29/08/2009
Planejamento
o campo / o trabalho
Livro: Boi, Boiada
Levaremos uma pintura e a partir da pintura construiremos uma história coletiva, criando uma identidade para o personagem que aparece na tela.
Quem é ele, como ele chama?
Ele é sem-terra?
Pq ele se tornou um sem-terra?
De onde ele veio?
Ele gosta de trabalhar com a terra?
Depois disso, pediremos para as crianças fazerem uma releitura da tela em desenho.
Relato da Raquel
Foi um dia incrível. Um dos melhores que já vivi no acampamento. Fomos eu (Raquel), Andrea, Bruninho, Ana Maria e Larissa.
Chegamos no acampamento e só vimos a Natalia andando de bicicleta. Estava um dia muito quente!! Fui colar a fita adesiva na imagem de Portinari que ampliamos em A3 e as outras pessoas do grupo foram buscar as crianças. Em pouco tempo, já estavam algumas crianças lá: Jonas, Rique, Juju, Deberson, Natalia. Depois chegaram a Gabi, o Junior e um pequeno.
Enquanto as crianças chegavam, resolvi alongar com as crianças. Cada minuto naquele espaço parece muito oportuno para aprendermos e nos desenvolvermos. Bom, fomos alongando o corpo e no final já estavam as crianças que participariam naquele dia. A grande maioria era os pequenos. Os maiores foram para a escola (substituição de aulas da semana da gripe suína).
Depois de alongarmos, fomos brincar. Primeiro de “bom dia” (todos andam pela sala e quando encontram com uma pessoa, aperta a mão dela e diz “Bom dia”), depois de João-bobinho (duas pessoa uma para frente da outra, seguram a outra que está no meio que nem João bobo). Depois de pega-pega gelinho. Tentamos fazer alguns combinados, mas não foi muito bem sucedido. As crianças não ouvem muito a gente, ou nós não sabemos muito como lidar com esse tipo de situação. Tenho percebido nesses últimos tempos, que nós não colocamos muitos “limites” nas atitudes das crianças. Nesse encontro, acho eu foi mais pontual e legal porque a Larissa foi e ela é bem séria nessas horas!
Bom, quando estávamos super cansados, a Natalia propôs brincarmos de mímica de animais. As crianças brigam muito pela escolha da brincadeira. Talvez fosse importante observarmos mais (como a Bia disse no ultimo encontro) as brincadeiras delas: como elas fazem os combinados (pois toda brincadeira, tem regras!), como elas se relacionam (se excluem alguém) etc.
Foi um brilho só a mímica. Primeiro, porque eles gostam bastante de animais. Depois, porque eles são muito tímidos e parecem se desenvolver bem nesse tipo de atividade. Durante a brincadeira, reparei em dois elementos interessantes de análise: 1º como é instigante o modo como a comunicação gestual acontece - o Richard acertava uns animais de primeira por gestos que nenhum de nós (da Unicamp) acertaríamos. Aqui apareceria a questão de Vigotski, em que a criança se desenvolve e se constitui em seu meio histórico-cultural. 2º a imaginação era claramente mais desenvolvida nas crianças maiores do que nas maiores. Nessa brincadeira, era bem evidente como nós (monitores) tínhamos mais vocabulário e como os menores tinham muita mais dificuldade de pensar em um animal para imitar ou para acertar a mímica de alguém. Esse fato também pode ser interpretado segundo a teoria histórico-cultural de Vigotski. Segundo ele, a imaginação é um sistema psicológico superior que trabalha com elementos do cérebro retirados da realidade de cada individuo. Quanto mais elementos uma pessoa tiver, mais possibilidades de combinações da imaginação ela terá. Em conseqüência, um adulto sempre será potencialmente mais imaginativo que uma criança. Para mim isso ficou muito claro com as atitudes do Rique: ele sempre imitava o animal que a pessoa anteriormente tinha feito e sempre repetia o nome do animal que alguém tinha acabado de falar. Era muito interessante. Parecia que ele resgatava todos os elementos que ele tinha na hora, e eram realmente muito poucos. Por isso, entendo que um dos nossos papeis mais importantes enquanto educadores no acampamento, é ampliar a gama de conhecimento e elementos da realidade das crianças, para que elas tenham maiores possibilidades de escolha e de desenvolvimento humano.
Vale ressaltar um recurso interessante que usamos durante essa atividade: enquanto alguém demorava para imitar um bicho na frente de todos, nós batíamos palma em dois ritmos diferentes. Foi bem lagal.
Depois, partimos para a atividade pensada. Primeiramente, mostrei uma foto do
Portinari e, fazendo um certo suspense, perguntei quem seria aquele cara. Repostas fantásticas apareceram: escritor, skatista, desenhista, cientista, enfermeiro... Ao final, a Natalia acertou e disse que era um pintor. Eles gostaram da situação de suspense. Nesse momento chegaram as crianças que estavam na escola: Joice, Matheus e Daniel. Eles foram embora, tomaram banho e depois voltaram.
Peguei a imagem A3 do quadro “O lavrador de café” (1934) e cobri-la com um papel sulfite, deixando aparecer somente a sua cabeca com o céu atrás. As crianças ficaram super curiosas! Fomos tentando imaginar o que seria aquela pintura: falaram que ele estava voando no céu, que era anjo.Fui abaixando até o final, quando eles adivinharam que era um lavrador. Na verdade também pensaram que poderia ser um dono de fazenda. Não falamos se havia uma verdade, certo ou errado. Exploramos um pouco elementos do quadro: mostramos o trenzinho e falamos que era uma plantação de café. Perguntamos quem era aquele personagem e sugerimos que eles contassem a história dele. Foi complicado. Eles não quiseram muito inventar histórias. Perguntei se ele era um sem-terra, ficaram empolgados com a possibilidade dele ser, e assim, ao final deram o nome de Paulo Henrique para o personagem. Votamos entre Carlos de Las Vegas (nome sugerido pelo Junior) e Paulo Henrique (nome sugerido pela Natalia).
Enquanto o Bruninho e a Andrea pegavam as tabuas no barraco que estão os livros para que pudéssemos apoiar as cartolinas, nós fazíamos estátua. Foi um elemento bem legal para podermos continuar a dinâmica da atividade. Quando todos já estavam sentados nas tabuas, demos o material e eles ficaram muito contentes com a possibilidade de poderem fazer um desenho individual. Achei legal proporcionarmos também esses momentos. Apesar de estarmos lidando sempre com o coletivo, talvez o desenho individual possibilite a criança se apropriar de outro modo de sua produção. Bom, explicamos a proposta (pintar o Paulo Henrique cada um do seu jeito, mas com coerência com o quadro). Só os maiores seguiram a proposta, mas foi uma atividade bem legal. Eles ficaram bem concentrados. A Larissa ia passando com um pote de água para quem queria mudar de cor, a Andrea ajudou os menores a pintarem, cada um ia intervindo como podia. Foi muito importante irmos em 5 para a atividade. Fica muito mais dinâmica a atividade, e as crianças dispersam bem menos. Durante a atividade, li alguns poemas do “Boi, boiada, boiadeiro” da Ruth Rocha e eles reconheceram alguns deles; alegando que já tinham lido.
A mãe de um bebe (esqueci o nome dos dois, alguém me ajuda??) estava lá e pintou conosco. Ela gosta muito de pintar e disse que ia pintar para o filho. Achei engraçado, pois ela se apropriou da folha e disse que faria para ele, sendo que para mim seria muito mais coerente ela pintar junto com o filho para ajudá-lo. Bom, no final, o bebe também ficou com uma folha e um pincel e foi bem legal sua pintura: expressiva, laranja , abstrata! A mãe pintava muito bem, disse para ela da possibilidade dela pintar os poemas dos outros acampados e fazermos um livro!
Rolou um briga feia entre o Richard e o Jonas, a ponto do Jonas chorar muito e xingar feio o Richard. Conversamos com os dois e no final, o Richard chamou o Jonas para pintar. O Richard está em um período em que quer se defender de tudo e não quer deixar nada barato. Outra hora ele tava batendo no Rique (até porque o Rique não é nada inofensivo). A Branca, mãe da Joice, Jonas etc. estava lá toda hora querendo saber da atividade e querendo que seus filhos fizessem tudo certinho. Achei ótimo, pois ela nunca se preocupou muito com isso. Parece uma mãe mais presente.
A atividade rolou bem, e as crianças foram se dispersando conforme iam acabando a sua pintura. No final, quase todas foram embora sem conversarmos ou finalizarmos a atividade todos juntos. Foi bem ruim isso. Acho que temos que pensar melhor em estratégias de começarmos e terminarmos a atividade. Alguma mística, ou musica. Não sei.
Temos mais um problema a ser discutido: como faremos com as pessoas do acampamento que podem continuar a ciranda durante a semana? Não tinha ninguém nesse dia.
