MST - 25 anos de luta!!!!

"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor


"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro



terça-feira, 28 de abril de 2009

Relato 1ª reunião de discussão do Projeto Político Pedagógico do grupo

Relato 1ª reunião de discussão do Projeto Político Pedagógico do grupo

25/04/2009 - na Granja

Estavam presentes:

grupo das crianças (Gabi, Joãozinho, Bruninho, Andrea, Bia, Pilar, Natasha, Raquel)

grupo das crianças e EJA (Maria Emília e Ana Maria)

EJA: (Tira, João Manoel, Rodrigão, Nara)

Jornal: (Luma, Ana Elisa, Tati)

Oziel: (Érico, Denis, Jéssica, Marília, João Barison)


22 pessoas.

Foram definidos eixos a serem discutidos em grupos menores, com uma pessoa de cada frente, para que a discussão fosse mais produtiva.
Teríamos uma hora para a discussão em grupos menores e uma hora para a sociabilização dessas discussões.

Resolvemos só discutir os dois primeiros eixos nessa reunião, e deixar os dois últimos para discutir numa próxima reunião (PROPOSTA PARA O DIA 30/05)

EIXOS:

1 - Conjuntura
- MST / ponte para discussão mais ampla, nacional / histórico
- relação Universidade / Movimentos Sociais
(por que o MST, por que Educação Popular)

2 - Educação Popular e Organização Popular
- princípios educacionais do MST
- formas de organização

3 - Eixo Metodológico
- princípios pedagógicos
relação com o movimento
integração com a comunidade

4 - Principais problemas

****** o que segue são pontos discutidos por cada grupo e depois socializados, como são pontos pegados por alto no meio da discussão, talvez fique um pouco confuso em algumas partes.

GRUPO 1

Andrea, natasha, Maria Emília, João Manoel, Denis e Marília

1)Conjuntura
a) estudante/universidade
- movimento estudantil enfraquecido
- MST: ligação com movimento popular e político que o movimento estudantil não compreende, através de ações mais concretas
- opção de trabalhar com educação popular é uma opção política
- trabalhar com militantes ou movimento popular organizado
- frustração política com a esquerda brasileira e com a lógica dos partidos
crise neoliberal anterior
e crise da educação atual
- ELs não nos preparam como professores, buscar trabalhar com educação fora da Universidade é tb formativo

b)MST
- relação dos estudantes com o MST
conhecimento das demandas do movimento = educação popular
- discussão pós ocupação
aproximação dos estudantes com movimentos populares MST, MAB, sem teto, fábricas ocupadas
- receptividade do MST
- identidade com o MST
- apoio às práticas do movimento (contestação da propriedade privada)
- MST na esquerda brasileira - representa as demandas de uma nova cultura ´política dos estudantes
MST surgiu na década de 80, junto com vários outros movimentos sociais, e é o único que não debandou para o neoliberalismo


c) histórico Elizabeth
- Campinas
eixo metropolitano - regional MST
- ocupação urbana e articulação sindical - pouca base
Milton Santos 2004
Elizabeth maio/2007 com reocupação em nov/2007
- terra da União 'apropriada' pela prefeitura
- relação entre estudantes e ocupação
- vazio político, trabalho de base por fazer
- esvaziamento de militância política
- oposição interna à militância

d) Conjuntura - Resultado
- educação popular: papel na formação de militância
- surgimento do grupo de militância juvenil
- reaproximação com a militância regional

2) Educação Popular
- ação política
- internalização de uma nova cultura política
- transformar a forma de contrução do conhecimento dentro da Universidade
- repensar o movimento estudantil a partir das práticas de educação popular
- educação popular como maneira específica de inserção num movimento organizado, forma de ação política

GRUPO 2

Nara, Ana Maria, Joãozinho, Luma, Raquel, Érico

- relação com o movimento
muito da nossa contribuição é teórica
demanda do próprio movimento, explicitada pelos militantes, que mostram a necessidade de uma aproximação com as teorias, com a academia.
- por que estudantes saem do movimento estudantil e vão em busca de movimentos sociais?
- necessidade de voltar à Universidade (se é que saímos dela), olhar novamente, aproveitar o que ela pode nos oferecer

- qual é a característica de uma ocupação organizada por um movimento social?
- caráter de uma ocupação no movimento social hoje.

