Fomos para o acampamento Raquel, Pilar, Natasha e Bruninho. Estamos em junho e o frio as nove da manha ainda é grande.
Chegamos e fomos buscar as crianças. Descobrimos que não teria escolinha dominical porque o padre Adão está na ocupação de cima. Acho que ate não se resolver esse problema, não haverá mais a escolhinha dominical.
Conhecemos o Paulo Henrique (filho da Branca). A Joyce estah muito mais feliz agora com a vinda de seu irmão. Veio me contar toda feliz que domingo vai ao posto vaciná-lo. Hoje foi um dia de bastante participação das crianças. Elas estavam felizes também. No total eram cerca de 20 crianças. Primeiro fizemos a roda com as musicas da “abobora” e do “bambu” que aprendemos na formação de educadores. A brincadeira logo se esgotou e começamos a fazer o batizado mineiro transformado: invés de falarmos o nome próprio, falávamos uma semente, planta, arvore arbusto, fruta, flor (etc.) que quiséssemos plantar. Muitos ficam envergonhados e demoravam para fazer o movimento e falar a palavra escolhida. Nessa hora, a pressão do grupo era grande. Para mim é bem claro que as crianças mais velhas têm um desenvolvimento de falar na frente das pessoas bem maior que os pequenos. Não sei exatamente por que.
Bom, como não conseguimos criar um ritmo muito fluido na brincadeira, as crianças se aborreceram e não quiseram fazer mais. Então, propomos o jogo de imitação. Foi interessante, a situação de jogo é realmente imprescindível para se pensar educação infantil. Depois, começamos a brincar de pega-pega corrente. Achei interessante, que não deu muito certo. Os pegadores não conseguiam alcançar as pessoas. Então, mudamos para pega-pega ajuda, e o jogo logo terminava: era bem mais fácil. As crianças adoravam, e nós não acompanhávamos muito (só o Bruninho)...
Havia dois bebes ali: seus irmãos estavam brincando com a gente. E eles (os nenês) não queriam participar, mas sim ficar com seus irmãos. Era complicado, porque eles choravam e não deixavam as crianças brincar. Essa é uma situação bem corrente no acampamento: os irmãos mais velhos (a partir de uns oito anos de idade) cuidam de seus irmãos mais velhos. A Joyce, de 14 anos, é praticamente mãe de seus irmãos. Hoje em dia é muito raro vê-la em nossas atividades: sempre está ajudando a mãe a cuidar das tarefas domesticas.
Bom, depois, lemos o poema do “Chuchu” de Luis Camargo (A Pilar leu muito bem e eu lia a parte do chuchu). Eles gostaram: adoram poesias! Alguns até declamaram algumas que sabiam, ficaram super agitados e empolgados com a situação de falar na frente de todos um poema. Para mim, todas essas situações me indicam claramente que temos que trabalhar mais os jogos teatrais com as crianças. Parece ser uma linguagem muito interessante e fértil para trabalhar os temas de gênero, violência, coletividade, etc., que queremos.
Levamos a caixa de materiais e propomos um desenho e colagem sobre as sementes, plantas etc. que eles gostam. Eles têm muitos problemas em dividir espaço e pedirem as coisas: sempre falam com se estivesse exigindo e brigando. “Me dá a tesoura agora Richard!!!” – em tom de comando. Essa é uma questão que temos que trabalhar arduamente, falando de um em um que é possível se comunicar de outra forma com as pessoas: pedindo tranquilamente. Aos poucos, as crianças vão se adaptando a essa nova maneira de se relacionar e o clima melhora bastante.
Depois, demos tintas para eles, e foi uma bagunça enorme: pintaram as mãos, misturaram as cores etc. foi legal, mas acho que precisamos nos organizar melhor para saber como lidaremos com essas situações: existem muitas crianças de idades diferentes, e as grandes, às vezes, acabam dominando o espaço, complicando o trabalho dos pequenos.
Acabamos a atividade, e a tia do Cleiton chegou com uma doação enorme de livros. Colocamos no barraco das aulas e fomos embora.
MST - 25 anos de luta!!!!
"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor
"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro
Eduardo Galeano – escritor
"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro
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