Planejamento
o campo / o trabalho
Livro: Boi, Boiada
Levaremos uma pintura e a partir da pintura construiremos uma história coletiva, criando uma identidade para o personagem que aparece na tela.
Quem é ele, como ele chama?
Ele é sem-terra?
Pq ele se tornou um sem-terra?
De onde ele veio?
Ele gosta de trabalhar com a terra?
Depois disso, pediremos para as crianças fazerem uma releitura da tela em desenho.
Relato da Raquel
Foi um dia incrível. Um dos melhores que já vivi no acampamento. Fomos eu (Raquel), Andrea, Bruninho, Ana Maria e Larissa.
Chegamos no acampamento e só vimos a Natalia andando de bicicleta. Estava um dia muito quente!! Fui colar a fita adesiva na imagem de Portinari que ampliamos em A3 e as outras pessoas do grupo foram buscar as crianças. Em pouco tempo, já estavam algumas crianças lá: Jonas, Rique, Juju, Deberson, Natalia. Depois chegaram a Gabi, o Junior e um pequeno.
Enquanto as crianças chegavam, resolvi alongar com as crianças. Cada minuto naquele espaço parece muito oportuno para aprendermos e nos desenvolvermos. Bom, fomos alongando o corpo e no final já estavam as crianças que participariam naquele dia. A grande maioria era os pequenos. Os maiores foram para a escola (substituição de aulas da semana da gripe suína).
Depois de alongarmos, fomos brincar. Primeiro de “bom dia” (todos andam pela sala e quando encontram com uma pessoa, aperta a mão dela e diz “Bom dia”), depois de João-bobinho (duas pessoa uma para frente da outra, seguram a outra que está no meio que nem João bobo). Depois de pega-pega gelinho. Tentamos fazer alguns combinados, mas não foi muito bem sucedido. As crianças não ouvem muito a gente, ou nós não sabemos muito como lidar com esse tipo de situação. Tenho percebido nesses últimos tempos, que nós não colocamos muitos “limites” nas atitudes das crianças. Nesse encontro, acho eu foi mais pontual e legal porque a Larissa foi e ela é bem séria nessas horas!
Bom, quando estávamos super cansados, a Natalia propôs brincarmos de mímica de animais. As crianças brigam muito pela escolha da brincadeira. Talvez fosse importante observarmos mais (como a Bia disse no ultimo encontro) as brincadeiras delas: como elas fazem os combinados (pois toda brincadeira, tem regras!), como elas se relacionam (se excluem alguém) etc.
Foi um brilho só a mímica. Primeiro, porque eles gostam bastante de animais. Depois, porque eles são muito tímidos e parecem se desenvolver bem nesse tipo de atividade. Durante a brincadeira, reparei em dois elementos interessantes de análise: 1º como é instigante o modo como a comunicação gestual acontece - o Richard acertava uns animais de primeira por gestos que nenhum de nós (da Unicamp) acertaríamos. Aqui apareceria a questão de Vigotski, em que a criança se desenvolve e se constitui em seu meio histórico-cultural. 2º a imaginação era claramente mais desenvolvida nas crianças maiores do que nas maiores. Nessa brincadeira, era bem evidente como nós (monitores) tínhamos mais vocabulário e como os menores tinham muita mais dificuldade de pensar em um animal para imitar ou para acertar a mímica de alguém. Esse fato também pode ser interpretado segundo a teoria histórico-cultural de Vigotski. Segundo ele, a imaginação é um sistema psicológico superior que trabalha com elementos do cérebro retirados da realidade de cada individuo. Quanto mais elementos uma pessoa tiver, mais possibilidades de combinações da imaginação ela terá. Em conseqüência, um adulto sempre será potencialmente mais imaginativo que uma criança. Para mim isso ficou muito claro com as atitudes do Rique: ele sempre imitava o animal que a pessoa anteriormente tinha feito e sempre repetia o nome do animal que alguém tinha acabado de falar. Era muito interessante. Parecia que ele resgatava todos os elementos que ele tinha na hora, e eram realmente muito poucos. Por isso, entendo que um dos nossos papeis mais importantes enquanto educadores no acampamento, é ampliar a gama de conhecimento e elementos da realidade das crianças, para que elas tenham maiores possibilidades de escolha e de desenvolvimento humano.
Vale ressaltar um recurso interessante que usamos durante essa atividade: enquanto alguém demorava para imitar um bicho na frente de todos, nós batíamos palma em dois ritmos diferentes. Foi bem lagal.
Depois, partimos para a atividade pensada. Primeiramente, mostrei uma foto do
Portinari e, fazendo um certo suspense, perguntei quem seria aquele cara. Repostas fantásticas apareceram: escritor, skatista, desenhista, cientista, enfermeiro... Ao final, a Natalia acertou e disse que era um pintor. Eles gostaram da situação de suspense. Nesse momento chegaram as crianças que estavam na escola: Joice, Matheus e Daniel. Eles foram embora, tomaram banho e depois voltaram.
Peguei a imagem A3 do quadro “O lavrador de café” (1934) e cobri-la com um papel sulfite, deixando aparecer somente a sua cabeca com o céu atrás. As crianças ficaram super curiosas! Fomos tentando imaginar o que seria aquela pintura: falaram que ele estava voando no céu, que era anjo.Fui abaixando até o final, quando eles adivinharam que era um lavrador. Na verdade também pensaram que poderia ser um dono de fazenda. Não falamos se havia uma verdade, certo ou errado. Exploramos um pouco elementos do quadro: mostramos o trenzinho e falamos que era uma plantação de café. Perguntamos quem era aquele personagem e sugerimos que eles contassem a história dele. Foi complicado. Eles não quiseram muito inventar histórias. Perguntei se ele era um sem-terra, ficaram empolgados com a possibilidade dele ser, e assim, ao final deram o nome de Paulo Henrique para o personagem. Votamos entre Carlos de Las Vegas (nome sugerido pelo Junior) e Paulo Henrique (nome sugerido pela Natalia).
Enquanto o Bruninho e a Andrea pegavam as tabuas no barraco que estão os livros para que pudéssemos apoiar as cartolinas, nós fazíamos estátua. Foi um elemento bem legal para podermos continuar a dinâmica da atividade. Quando todos já estavam sentados nas tabuas, demos o material e eles ficaram muito contentes com a possibilidade de poderem fazer um desenho individual. Achei legal proporcionarmos também esses momentos. Apesar de estarmos lidando sempre com o coletivo, talvez o desenho individual possibilite a criança se apropriar de outro modo de sua produção. Bom, explicamos a proposta (pintar o Paulo Henrique cada um do seu jeito, mas com coerência com o quadro). Só os maiores seguiram a proposta, mas foi uma atividade bem legal. Eles ficaram bem concentrados. A Larissa ia passando com um pote de água para quem queria mudar de cor, a Andrea ajudou os menores a pintarem, cada um ia intervindo como podia. Foi muito importante irmos em 5 para a atividade. Fica muito mais dinâmica a atividade, e as crianças dispersam bem menos. Durante a atividade, li alguns poemas do “Boi, boiada, boiadeiro” da Ruth Rocha e eles reconheceram alguns deles; alegando que já tinham lido.
A mãe de um bebe (esqueci o nome dos dois, alguém me ajuda??) estava lá e pintou conosco. Ela gosta muito de pintar e disse que ia pintar para o filho. Achei engraçado, pois ela se apropriou da folha e disse que faria para ele, sendo que para mim seria muito mais coerente ela pintar junto com o filho para ajudá-lo. Bom, no final, o bebe também ficou com uma folha e um pincel e foi bem legal sua pintura: expressiva, laranja , abstrata! A mãe pintava muito bem, disse para ela da possibilidade dela pintar os poemas dos outros acampados e fazermos um livro!
Rolou um briga feia entre o Richard e o Jonas, a ponto do Jonas chorar muito e xingar feio o Richard. Conversamos com os dois e no final, o Richard chamou o Jonas para pintar. O Richard está em um período em que quer se defender de tudo e não quer deixar nada barato. Outra hora ele tava batendo no Rique (até porque o Rique não é nada inofensivo). A Branca, mãe da Joice, Jonas etc. estava lá toda hora querendo saber da atividade e querendo que seus filhos fizessem tudo certinho. Achei ótimo, pois ela nunca se preocupou muito com isso. Parece uma mãe mais presente.
A atividade rolou bem, e as crianças foram se dispersando conforme iam acabando a sua pintura. No final, quase todas foram embora sem conversarmos ou finalizarmos a atividade todos juntos. Foi bem ruim isso. Acho que temos que pensar melhor em estratégias de começarmos e terminarmos a atividade. Alguma mística, ou musica. Não sei.
Temos mais um problema a ser discutido: como faremos com as pessoas do acampamento que podem continuar a ciranda durante a semana? Não tinha ninguém nesse dia.
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