- educação popular: organização horizontal

- necessidade urgente de incorporação de práticas da educação popular no nosso cotidiano de grupo
(nas reuniões, na sociabilização de projetos, problemas, informações)
- educação popular como filosofia de vida

GRUPO 3

Tira, Pilar, Bia, Jéssica e Tati

- perguntas a serem respondidas
quem somos, de onde viemos, para onde vamos, por que começamos, por que o MST, por que educação popular......

- o que significa a Universidade
concepção desenvolvimentista, elitista
pólo tecnológico
- movimentos funcionários, professores e estudantes
corporativismo
demandas amplas, muitas vezes descoladas da realidade mais próxima

- necessidade de romper o isolamento corporativista da Universidade, de aumentar o contato da Universidade com a realidade (intervir de que forma?)
- a Universidade agrega valor, por isso a necessidade de aproximação dos movimentos sociais com a Universidade

- projeto político da Universidade é hegemônico
a configuração política nacional tem sua base em Universidade paulistas
USP: PSDB (FHC)
UNICAMP: PT (Dilma e Mercadante)
grupos intelectualizados pequeno-burgueses

- greve estudantil de 2007
marco
frustração com o movimento estudantil, com a Universidade
vontade de sair, encontrar outros meios de transformação social
o que culmina com o chamado do MST, para a reocupação do Acampamento Elizabeth Teixeira, que permite uma reaproximação do que era o grupo Universidade Popular com o MST

- interesse da Universidade na formação de pesquisadores, não forma bons professores
ELs não capacitam
procurar um tipo de formação que a Universidade não fornece, se aliando a movimento sociais, e estudando educação popular
escola pública, formação de merda
- não queremos reproduzir esse sistema que já sabemos ser falido, por isso educação popular
educandos como sujeitos
formação política
reflexão

- precarização da Universidade
ensino à distância, sucateamento
-viés humanista sendo atropelado pelo viés tecnicista

- isso dentro de um movimento mais amplo de precarização, proletarização da classe média
falta perspectiva
alguns se tornam trabalhadores assalariados sem perspectiv
outros buscam saídas se aliando a movimentos sociais

- procurar o movimento: relação epistemológica

- relação com o MST
o percebemos como possível, como real
acreditamos nele

- tensionamento entre conteúdos a serem aplicados e educação popular
como adequar aulas de química à perspectiva da educação popular
discussão de temas atuais, discussões, filmes....

- problemas para atingir a base
necessidade de formá-la para que não continue no senso comum, para que o assentamento possa dar certo
distanciamento base-militância

GRUPO 4

Ana Elisa, Gabi, Bruninho, Rodrigão, João Barison

- educação como mediação entre trabalhadores organizados e Universidade

- MST
luta pela reforma agrária é potencialmente explosiva, porque mobiliza trabalhadores marginais, uma classe que cresce continuamente
- idéia de o MST garantir subsistência
- não há resposta no urbano, retorno ao campo
- capitalismo no Brasil - fortemente agroexportador
a reforma agrária subverteria essa ordem
- reforma agrária -> foco de toda a esquerda
resposta ao trabalhador miserável

- pauperização da pequena burguesia

- greve de 2007
necessidade de luta junto da classe trabalhadora
movimento estudantil se desloca para os movimentos sociais organizados

- ponto de convergência: LUTA PELA EDUCAÇÃO

- por que MST?

- retornar à Universidade? Como? Com que objetivos?

- Queremos que o grupo se mantenha ligado à Universidade?

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PROPOSTAS

- necessidade de aproximação com outros grupos que trabalham com Educação Popular
realização de um Seminário de Educação Popular!

- dinâmica de grupo
necessidade de estudo em conjunto

- aproveitar iniciativas individuais (pesquisas de alguns)

- como somos muitos, temos muitas mãos para fazer pesquisa de campo
o que seria ótimo

- visitar outros assentamentos

- sociabilizar mais

- Contruir EIV

segunda-feira, 27 de abril de 2009

23/04 - Exibição de filme no Milton Santos

Presentes: João, Poti, Caio, Kanova, Eder, Marcião, Gilmar, Darci, Zé Mário, mais 2 pessoas que não lembro o nome.

Hoje fizemos a primeira exibição. Não conseguimos levar o projetor, e, assim, tivemos que passar na casa do Poti para buscar sua TV e o aparelho de DVD e, por conta disso, chegamos atrasados.

Ainda assim, faltaram algumas coisas para a exibição. Então, antes de começar, fomos à casa do Kanova pegar uma lâmpada, o milho, óleo, sal e uma extensão. Também fomos na casa do Eder pegar o botijão de gás emprestado. Enquanto montávamos a estrutura, fizemos a Pipoca.

Antes de iniciar o filme, Poti fez uma breve apresentação do filme “Encontro com Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá” e da idéia de passarmos esse filme primeiro, de mostrar a todos quem foi Milton Santos, já que o assentamento leva seu nome. Durante a exibição do filme o pessoal ficou bem atento, vez ou outra fazendo algum comentário ou dando risada de alguma coisa.

Terminado o filme iniciamos a discussão, primeiro abrindo o debate com uma explicação de porque estamos ali, o que estamos fazendo, o que fazemos na faculdade, etc. E, depois, já passando a palavra para o pessoal para que eles colocassem o que acharam (comentários) do filme.

Quem iniciou a discussão foi o Marcião, justamente com uma crítica ao filme por ele ser bem abrangente, mostrando muitos aspectos da globalização e exemplificando-os em problemas locais de fora do Brasil, como no caso da Água na Bolívia, ou os problemas das guerras na África, etc. E que, assim, seria mais interessante que os filmes focassem nos problemas do Brasil.

Logo em seguida Eder (que já tinha visto o filme) fez um comentário no sentido oposto, afirmando que era justamente essa a idéia do documentário, de mostrar como os problemas presentes em um país são os mesmos dos outros países explorados do mundo, e esse é o efeito da globalização. Para ele, o filme “como que espreme uma laranja num copo e mostra todo seu caldo, seu suco. Essa laranja é o mundo”.

Com essas intervenções iniciais o debate fluiu bem, ficando, no início, em torno desse tema da globalização, de como os problemas locais só podem ser compreendidos quando olhamos para seu entorno (que, hoje, é o mundo todo). E, diante disso, as saídas que devemos, enquanto povos explorados, propor para esses problemas, deve, também, ser uma saída global, que se aproveite dos pontos positivos dessa globalização (a técnica/tecnologia avançada, a comunicação, os transportes, etc.) para subvertê-la, para fazermos uma outra globalização. Diferente de como ela se apresenta hoje (ideologia), diferente de como ela é hoje (perversa), mas da forma como a queremos, capaz de resolver nossos problemas.

Outros temas que o filme trata foram surgindo no debate. A fome como uma questão de decisão política, uma vez que produzimos e temos capacidade de produzir muito mais alimentos do que precisamos, porém estes alimentos não chegam a quem o necessita por uma questão de decisão, de decisão política. Optamos por utilizar o mercado como meio de distribuição de alimentos, e de todos os outros produtos de nosso trabalho, e, assim, só tem acesso aos produtos quem tiver dinheiro para comprá-los. Não importa se são necessidades vitais ou não. É o caso da alimentação, da água, da saúde, da educação, da moradia e por ai vai. E essas necessidades humanas se já não são tratadas como mercadorias, isto é, compradas por quem tem dinheiro e inacessíveis por quem não tem, tendem a se tornar pela via das privatizações, pela redução do papel social dos Estados.

Desse tema se ligaram muitos outros, como o da divisão social do trabalho, da justiça ou injustiça de uns ganharem mais e outros menos ou nada, do valor das mercadorias (quanto vale um pé de alface? Quanto o agricultor gasta para produzi-lo: insumos, adubo, terra, impostos, horas de trabalho?), do projeto socialista de igualdade social, enfim, uma diversidade enorme de temas. O mais interessante para esse primeiro evento foi perceber que o pessoal do assentamento está bastante disposto a seguir conosco nas exibições de filmes e discussões, faz uma discussão de altíssimo nível, perceptível pela complexidade dos temas abordados, e, essencialmente, partem do concreto para debaterem, isto é, todas as suas intervenções e comentários, dúvidas e questionamentos, são reflexões da realidade que vivem ali, de um assentamento rural complexo, com relações sociais específicas (coletividade x individualismo), com dificuldades imensas, que vão desde pequenos problemas, de solo, de chuva, de falta de verbas, de problemas individuais, competição, inveja, até problemas mais profundos, causadores de muitos outros, como a ideologia imposta via mídia, o completo abandono do Estado, etc.

Fica para nós a necessidade de aprofundar melhor nossa metodologia. O que queremos abordar em cada encontro? Como faremos isso de maneira pedagógica? Creio que seja necessário delimitar melhor os temas, para que não façamos tanto uma chuva de idéias e debates a cada filme apresentado, mas sim uma discussão mais aprofundada de cada tema específico. E também creio que precisamos melhorar nossa metodologia de educação popular. Não basta darmos resposta a todos os questionamentos. É necessário desenvolver um raciocínio coletivo, para que todos construam, conjuntamente, o pensamento, a resposta aos questionamentos. Nosso papel nisso não é o de dar as respostas, uma vez que não somos nenhum ser iluminado, detentor dos conhecimentos e respostas aos problemas. Nosso papel é intervir na discussão, colocar questões que nos ajude a formular em conjunto nossas respostas.

Relato sobre o projeto de formação no Assentamento Milton Santos (MST) – Americana/Cosmópolis – 23 de abril de 2009

Na semana passada, em 16/04, havíamos ido ao Assentamento respeitando nosso calendário de atividades (em anexo) que previa aquele dia como o primeiro dia de exibição/discussão de produções audiovisuais. Nosso projeto já vem sendo amadurecido desde 05 de março, quando confirmamos, eu (Potiguara), o Caio e o João, nosso campo de estágio a partir da possibilidade de se trabalhar com educação não-formal, possibilidade esta aberta pela professora Dirce Zan, professora da disciplina de Licenciatura que estamos cursando nesse primeiro semestre de 2009.

De lá para cá fomos três vezes ao Assentamento. Na primeira vez que estivemos lá, em 10 de março, construímos nossa proposta de trabalho junto aos militantes e à instância organizativa do Assentamento, que é a reunião da coordenação. Esta reunião conta com a participação de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e com coordenadores-representantes dos núcleos de famílias do Assentamento. Nessa primeira apresentação de nossa proposta para o Assentamento, pudemos conhecer um pouco melhor sua estrutura de organização política e tivemos sugestões valiosas por parte dos militantes no sentido de fortalecer e lapidar nossa proposta. A partir dessas sugestões, definimos que nosso “curso de formação” teria três módulos e também passamos a ficar mais atentos às dificuldades relativas à estrutura para a realização que, se não sanadas, podem dificultar ou mesmo impossibilitar a realização do curso.

Até por conta da preocupação com a estrutura de funcionamento do projeto, estivemos novamente no Assentamento em 06 de abril para limparmos e organizarmos o espaço coletivo que nos foi cedido para a realização de nossas atividades. Contamos com a ajuda mais uma vez de nosso companheiro Kanova, que faz parte da organização (setor) de juventude do Assentamento. Tornamos o espaço de uns 30m2 receptível às nossas atividades jogando entulhos fora do cômodo, varrendo (embora o chão de terra batida esteja sempre “sujo”) e empilhando as mangueiras plásticas, que dispusemos em rolos, no fundo da sala. Dessa forma abrimos mais espaço próximo à pia e aos fogões que ficam na frente do cômodo (figura em anexo). É nesse espaço vazio que pretendemos realizar nossas atividades.

Na semana passada (16/04) conseguimos até um projetor, mas dada a ausência de divulgação da atividade por conta de desencontros na comunicação com os nossos contatos e com a coordenação do Assentamento, resolvemos apenas testar os equipamentos e deixar combinado as próximas exibições/discussões ou simplesmente “formações”, como sugerido por militantes do Movimento.

Foi hoje que iniciamos a formação propriamente dita. Chegamos às 18h55 ao Assentamento, mas foi preciso acertar alguns problemas de estrutura antes da exibição, a começar pela obtenção de uma lâmpada para poder iluminar o espaço para montarmos os equipamentos (essa semana trabalhamos com vídeo e TV pois não foi possível providenciar o projetor). O nosso companheiro Kanova nos providenciou a lâmpada; fomos eu e ele ao seu barraco, enquanto o Caio e o João descarregavam (no escuro com a ajuda da luz do celular) os aparelhos do carro. Quando voltamos, iluminamos a sala e começamos a instalar os equipamento, demos falta de uma extensão para ligar os aparelhos. Novamente o Kanova foi a sua casa, agora com a companhia do João.

O barraco em que mora com o pai fica a uns 200 metros do espaço onde estamos realizando as atividades. Esse cômodo que nos foi cedido funciona como cozinha coletiva e armazena mangueiras de irrigação, alguns livros e apostilas dispostos em uma prateleira, além de duas portas e dois sacos de cimento que serão usados na construção dos banheiros no barracão. Esse barracão fica logo ao lado do cômodo onde estamos desenvolvendo nossos trabalhos. É uma construção maior, com contra-piso, que serve tanto para reuniões do Assentamento quanto para cultos ecumênicos e seu pequeno palco talvez possa um dia servir para apresentações musicais e teatrais. Esse barracão é uma construção de alvenaria de ....X....metros e que tem um pé direito alto, de uns 5 metros. Logo ao lado do Barracão está o campo de futebol do Assentamento. Em frente ao cômodo em que passamos o vídeo tem um abrigo de uns 25m2, com uma cobertura de telhas, em que eram realizadas as reuniões do Assentamento antes da construção do Barracão maior. Ao lado desse abrigo está cavado o posso artesiano do Assentamento e sua bomba. O conjunto dessas estruturas formam a área social do Assentamento.

Enquanto o João e o Kanova foram pegar a extensão eu aproveitei e fui com o Éder no barraco dele, o mais próximo da área social, pegar o botijão de gás emprestado para que pudéssemos estourar as pipocas que trouxemos.

Por fim, depois de instalarmos os equipamentos, acertarmos as cadeiras e mesas onde nos acomodamos, estourarmos as pipocas e servirmos os refrigerantes para todos os presentes (Eu, João, Caio, Kanova, Eder, Marcião, Darci – Alemão, Zé Mário e dois meninos dos quais não sei o nome), começamos a exibição do vídeo umas oito e pouco. Passados os 75 minutos do filme, demos início à discussão, estendendo-a até 23:15.

A avaliação que fizemos na volta para Barão Geraldo foi positiva. A atividade cumpriu seu objetivo central de fomentar uma boa discussão. Essa discussão passou por diversos temas (tal qual o filme, como bem lembrou o João) que tentarei elencar a seguir:

- Colonialismo

- Exploração

- Mídia

- Uma possível “Lei da Igualdade”

- O papel do projeto de formação que estamos propondo para o Assentamento

- As dificuldades de organização política no Assentamento (o problema da desunião) e em toda a sociedade (outros movimentos sociais como o estudantil e o sindical)

- As dificuldades dos pequenos agricultores em produzirem e comercializarem (o papel positivo ou negativo do atravessador)

- A divisão social do trabalho em que um, necessariamente, depende do outro

- O papel do Estado na promoção da Reforma Agrária

- A confusão e contraposição entre “direitos” e “privilégios”, a partir da discussão de cidadania esboçada em um discurso de Milton Santos presente no filme

- A internacionalização dos ataques às condições de vida da população no lastro da discussão de globalização, central no filme e no pensamento de Milton Santos

- A necessidade de internacionalização da resistência a esses ataques por parte da classe trabalhadora, lembrando que fenômenos como a superexploração da mão de obra na China que repercute no rebaixamento das condições de vida dos trabalhadores no mundo inteiro

- A decisão política pela fome existente em nossa sociedade

- A posse do dinheiro como demarcador de valor dos seres humanos

- A estratégia da burguesia em colocar os trabalhadores contra os próprios trabalhadores, como no caso dos inúmeros ataques ideológicos desferidos contra o MST que repercutem na propagação do preconceito em relação ao Movimento no interior da própria classe trabalhadora

- A heterogeneidade existente no interior da própria classe trabalhadora (em que há trabalhadores menos pobres), que embora apontem diferenças não a descaracterizam enquanto classe (que vive da venda ou da tentativa de venda de sua força de trabalho)

- A necessidade (inegociável) de que a organização da sociedade garanta alimentação, moradia e trabalho para todos

- A necessidade de que em um momento de transformações políticas profundas rumo ao comunismo, o Estado deixe de punir e reprimir aqueles que produzem, como acontece hoje e passe a fazê-lo em relação aos que não produzem (Ditadura do Proletariado), até que as classes e o Estado sejam suprimidos e a questão da divisão entre quem produz e quem não produz se torne uma falsa polêmica

- A possibilidade de superação da sociedade em que vivemos, sociedade capitalista

- A distinção da ética da burguesia, inscrita na ideologia burguesa e a ética dos trabalhadores e a impossibilidade de a primeira ser universal, embora se proponha como tal

- A possibilidade que se abre para alguém que vê o filme pensar na Revolução

- A produção e realização do valor (acompanhando a discussão de produção e escoamento ou circulação)

- A importância da compreensão de trabalho abstrato, que abre a possibilidade de “igualarmos” e organizar os diversos trabalhos sociais (pois como já dito, um depende do outro)

- A universalização do conhecimento e das inovações tecnológicas como patrimônio da humanidade e não como fruto da inteligência de alguns indivíduos (o que pode ser demonstrado quando pensamos nos conhecimentos necessários para construir uma casa, como a que estávamos e na “milenariedade” desses conhecimentos

- A possibilidade de o avanço técnico favorecer o bem-estar humano (mas praticamente não entramos nessa discussão. Fizemos essa discussão entre nós três no caminho de volta)

- Junto à questão do preconceito em relação ao MST discutimos a questão da perseguição política às tentativas de organização do Movimento como no caso das escolas itinerantes ameaçadas de interdição no Sul do país (e que chegaram a ser proibidas, prejudicando sobremaneira as crianças em idade escolar e consequentemente suas famílias)

- A competição estimulada no interior da classe trabalhadora que introjeta elementos subjetivos nos próprios trabalhadores de desconfiança em relação aos irmãos de classe (como nas proposições que refutam a idéia de igualdade a partir do pressuposto de que grande parte dos trabalhadores almejam “se encostar”, se aproveitando dos que são inteligentes e esforçados

- A construção social de indivíduos inteligentes e esforçados. Um estudante da Unicamp é mais “inteligente” que um trabalhador rural por que?

- A fragilidade das leis burguesas que reiteradamente tem que negar aqueles seus conteúdos mais progressistas. Em relação a isso podemos discutir sobre o que precede o que: se as leis precedem as relações de produção ou estas precedem aquelas?

Sugerimos ao final da atividade que aqueles que quisessem poderiam escrever textos a respeito da discussão e que gostaríamos de recebê-los.

O Éder novamente sugeriu que conhecêssemos o filme “Cabra Cega” e nos emprestou um livro seu chamado “A hora obscura/testemunhos da repressão política” para que conhecêssemos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aula EJA, 17 de abril, sexta-feira

[escrito por João Magalhães]

Sexta, por causa do ato, atrasaram muito pra aula; decidimos - Cida, eu e Rodrigão - cancelar a aula.

Aula EJA 16 de abril, quinta-feira

[escrito por João Magalhães]

Na aula de quinta-feira estavam presentes: Cida, Luzia, Tuízo, Gláucia, João, Tamires e Rodrigão.

Começamos tocando a música Admirável Gado Novo (Vida de Gado) do Zé Ramalho.

Vocês que fazem parte dessa massa,
Que passa nos projetos, do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais, do que receber.
E ter que demonstrar, sua coragem
A margem do que possa aparecer.
E ver que toda essa, engrenagem
Já sente a ferrugem, lhe comer.

Eh, ôô, vida de gadoPovo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gadoPovo marcado, ê
Povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou.

Eh, ôô, vida de gadoPovo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gadoPovo marcado, ê
Povo feliz

O povo, foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores, tempos idos
Contemplam essa vida, com a cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo, se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

Fizemos interpretação dos versos da primeira estrofe interpretando-as. Luzia e Cida estão lendo muito bem e interpretaram os versos. Tuízo ainda tem dificuldades na leitura, mas já está entendendo muitas coisas; nota-se o progresso e o esforço dele em relação às aulas. A Gláucia também particpou da aula, mas não fizemos atividade em separado com ela. Continuaremos a aula de quinta terminando a música e as leituras - relacionando com o tema "Violência".

Rodrigão pode complementar com os debates políticos que foram feitos nesse dia.

Na aula de quinta que vem vamos também ver vários problemas levantados na primeira estrofe.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Aula EJA - 15 de abril, quarta-feira

Aula de 15 de abril

educadores: Tira, Kena, Alex, Clayton, Tamires, Ana Maria, Claudinha

educandas: Elza, Valtuízo, