/09/2009
Planejamento

As Crianças sem terrinha
Confecção de um bonecão de pano, um não, dois!
Uma menina e um menino.
Precisaremos de roupas velhas e retalhos e bonés do MST
Livro: Livro de Parlendas
Enquanto a Andréa e a Lauren vão buscar as crianças nos barracos e nos lotes a Dani fica no barracão fazendo uns alongamentos e danças com as crianças que já estiverem lá.
A idéia é começar a atividade retomando as lembranças da atividade sobre a Elizabeth Teixeira - questão da MEMÓRIA
Propor a montagem dos bonecos que seriam os filhos do "lavrador de café" do quadro da outra atividade...Para isso precisam escolher os nomes deles, um menino e uma menina.
Momento leitura:
Tentar construir uma historia dos bonecos retomando a atividade da E.T., a ideia é que isso pode ser feito na dinâmica do Batizado Mineiro

Relato da Andrea


Chegamos lá às 9h20. Já tinham algumas crianças lá: Júnior, Gabi, Joyce e Jonas. A Jéssica morena chegou logo depois, veio dos lotes sozinha. A Branca tbm logo apareceu com a Juju e o Paulo Henrique. Ai veio Nathália, Henrique, Gui (este correndo, ele tá uma graça e já está interagindo bem mais). Pedi pra Tamires ir comigo nos lotes, fomos de carro, pra pegar a outra Jéssica e o Samuel. No fim só pegamos a outra Jéssica pq ela nos disse que o Samuel não estava.

Começamos tarde (10h20) por causa desta ida aos lotes. A mãe da Jéssica mais loirinha (mãe dela é a Theresa) me disse que é muito longe pra ela ir sozinha, perigoso por causa da linha do trem. Ela tem tbm mais dois pequenos (a Camila e o Rafael, 3 e 2 anos, mas eles não querem ir, tem vergonha!). Tbm acho o Samuel pequeno pra ir sozinho. Então combinei com elas pra se reunirem na semana que vem, mais ou menos às 15h (Natasha disse que poderia ir a tarde) na pontinha que tem logo depois da linha do trem, que teria alguém para pegá-las de carro lá. E q depois, no final da atividade, as levaríamos de volta até o mesmo lugar.

Enquanto fui lá, a Lauren, o Marco e a Dani ficaram organizando brincadeiras com os outros. A hora que cheguei estavam no meio de uma brincadeira organizada pela Lauren. Depois brincamos de elefantinho colorido... eles que sabiam a brincadeira e pediram pra fazermos.
Depois de umas 4 partidas de elefantinho colorido, chamei todos pra atividade do boneco, pq eles não queriam ler, estavam meio agitados. Coloquei a lona que usamos pra apresentação no PB (e que ainda estava no meu carro) no chão, e ficou bem legal brincar lá em cima. Espalhamos todos os trapos e retalhos e eles foram enchendo as partes do boneco que a Bia fez. A Dani ficou com a costura. No começo as crianças pensaram que seria um boneco pra cada um, e não gostaram da idéia de serem só dois. Mas como os bracinhos e perninhas estavam soltos, cada um ficou com um membro pra encher e ficaram mais calmos com isso. Enquanto eles enchiam tentamos identificar as características dos bonecos. Os nomes dados foram João e Maria, não lembro quem propos mas todos aceitaram de boa, não houve outras sugestões. Sobre a idade é que não entraram em acordo. Uns queriam que tivessem 7 anos, o Junior viu o tamanho do corpo do boneco e falou que eram bebes, os dois com a mesma idade, que deveriam ter meses... a conversa sobre isso não andou muito a partir daí. Decidiram depois que João e Maria moravam na fazenda, sugerimos que fossem sem-terrinha, eles gostaram da idéia, como gostaram quando fizemos a mesma sugestão na atividade com a figura, mas nunca vem deles esta identificação.

Depois a Dani começou a costurar as partes do boneco no corpo, e as crianças ficaram meio sem ter o que fazer. Aí resolvemos que esta seria a hora de ler. De primeiro, o Junior e a Joyce quiseram ler dois livros de versos sobre bichos brasileiros que levamos: Brasileirinhos e Novos Brasileirinhos. O Marco deu a idéia deles lerem para os outros adivinharem que bicho era. As duas Jessicas não queriam ler e ficaram tentando adivinhar. Os menores (Gabi, Henrique, Gui, Juju e Nathalia) não se interessaram pela brincadeira, preferiram ficar estourando um plástico bolha que levei para caso não houvesse tecido suficiente. Depois Marco começou a cantar um pouco com os maiores e o Rique pegou os livros pra ver. Achei muito bonitinho. Alguém, acho que o Júnior, queria tirar o livro dele, porque ele virava a página de um jeito que amassava o livro. Ai eu intervim e devolvi o livro pro Rique e disse pra ele como fazer pra não amassar, precisam de ver que fofo ele folhando o livro todo delicadinho (alguém imagina o Rique assim?!). Logo depois vi o Gui com o livro, ele começou a ver e me apontar os bichos desenhados. Comecei a falar pra ele que bichos eram. Fiquei assim um tempo eu a Gabi, Juju, Rique e o Gui vendo os desenhos e que animal era.

Então, quase 12h achamos que já tava na hora de levar as Jessicas pra casa. Achei que foi uma falha nossa que só percebi agora: as levei, vários foram comigo levá-las tbm (Gabi, Natalia, Rique e Gui), mas finalizamos a atividade só na volta! Que mancada! Foi a Joyce que lembrou de finalizar. Finalizamos a atividade com uma roda, cantamos o Digue da viola, a pedido do Rique, enquanto dançavamos o João e a Maria foram passando de mão em mão, pra dançar um pouquinho com cada um. Eles adoraram o João e a Maria quando ficaram prontos. Eles abraçavam e beijavam. Achei legal pq ninguém brigou, cada um ficava um pouco, abraçava, beijava e dava pro outro.

Várias vezes durante a atividade falei da festa dos bonecos, no proximo sábado, dia 19/09, que seria às 15h. Falei pra chamarem os amigos, pra avisarem no onibus da escola.
Fim! ;)

Ciranda - 5 de setembro de 2009

05/09/2009
Planejamento

História e Memória
Livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes
O livro fala sobre memória, a partir do mote do livro, retomar a história da Elizabeth Teixeira, através de coisinhas que tiraremos de dentro de uma cesta, como o Guilherme.
Depois de vermos o filme ‘Cabra marcado para morrer’, precisaremos pensar no que seria bom colocar nesta cesta para contarmos a história da Elizabeth.
1) Alongamento
2) BRINCADEIRAS (corre cotia, pega-pega, algum jogo teatral)
3) leitura do livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes de Mem Fox
4) Contação da história da Elizabeth Teixeira a partir de objetos selecionados (cada objeto corresponde a um - - elemento da vida dela):
- cabaça (sertão)
- lenço (mulher campesina)
- enxada (trabalho rural)
- 5 marias (jogo com os filhos; no total são 11 e 23 netos)
- foto de Sebatião Salgado (luta)
- sementes
- RG (mudou de identidade para não ser perseguida pela polícia depois da morte do marido/ nome falso era Marta Maria da Costa)
- bacia (lavadeira)
- caderno/lousa (professora)
- anel (casamento com João Pedro contra a vontade do pai porque o pretendente era negro e pobre/ fugiu com 16 anos)
- pedra (João Pedro trabalhou em uma pedreira)
- prisão (amarrar uma corda no braço de alguém/ Elizabeth foi presa por 3 meses e 24 dias)
- mala de palha (esconderijo)
5) Brincadeira de 5 marias!

Relato do João-zinho
Antes de começar queria dizer que só não enviei antes porque não consegui fazer no sábado... Eu, Bia e Raquel tivemos uma longa confraternização na Tonha e fiquei sem condições objetivas de fazer o relato no dia!

Reunimos poucas crianças: Jenifer, Jenifer, Paola, Junior, Gabi, Juju,
Crianças grandes: João, Bia, Raquel, Branca e Alexandra (certo?)

Fizemos um bom alongamento mas sentimos os meninos e meninas muito tímidos... Propusemos então algumas das brincadeiras de apresentação: batizado mineiro, cantigas de roda – eu n conhecia – viuvinha e uma outra que não me lembro bem...
Percebemos nesse momento que eles se empenharam mais e queriam continuar brincando. Chamou atenção a postura do Junior – desde já um educador. Ele puxava as músicas e chamava os outros para cantar também, um barato!

Em seguida a Bia fez uma leitura do livro Guilherme Augusto Araújo Fernandes. Os desenhos chamaram bastante atenção da molecada...
Enquanto a bia foi lendo, fomos arrumando a sacola com os objetos e ao fim da leitura propusemos a atividade: deveriam adivinhar de quem estávamos falando. Usando os objetos fomos dando pistas.
O primeiro objeto foi a foto... a primeira resposta foi: elisabeth teixeira!... nos fizemos de desconhecidos... é é vamos ver o resto...
Depois mostramos o lenço de chita... pensaram nas mães, nas marchas ... (as mães presentes, Branca e Alexandra participaram bastante da brincadeira, se divertiram junto com as crianças).
A corda trouxe frases curiosas como: corda te lembra o q? me lembra o meu pai que bate com uma corda!
Levamos uma rapadura da Miri (por sinal, comemos tudo! Brincadeira, ainda estou comendo o resto aqui em casa.)

A atividade foi muito boa, produtiva... a ideia de adivinhar a levar os objetos deu muito certo, eles pegaram as coisas e disseram coisas bacanas...infelizmente n me lembro de todas...

Problemas: o principal é a baixa adesão as atividades... motivos: 1 os meninos fazem reposição de aulas da gripe suína aos sábados... 2 a distância. É preciso reforçar a ideia que estaremos lá todo sábado e também pedir as crianças e pais que vão até lá... a Bia deu uma ideia legal, eles vão sozinhos e nós os levamos de volta... acho uma boa tb...

Fica ai o relato pras meninas completarem...

João
Relato da Raquel
O dia hoje foi muito legal de novo. Fomos eu,Joaozinho, Bia e Alessandra. AS crianças que estavam no barracão nos esperando era só a Gabi, a Juju, o Junior e o Rique. O Joãozinho, a Bia e Alessandra foi buscar mais crianças nos lotes. Enquanto isso fiquei jogando capoeira com o Junior porque ele pediu. Depois a Gabi e o Rique ficaram brincando com uma corda pesada e grossa. Um perigo. A Gabi subiu na tora do barracão e amarrou a corda para fazer um balanço. Fiquei impressionada com a proeza dessas criacnas. As inteligentes estratégias que elaboram para se desenvolverem, brincarem e tudo o mais.
Bom, como todos demoravam para voltar, comecei a ler o livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes para quem estava lá. Foi bem legalporque como havia poucas crianças, pude perguntar varias coisas durante a leitura e enriquece-la bastante. Esse momento é muito interessante, pois nunca sei como elas recebem essa historia. O rique, por exemplo, gostou muito dos desenhos aquarelas, mas não ficou tão compenentrado na história. Seu amigo Gabriel apareceu no meio com uma pipa e ele foi lá com ele. A historia conta que o Guilherme Augusto conta seus segredos para a Senhora do asilo. Perguntei para eles para quem eles contam seus segredos. Todos (Juju, Rique e Junior) disseram que para ninguem. Só a Gabi disse que conta para o Junior. Acho muito legal essa relação que esses dois irmãos estabelecem. O Junior cuida muito da Gabi e ela tem ele como um herói. É bonito.
Trabalhamos bastante com a questão da memória hoje, alem da história de Guilherme augusto, contamos a história da Elizabeth Teixeira através de memórias de objetos. Mostramos a corda que representava a prisão dela (3 meses e 24 dias). Para as crianças ela lembrava a corda que os pais batiam. Mostramos a rapadura, para eles lembrou a cana (que está sempre presente ali!). No caso da Elizabeth, representava a comida típica da época. O João lembrou porque a rapadura começou a existir: porque não existia saquinhos para colocar o açúcar na época. Foi assim que se constituiu esse momento de contacao de historias: memórias e elaborações de cada um ia construindo a historia da ellizabeth. A Alexandra ajudou bastante nesse processo. Acho que temos que fica mais espertos com essas situações. Elas nos indicam muito sobre a vida delas e as diferentes visões de mundo.

Ciranda - 29 de agosto de 2009

29/08/2009
Planejamento

o campo / o trabalho
Livro: Boi, Boiada
Levaremos uma pintura e a partir da pintura construiremos uma história coletiva, criando uma identidade para o personagem que aparece na tela.
Quem é ele, como ele chama?
Ele é sem-terra?
Pq ele se tornou um sem-terra?
De onde ele veio?
Ele gosta de trabalhar com a terra?
Depois disso, pediremos para as crianças fazerem uma releitura da tela em desenho.

Relato da Raquel
Foi um dia incrível. Um dos melhores que já vivi no acampamento. Fomos eu (Raquel), Andrea, Bruninho, Ana Maria e Larissa.
Chegamos no acampamento e só vimos a Natalia andando de bicicleta. Estava um dia muito quente!! Fui colar a fita adesiva na imagem de Portinari que ampliamos em A3 e as outras pessoas do grupo foram buscar as crianças. Em pouco tempo, já estavam algumas crianças lá: Jonas, Rique, Juju, Deberson, Natalia. Depois chegaram a Gabi, o Junior e um pequeno.
Enquanto as crianças chegavam, resolvi alongar com as crianças. Cada minuto naquele espaço parece muito oportuno para aprendermos e nos desenvolvermos. Bom, fomos alongando o corpo e no final já estavam as crianças que participariam naquele dia. A grande maioria era os pequenos. Os maiores foram para a escola (substituição de aulas da semana da gripe suína).
Depois de alongarmos, fomos brincar. Primeiro de “bom dia” (todos andam pela sala e quando encontram com uma pessoa, aperta a mão dela e diz “Bom dia”), depois de João-bobinho (duas pessoa uma para frente da outra, seguram a outra que está no meio que nem João bobo). Depois de pega-pega gelinho. Tentamos fazer alguns combinados, mas não foi muito bem sucedido. As crianças não ouvem muito a gente, ou nós não sabemos muito como lidar com esse tipo de situação. Tenho percebido nesses últimos tempos, que nós não colocamos muitos “limites” nas atitudes das crianças. Nesse encontro, acho eu foi mais pontual e legal porque a Larissa foi e ela é bem séria nessas horas!
Bom, quando estávamos super cansados, a Natalia propôs brincarmos de mímica de animais. As crianças brigam muito pela escolha da brincadeira. Talvez fosse importante observarmos mais (como a Bia disse no ultimo encontro) as brincadeiras delas: como elas fazem os combinados (pois toda brincadeira, tem regras!), como elas se relacionam (se excluem alguém) etc.
Foi um brilho só a mímica. Primeiro, porque eles gostam bastante de animais. Depois, porque eles são muito tímidos e parecem se desenvolver bem nesse tipo de atividade. Durante a brincadeira, reparei em dois elementos interessantes de análise: 1º como é instigante o modo como a comunicação gestual acontece - o Richard acertava uns animais de primeira por gestos que nenhum de nós (da Unicamp) acertaríamos. Aqui apareceria a questão de Vigotski, em que a criança se desenvolve e se constitui em seu meio histórico-cultural. 2º a imaginação era claramente mais desenvolvida nas crianças maiores do que nas maiores. Nessa brincadeira, era bem evidente como nós (monitores) tínhamos mais vocabulário e como os menores tinham muita mais dificuldade de pensar em um animal para imitar ou para acertar a mímica de alguém. Esse fato também pode ser interpretado segundo a teoria histórico-cultural de Vigotski. Segundo ele, a imaginação é um sistema psicológico superior que trabalha com elementos do cérebro retirados da realidade de cada individuo. Quanto mais elementos uma pessoa tiver, mais possibilidades de combinações da imaginação ela terá. Em conseqüência, um adulto sempre será potencialmente mais imaginativo que uma criança. Para mim isso ficou muito claro com as atitudes do Rique: ele sempre imitava o animal que a pessoa anteriormente tinha feito e sempre repetia o nome do animal que alguém tinha acabado de falar. Era muito interessante. Parecia que ele resgatava todos os elementos que ele tinha na hora, e eram realmente muito poucos. Por isso, entendo que um dos nossos papeis mais importantes enquanto educadores no acampamento, é ampliar a gama de conhecimento e elementos da realidade das crianças, para que elas tenham maiores possibilidades de escolha e de desenvolvimento humano.
Vale ressaltar um recurso interessante que usamos durante essa atividade: enquanto alguém demorava para imitar um bicho na frente de todos, nós batíamos palma em dois ritmos diferentes. Foi bem lagal.
Depois, partimos para a atividade pensada. Primeiramente, mostrei uma foto do
Portinari e, fazendo um certo suspense, perguntei quem seria aquele cara. Repostas fantásticas apareceram: escritor, skatista, desenhista, cientista, enfermeiro... Ao final, a Natalia acertou e disse que era um pintor. Eles gostaram da situação de suspense. Nesse momento chegaram as crianças que estavam na escola: Joice, Matheus e Daniel. Eles foram embora, tomaram banho e depois voltaram.
Peguei a imagem A3 do quadro “O lavrador de café” (1934) e cobri-la com um papel sulfite, deixando aparecer somente a sua cabeca com o céu atrás. As crianças ficaram super curiosas! Fomos tentando imaginar o que seria aquela pintura: falaram que ele estava voando no céu, que era anjo.Fui abaixando até o final, quando eles adivinharam que era um lavrador. Na verdade também pensaram que poderia ser um dono de fazenda. Não falamos se havia uma verdade, certo ou errado. Exploramos um pouco elementos do quadro: mostramos o trenzinho e falamos que era uma plantação de café. Perguntamos quem era aquele personagem e sugerimos que eles contassem a história dele. Foi complicado. Eles não quiseram muito inventar histórias. Perguntei se ele era um sem-terra, ficaram empolgados com a possibilidade dele ser, e assim, ao final deram o nome de Paulo Henrique para o personagem. Votamos entre Carlos de Las Vegas (nome sugerido pelo Junior) e Paulo Henrique (nome sugerido pela Natalia).
Enquanto o Bruninho e a Andrea pegavam as tabuas no barraco que estão os livros para que pudéssemos apoiar as cartolinas, nós fazíamos estátua. Foi um elemento bem legal para podermos continuar a dinâmica da atividade. Quando todos já estavam sentados nas tabuas, demos o material e eles ficaram muito contentes com a possibilidade de poderem fazer um desenho individual. Achei legal proporcionarmos também esses momentos. Apesar de estarmos lidando sempre com o coletivo, talvez o desenho individual possibilite a criança se apropriar de outro modo de sua produção. Bom, explicamos a proposta (pintar o Paulo Henrique cada um do seu jeito, mas com coerência com o quadro). Só os maiores seguiram a proposta, mas foi uma atividade bem legal. Eles ficaram bem concentrados. A Larissa ia passando com um pote de água para quem queria mudar de cor, a Andrea ajudou os menores a pintarem, cada um ia intervindo como podia. Foi muito importante irmos em 5 para a atividade. Fica muito mais dinâmica a atividade, e as crianças dispersam bem menos. Durante a atividade, li alguns poemas do “Boi, boiada, boiadeiro” da Ruth Rocha e eles reconheceram alguns deles; alegando que já tinham lido.
A mãe de um bebe (esqueci o nome dos dois, alguém me ajuda??) estava lá e pintou conosco. Ela gosta muito de pintar e disse que ia pintar para o filho. Achei engraçado, pois ela se apropriou da folha e disse que faria para ele, sendo que para mim seria muito mais coerente ela pintar junto com o filho para ajudá-lo. Bom, no final, o bebe também ficou com uma folha e um pincel e foi bem legal sua pintura: expressiva, laranja , abstrata! A mãe pintava muito bem, disse para ela da possibilidade dela pintar os poemas dos outros acampados e fazermos um livro!
Rolou um briga feia entre o Richard e o Jonas, a ponto do Jonas chorar muito e xingar feio o Richard. Conversamos com os dois e no final, o Richard chamou o Jonas para pintar. O Richard está em um período em que quer se defender de tudo e não quer deixar nada barato. Outra hora ele tava batendo no Rique (até porque o Rique não é nada inofensivo). A Branca, mãe da Joice, Jonas etc. estava lá toda hora querendo saber da atividade e querendo que seus filhos fizessem tudo certinho. Achei ótimo, pois ela nunca se preocupou muito com isso. Parece uma mãe mais presente.
A atividade rolou bem, e as crianças foram se dispersando conforme iam acabando a sua pintura. No final, quase todas foram embora sem conversarmos ou finalizarmos a atividade todos juntos. Foi bem ruim isso. Acho que temos que pensar melhor em estratégias de começarmos e terminarmos a atividade. Alguma mística, ou musica. Não sei.
Temos mais um problema a ser discutido: como faremos com as pessoas do acampamento que podem continuar a ciranda durante a semana? Não tinha ninguém nesse dia.

Ciranda - 22 de agosto de 2009

22/08
Planejamento

Divisão do trabalho e divisão do resultado do trabalho
Receita de bolo, fazer o bolo com as crianças atentando para medidas, produtos e de onde vêm, o que pode ser produzido no acampamento, etc
Enquanto esperamos assar, escrevemos no papel pardo a receita, com desenhos e palavras.

Leitura do livro: A galinha xadrez – trabalharemos coletividade, divisão do trabalho e do resultado do trabalho.

Relato da Pilar

Fomos eu (Pilar), Bia, Natasha e Bruninho.
Chegamos no acampamento e algumas crianças já estavam no barracão.
Fomos andando com algumas delas para falar com a Tamires, precisávamos conversar sobre o problema do gerador.
Ao voltar para o barracão encontramos algumas mães, conversamos sobre a reposição das aulas, que será aos sábados...
Começamos a atividade, a Bia tomou conta da feitura do bolo, mas íamos todos conversando sobre os ingredientes, sobre as quantidades, se dava pra fazer ali no acampamento as coisas que estávamos usando...
Usamos 6 ovos, 4 xícaras de açúcar, 2 xícaras de óleo, 4 xícaras de farinha de trigo, o suco de 3 maracujás com pouca água e 2 colheres de fermento.
Quando a Bia levou o tabuleirão com a massa do bolo para assar no forno da Clarisse, nós nos encarregamos de desenhar a receita, a Natasha desenhou para nós os ingredientes, depois nós ficamos treinando para ver se entendíamos a representação que tínhamos inventado e então escrevemos com letras do lado e colocamos alguns dos rótulos.
Aí chegou a hora da leitura, a Bia leu para nós o livro "A Galinha Xadrez"; Que conta a história da galinha que queria fazer um bolo, pediu a ajuda dos seus amigos e eles deram uma de joão-sem-braço; aí ela fez o bolo sozinha e foi dormir...num é que os amigos preguiçosos dela comeram todo o bolo?!A sorte foi que eles viram que tinham sido incovenientes e fizeram outro bolo para a galinha poder comer também. Ao realizar um trabalho coletivo, eles viram que assim as coisas ficam muito mais legais e começaram a trabalhar bastante na roça, todos juntos. Com o mote do livro, aproveitamos para conversar sobre divisão do trabalho e divisão do produto do trabalho; ajudar os outros, etc...
Como o bolo ainda não tava pronto, resolvemos brincar de pique-pega, mas não um pique-pega qualquer, nós primeiro tivemos que correr como se estivéssemos na lua, depois fingimos que éramos sapos, depois siris, depois cangurus e aí a criatividade deslanxou, e em seguida cansamos. Tentamos o pique-pega ajuda, foi muito rápido, ninguém nem quis repetir; tentamos o pique-pega corrente, foi divertido; depois passamos para o pique-esconde que só o Bruno acompanhou, eu por exemplo, fiquei sentada gritando que quem tava no pique tava guardando caixão...
E o bolo que não assa!
Fomos então brincar de coelhinho sai da toca, mas esse também num teve muito ibope. Nessa hora eu fui dar uma olhada no bolo, porque fiquei bastante irritada com a chegada do Fubá, completamente bêbado. Fui olhar o bolo, falei com a Clarisse, uma linda que a Bia não conhecia e adorou.
Achamos que já tava pronto e levamos para o barracão; o Daniel e o Júnior fizeram suco de uva para acompanhar. Pareceu-me consenso: o bolo estava uma delícia! Nessa hora um problema, a Joyce que tinha ficado pouquíssimo na atividade porque tinha que cuidar do irmão para a mãe lavar roupa, apareceu com uma vasilha para levar bolo para os irmãos que estavam na mina - entramos num dilema, porque senão todos iam querer levar bolo pros pais e pros irmãos; decidimos então que só ia comer do bolo quem estivesse ali, e falamos para ela chamar o pai dela, que estava em casa, para comer com a gente. O Mateus chamou a Joyce de passa-fome e ela quase chorou, foi foda.
Outro probleminha foi a hora que alguns tiveram que ir embora, porque tava na hora de se arrumar pra ir pra escola. A Diennifer saiu chorando, e no final o ônibus não passou, e eles não foram pra escola.
O bolo acabou, não sobraram nem farelos, cada um pôde comer o quanto quisesse. E então fomos embora, levando só o tabuleiro e o Fubá, que pegou carona com a gente, repetitivo e cantante como ele só, foi meio difícil eu achei, porque ele tava muito bêbado e irritando todo mundo, sorte foi que no meio do caminho até o Posto Três Vias ele capotou no ombro do Bruninho.

Ah, no meio de tudo isso, eu e o Bruninho conversamos com o Afonso sobre o gerador. Ele nos contou que o conserto ficaria em R$250, 00, e que problema surgiu com o mau uso. Falamos pra ele que não temos essa grana, e combinamos fazer uma conversa com o pessoal, porque achamos que a decisão tem que ser coletiva, todos os envolvidos tem que saber o que está sendo resolvido. Precisamos decidir o uso do gerador, combinar que quem não sabe não mexe, e pedir o compromisso de todos. Ele concordou com a gente, mas de todo caso, trouxemos a vela pra ver se conseguimos uma igual, porque pode ser que o Afonso consiga consertar ele mesmo.

sábado, 4 de julho de 2009

Ciranda - Dia 04 de junho de 2009

Relato da ida ao acampamento Elizabeth Teixeira - Ciranda

Dia 04 de junho de 2009

Escrito por Natasha

Presentes: Larissa, Bruno, Natasha e Tamires
Chegamos ao acampamento perto das 10h. Fomos dar uma volta para chamar as crianças, como de costume. Demoramos um tempão pra conseguir reunir poucas delas, pois estavam dispersas. Ao caminhar percebemos que muitos barracos já haviam sido retirados/mudados, inclusive o do Ari.
Fomos pro barracão começar as atividades, mas de início haviam poucas crianças e a maioria pequenas. Cantamos "De abóbora faz melão...", fizemos o batizado mineiro falando o nome e gestos dos animais. Muitas delas ficavam com vergonha e não queriam ir pra frente da roda para a brincadeira. Depois (ou antes da brincadeira, me perdi um pouco na ordem das coisas), chegou o Richard com um cavalo e, se não me engano, o Matheus de bicicleta. Aí foi um fuzuê. O Bruno tentando fazer o Richard tirar o cavalo lá de dentro, e o Matheus ir andar de bicicleta em outro lugar. Outra hora também entrou mais alguém cavalgando a "Faísca" (a égua que é do Zetão e que estava com o Richard) um pouco rápido e atrapalhou a atividade também. Nisso chegaram mais crianças que ao longo da atividade foram saindo e voltando.
Brincamos de pega-pega ajuda e pega-pega corrente. Essa foi a hora que mais tinha gente. A Tamires trouxe mais umas crianças novinhas para brincar. Depois de corrermos um pouco, como haviam mais crianças, tentamos fazer as brincadeiras de roda de novo. Mas foi bem difícil manter a roda, uma vez que haviam muitos pequenos que não compreendiam a brincadeira (e que mal falavam), soltavam a mão o tempo todo, e outros maiores que corriam muito, enquanto os pequenos não conseguiam andar direito. Mais uma vez aquela história da dificuldade de lidar com os pequenos e da divisão das atividades.
Depois foi a hora da história. Lemos um livro da Quel, "Leo e A........." (esqueci o nome da galinha). A história de um porco que se apaixona por uma galinha e que tenta de tudo para fazê-la prestar atenção nele. Pede então a ajuda de todos os animais que conhece para descobrir como conquistá-la. A galinha nem presta atenção nele. Só quando ele é ele mesmo (um porco, que chafurda na lama), a galinha o nota. A Lari leu a história e foi muito bom! Ela leu devagarzinho mostrando as figuras e depois fez uma releitura com as crianças através das imagens, puxando uma conversa sobre a mensagem do livro. Elas ficaram super atentas.
Depois fomos para a atividade de artes. Colocamos as pranchas de madeira no chão e quatro cartolinas, que foi o suficiente. (ao longo da atividade, a média de crianças era de 10 a 15, na hora dessa atividade foi um pouco menor). Elas desenharam com lápis preto para depois pintar os desenhos de animais que haviam feito. A Ju fez uma pulga, o Rick, uma aranha, a Joyce um patinho e uma borboleta. As outras crianças também fizeram patos e borboletas, quase todas. Não sei quem fez primeiro e quem copiou. Demorou um tempão para elas terminarem, pois queriam fazer um monte desenhos antes de pintar. Depois cortamos e colocamos nos palitinhos para virar uma espécie de "fantoches". A Dienifer fez uma baleia e escreveu um poema, que ficou com vergonha de ler para os outros. Depois de cortados, pedimos às crianças que nos contassem a historia daqueles bichos, o que eles faziam, quem eram, da onde tinham vindo. Essa parte foi bem difícil, pois a maioria não queria contar nada sobre os bichos, alguns por timidez, outros porque alegavam que "o bicho não tinha história". Tentamos um bom tempo até vermos que não iríamos muito longe. Nos despedimos e avisamos que iríamos entrar em férias e voltaríamos só em agosto.

PS: fazia um tempão que a Jéssica não aparecia, desde que havia mudado pro lote. Hoje ela participou da atividade.
Parece que a catequese/escola dominical mudou de horário, iria ser hoje, as 15h00.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ciranda, 27 de junho de 2009

Dia: 27 de junho de 2009
Educadores: Andrea, Pilar e Gabi
A atividade contou com a participação de 20 crianças, com idades entre 2 e 13 anos.
Relato da Pilar sobre as atividades:
“Chegamos lá e algumas crianças já nos esperavam no barracão. Mas ainda assim tivemos que andar um pouco pelo assentamento chamando outras.
Na casa do Júnior, ele quis nos mostrar o bezerrinho que tinha acabado de nascer, estávamos presenciando os primeiros momentos de vida, as tentativas de ficar em pé da Pandorinha; em seguida, Estrela, sua mãe, começou a comer a placenta, o que se tornou um momento de comoção geral: “ Ai que nojo” era o que mais ouvíamos!
Subimos novamente para o barracão, nesse trajeto o Rick pegou um pedaço de pau de tamanho médio e começou a bater no chão, depois nas pessoas, correu atrás do Jonas e eles começaram a brigar; conseguimos acalmar os ânimos (tirando o pedaço de pau da mão do Rick, de uma maneira um pouco coercitiva), e num é que logo em seguida ele acha um instrumento de ferro maciço e começa a ameaçar bater no Jonas e na Natália? Nesse momento, eu que estava do lado dele, tentei conversar, falei que não ia ser legal machucar alguém com aquele negócio, que eu não queria que ele ficasse ameaçando as pessoas ao redor dele; depois ele começou a jogar o negocio para cima, e a ameaçar o Jonas novamente. Senti a necessidade de ser um pouco mais rígida, tomei o ferro da mão dele e disse que se ele continuasse se comportando daquela maneira ele não poderia participar da atividade, falei que achava que precisava conversar com a mãe dele; aí depois de um segundo a mãe dele estava lá, a Natália que é irmã do Rick foi chamá-la; ela nem esperou explicações e já o levou de castigo, chorando para casa. (*No meio da atividade ele voltou, sorridente)
Depois de todo esse fuzuê, iniciamos as atividades. Primeiro brincamos de pega-pega fruta, a pessoa tem que falar o nome de uma fruta que ainda não foi citada para não ser pega, essa brincadeira deve ter durado uns 20 minutos. Em seguida fizemos uma roda e cantamos a cantiga do Bambu (Bambu, tirabu, arueira, mangabeira, tirara tal pessoa pra virar bambu – falamos o nome de um a um na roda e a pessoa vira de costas ainda de mãos dadas; depois repetimos o nome de um a um, e um a um as pessoas vão voltando a posição inicial); depois a cantiga da Viuvinha, que é a mais pedida (Viuvinha, por que choras, seu marido já morreu, se é por falta de carinha, se levante e abrace alguém, se quiser também! – fica uma criança no meio da roda e no final da cantiga, ela levanta e abraça alguém que vai substitui-la no meio da roda) e nenhum de nós entende o por quê.
Sugerimos então que a gente fosse procurar folhas, sementes, flores, ramos, casca de arvore, galhos e qualquer outra coisa pelo chão do assentamento.
Cada um com seus achados, nos reunimos para a hora da leitura. Eu li o livro: “Artur faz arte”. Escolhemos este livro, porque na semana anterior, tivemos dificuldade em fazer os mais velhos aceitarem os desenhos dos mais novos no mural coletivo. Essa leitura, objetivava então mostrar como qualquer desenho que fizermos pode ser encarado como arte, e atentamos para o fato de que estamos ali para realizar construções coletivas, e para tal, temos que aceitar as contribuições de todos. O livro mostra as pinturas abstratas de Artur, um garotinho de 4 anos, é todo colorido, e eles adoraram.
Como no meio da leitura todo mundo fica pedindo pra ler, dessa vez levamos um livro de poesias para quem quisesse ler em voz alta para os colegas. Júnior escolheu uma poesia que falava de beija-flor e amor, e o Igor leu junto com ele.
Estava um rebuliço só, e então a Gabi buscou tábuas grandes de madeiras que colocamos no chão como suporte das cartolinas azuis que levamos. Nos reunimos em três grupinhos, cada um com sua cartolina, seus potinhos de cola, seus achados pelo chão, e o elemento surpresa que eram sementinhas coloridas que compramos em uma casa de rações (amarelo, preto, vermelho e verde). A surpresa foi um sucesso, as crianças adoraram, pareceu. A proposta era misturar tudo o que quiséssemos no nosso desenho coletivo, e o resultado ficou lindo e colorido. Gostamos tanto dessa colagem, que cada grupo recebeu outra cartolina para fazer outro desenho coletivo. Houve briga por espaço, houve um reclamando que o outro estava estragando o desenho, que o pequenino desenhava feio....mas esses são conceitos que a gente vai ter que ir trabalhando, como já estamos; não é de uma hora pra outra que vamos conseguir fazer com que um menino de 12 anos aceite as bolinhas de uma menina de 2 como arte! Mas me pareceu que estamos no caminho certo.
Quando estávamos guardando as tábuas, a Fawane machucou a mãozinha, e começou a chorar descontroladamente, culpando a sua irmã, Rosana, pelo seu machucado e batendo nela. Gabi e Andrea tentaram controlá-la e eu fui guardar o resto das tabuas. Quando só faltava uma, a Fawane cismou que precisava ficar em cima dela, e não queria sair de jeito nenhum; eu fui tentar brincar com ela, juntamos pedrinhas e fomos conversando aí eu falei vamos sair, ela fez que sim com a cabeça; aí quando eu levantei ela no colo, ela começou a espernear, me arranhou pelo braço inteiro, e começou a puxar meu cabelo. A Rosana veio e começou a bater na Fwane para ela me soltar; eu falava pra Rosana parar de bater na Fawane, a Gabi veio e afastou a Rosana. Eu consegui fazer a Fwane se acalmar um pouco, mas ela ainda foi aos prantos pra casa. Não entendemos muito bem o que aconteceu, e esse surto histérico da criança com certeza teve algum motivo que não identificamos, porque ela sempre foi uma menina serena e risonha, foi essa a esquisitice da coisa.
Na volta só pensávamos em como estávamos com fome, e fomos ouvindo o CD eclético que a Andrea gravou.”

sábado, 20 de junho de 2009

Relato ciranda 20 de junho de 2009.

Fomos para o acampamento Raquel, Pilar, Natasha e Bruninho. Estamos em junho e o frio as nove da manha ainda é grande.
Chegamos e fomos buscar as crianças. Descobrimos que não teria escolinha dominical porque o padre Adão está na ocupação de cima. Acho que ate não se resolver esse problema, não haverá mais a escolhinha dominical.
Conhecemos o Paulo Henrique (filho da Branca). A Joyce estah muito mais feliz agora com a vinda de seu irmão. Veio me contar toda feliz que domingo vai ao posto vaciná-lo. Hoje foi um dia de bastante participação das crianças. Elas estavam felizes também. No total eram cerca de 20 crianças. Primeiro fizemos a roda com as musicas da “abobora” e do “bambu” que aprendemos na formação de educadores. A brincadeira logo se esgotou e começamos a fazer o batizado mineiro transformado: invés de falarmos o nome próprio, falávamos uma semente, planta, arvore arbusto, fruta, flor (etc.) que quiséssemos plantar. Muitos ficam envergonhados e demoravam para fazer o movimento e falar a palavra escolhida. Nessa hora, a pressão do grupo era grande. Para mim é bem claro que as crianças mais velhas têm um desenvolvimento de falar na frente das pessoas bem maior que os pequenos. Não sei exatamente por que.
Bom, como não conseguimos criar um ritmo muito fluido na brincadeira, as crianças se aborreceram e não quiseram fazer mais. Então, propomos o jogo de imitação. Foi interessante, a situação de jogo é realmente imprescindível para se pensar educação infantil. Depois, começamos a brincar de pega-pega corrente. Achei interessante, que não deu muito certo. Os pegadores não conseguiam alcançar as pessoas. Então, mudamos para pega-pega ajuda, e o jogo logo terminava: era bem mais fácil. As crianças adoravam, e nós não acompanhávamos muito (só o Bruninho)...
Havia dois bebes ali: seus irmãos estavam brincando com a gente. E eles (os nenês) não queriam participar, mas sim ficar com seus irmãos. Era complicado, porque eles choravam e não deixavam as crianças brincar. Essa é uma situação bem corrente no acampamento: os irmãos mais velhos (a partir de uns oito anos de idade) cuidam de seus irmãos mais velhos. A Joyce, de 14 anos, é praticamente mãe de seus irmãos. Hoje em dia é muito raro vê-la em nossas atividades: sempre está ajudando a mãe a cuidar das tarefas domesticas.
Bom, depois, lemos o poema do “Chuchu” de Luis Camargo (A Pilar leu muito bem e eu lia a parte do chuchu). Eles gostaram: adoram poesias! Alguns até declamaram algumas que sabiam, ficaram super agitados e empolgados com a situação de falar na frente de todos um poema. Para mim, todas essas situações me indicam claramente que temos que trabalhar mais os jogos teatrais com as crianças. Parece ser uma linguagem muito interessante e fértil para trabalhar os temas de gênero, violência, coletividade, etc., que queremos.
Levamos a caixa de materiais e propomos um desenho e colagem sobre as sementes, plantas etc. que eles gostam. Eles têm muitos problemas em dividir espaço e pedirem as coisas: sempre falam com se estivesse exigindo e brigando. “Me dá a tesoura agora Richard!!!” – em tom de comando. Essa é uma questão que temos que trabalhar arduamente, falando de um em um que é possível se comunicar de outra forma com as pessoas: pedindo tranquilamente. Aos poucos, as crianças vão se adaptando a essa nova maneira de se relacionar e o clima melhora bastante.
Depois, demos tintas para eles, e foi uma bagunça enorme: pintaram as mãos, misturaram as cores etc. foi legal, mas acho que precisamos nos organizar melhor para saber como lidaremos com essas situações: existem muitas crianças de idades diferentes, e as grandes, às vezes, acabam dominando o espaço, complicando o trabalho dos pequenos.
Acabamos a atividade, e a tia do Cleiton chegou com uma doação enorme de livros. Colocamos no barraco das aulas e fomos embora.

sábado, 6 de junho de 2009

Relato da atividade de 6/6/09 - Ciranda

Relato da ida ao acampamento Elizabeth Teixeira
[escrito por Natasha]
Dia: 06 de junho de 2009
Atividade: Ciranda
Presentes: Andréa, Natasha e Tamires
Chegamos ao acampamento e fomos buscar as crianças para a atividade. Muitas delas estavam na escola dominical e outras ajudando as famílias a mudarem pros lotes. Algumas também estavam ajudando pessoas a transportarem o gado que havia chegado.
Conseguimos reunir poucas crianças para ir pro barracão (com muita dificuldade, pois elas se dispersavam o tempo todo), a maioria delas menores. Estavam a Ju, o Jonas, a Gabi, o Caique, Mateus, (acho que tinha mais umas duas, não me lembro quem mais).
Fomos pro barracão e chegando lá havia um caminhão descarregando as primeiras compras de material que o pessoal havia comprado (enxada, carrinho de mão, arado, ...). Com isso, as crianças se dispersaram de novo e tivemos que esperar o caminhão ir embora pra conseguir reunir elas de novo.
A atividade acabou por começar umas 10h17 (havíamos chegado umas 9h20). Além das crianças já citadas, algumas chegaram pra atividade, mas saiam e voltavam o tempo todo, entre elas o Nilson, a Nathalia, o Rick, o Richard, o Junior e a Fauane.
Primeiro cantamos "dig dig dig da viola", tentando mudar a letra pra "eu vim de ... você da onde veio?", mas não funcionou bem, primeiro porque estávamos em poucos (e pequenos) e também porque muitos não sabiam de onde haviam vindo. Depois cantamos "Viuvinha" e "A linda rosa juvenil", aí tentamos o "Batizado Mineiro", se apresentando e dizendo da onde havia vindo. Funcionou melhor, pois havia mais crianças e maiores que já sabiam de que lugar tinham vindo.
Como elas estavam elétricas e não paravam quietas por conta das atividades que estavam rolando no acampamento, resolvemos fazer uns pega-pegas para elas sossegarem um pouquinho.
Depois disso contamos uma história que a Andréa trouxe "Nhoquita a Minhoca"; era a história de uma minhoca que nasce de um ovo e outra que nasce por bipartição da mãe. Elas conversam de onde vieram. Uma não conhece a própria mãe, a outra aprendeu tudo o que sabe sobre as minhocas e os outros bichos com a sua mãe. Essa minhoca, chamada Serpentinha, conta pra Nhoquita que as minhocas são responsáveis por arejar a terra e deixá-la fofa pra que se possa plantar nela e que as minhocas preguiçosas acabam por virar isca para peixes. O Nilson nos ajudou a ler a história.
Depois fizemos desenhos livre com barbante e giz de cera. O Richard começou a fazer e depois foi ajudar o tio dele, não terminou. O Mateus começou o desenho e a Nathalia terminou o dele. A Nathalia pediu para a Tamires fazer uma flor pra ela e o Rick pediu um barco, que ele terminou fazendo uma escada de fita crepe. O Caique começou a cortar seu barbante, mas não sabia usar a tesoura. Aí ele aprendeu e ficou o resto da atividade cortando barbantes. Eles não gostaram muito de usar o giz de cera e a Nathalia queria muito usar a tinta, mas como todos estavam usando o giz, achamos melhor na dar só pra ela a tinta. Ela foi pra casa e buscou um pote de tinta para pintar a flor.
A Tamires nos ajudou na atividade de sábado. Perguntou se o Clayton e o Maurício não iriam ajudar também na Ciranda. Se faz urgente a reunião de planejamento com a Jo e os outros educadores da Ciranda do próprio acampamento.
Obs: Andréa, se você se lembrar de algo, me complete!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

30/04 - Exibição de "Roger e Eu" no Assentamento Milton Santos

Presentes: João, Poti, Caio, Kanova, Gilmar, Darci, 2 meninos assistiram ao início do filme e foram embora, um outro chegou ao final do filme e ficou na discussão.

Conforme planejamos, nesta quinta-feira exibimos o filme Roger e Eu, de Michael Moore, para promover uma discussão focada no Primeiro de Maio, dia de luta da classe trabalhadora. O filme colaboraria neste sentido pois traz elementos interessantes do processo de acumulação de capital, mostrando a reestruturação produtiva na GM nos anos 80, fechando várias fábricas na pequena cidade de Flint, e as levando ao México, para rebaixar o custo da força de trabalho e ampliar os lucros. Os efeitos para a cidade em geral e para a classe trabalhadora em particular são devastadores. Lojas vão a falência, pessoas deixam de pagar aluguéis e hipotecas, sendo despejadas, os empregos somem, a criminalidade aumenta, o Estado não promove nenhuma política para tal questão.

Na discussão posterior ao filme, o primeiro a comentar foi o Gilmar, que achou o filme interessante porque ele mostra como existem algumas pessoas mais desenvolvidas que outras, que, no meio daquela crise, daquela situação desesperadora, lutaram, se esforçaram e acharam saídas. Isso em referência aos casos mostrados pelo diretor Michael Moore, de uma mulher que passou a vender carne de coelho, ou de alguém que inventou um equipamento para retirar pêlos das roupas, ou ainda daqueles que passaram a trabalhar de carcereiro no presídio, ganhando a metade do que recebiam e mantendo sob detenção ex-colegas de trabalho. Kanova e Darci comentaram mais no sentido geral do filme, o avaliando como muito bom, mostrando o desastre que os interesses privados de ampliar os lucros de uma empresa pode gerar em uma cidade inteira.

Nos atemos mais a discussão em torno do que disse Gilmar, por captarmos elementos da ideologia liberal em sua fala. Em outras discussões isso já havia aparecido, esta idéia de que algumas pessoas são mais esforçadas que outras, que umas são mais inteligentes que outras e por isso merecem ganhar mais, merecem “vencer na vida”. Tentamos, de início, questionar sobre essas saídas que os “inteligentes” e “esforçados” conseguiram. Seriam saídas válidas? São alternativas justas, honestas, adequadas ao problema do desemprego?

Em cima disto debatemos a questão do trabalho formal, organizado e planejado que é o trabalho da fábrica, que permite ao trabalhador um certo planejamento, já que sabe quando e quanto vai trabalhar e quando e quanto vai receber, em contraposição ao trabalho precarizado, parcial, sem jornadas fixas e sem salários fixos, colocando ao trabalhador um grau de exploração muito maior, já que ele próprio é quem, em tese, define seus ganhos, já que ganha de acordo com o tanto que trabalha. E se não houver trabalho a ser feito? Se não tiver para quem vender? Aí todo o planejamento do trabalhador vai por água abaixo.

Disso entramos em casos específicos de trabalhos em esquema de pirâmide, como contou Gilmar, de uma empresa chamada Hermes, e que aparece no filme o de uma outra empresa, em que a pessoa vende um determinado produto e ganha uma porcentagem, e, se ela conseguir trazer mais vendedores para empresa ela ganha uma porcentagem em cima do que for vendido pelos seus indicados, e assim sucessivamente. Tentamos, a todo modo, dialogar e mostrar que isto não é saída para a crise, não é saída para o desemprego, e que é, na realidade, um golpe em que obriga os vendedores a trabalharem muito (pois ganham de acordo com o que vendem) e a trazerem mais vendedores para a empresa, na realidade ampliando enormemente os lucros dos primeiros que entraram na pirâmide, no caso, a empresa.

Outro caso específico e interessante que debatemos foi o do trabalho no corte da cana. Gilmar já fez este serviço anteriormente. Argumentamos que a forma de pagamento, por tonelada cortada, aumenta a exploração do trabalhador, causando graves lesões e até a morte por estafa de muitos canavieiros. Ele contra-argumentou que isso ocorre porque a pessoa não sabe cortar direito, pois quem sabe cortar direitinho consegue cortar toneladas e toneladas de cana sem problemas. Disse até que é um bom serviço, pois pagam bem e o trabalho nem cansa tanto. Tentamos trazer dados de quanto ganha um bóia-fria no corte da cana, dados da quantidade média de toneladas que um trabalhador corta, da quantidade de mortes por estafa ocorridas recentemente, das comparações de vida útil em relação ao escravo canavieiro, etc. Entretanto, me pareceu que ele não foi convencido do debate. A experiência concreta dele, coisas que ele vive e/ou viveu, pesam muito na formação de sua consciência, muito mais que nossa argumentação, por mais correta e baseada na realidade que seja.

Por fim entramos num debate sobre os problemas do Brasil. Inicialmente apareceu a idéia de que o problema do Brasil seria a corrupção. Coisa que vem desde baixo até os de cima. Isto é, corrupção ocorreria desde pequenas ações (como alguém que vê uma caixa de doações para o assentamento e, antes de todos, pega as roupas que acha melhor ou que acha que servem e leva para a casa, e, caso não sirvam, envergonhado de ter pego antes de todos, joga fora ou põe fogo), passando pelos meios (Estado, INCRA, Prefeituras, Prefeitos, Vereadores, Servidores públicos, Governadores, Ministros, todos...) e chegando nos grandes desvios (dos senadores, deputados, presidente, incentivado por interesses do agronegócio, de empresas privadas). Tentamos desviar a corrupção de uma discussão estritamente moral, tirando o foco das chamadas “pequenas corrupções”, uma vez que se alguém rouba, desvia, trafica, ou faz qualquer dessas ações consideradas “corruptas” para se alimentar ou para alimentar sua família, não há como condená-lo e sim à sociedade. Então centramos fogo nas ligações claras que existem entre a corrupção e o capitalismo, isto é, nas relações entre as grandes empresas e o Estado. Porém e estranhamente, isso não é corrupção, já que é legal, está de acordo com o funcionamento do Estado. Daí enfim partimos à crítica do Estado e do Capitalismo, que, por privilegiarem os interesses das grandes empresas, dos lucros e de uma minoria, geram os principais problemas do Brasil, que não é a corrupção, mas sim a fome, a pobreza, a falta de trabalho, a falta de moradia, a concentração de terras, etc.

A discussão foi muito além do que relato aqui. Tentei me concentrar nas idéias centrais. Além disso, tivemos problema com o Marcião, que apareceu por lá bêbado, atrapalhando nossa atividade. O Poti conversou com ele e convenceu-o a não interferir. Por fim, ficou, para mim, novamente a sensação de que precisamos aprofundar nosso debate sobre Educação Popular, sobre metodologia, coisa que debateremos na próxima quinta-feira, para elaborarmos nosso projeto.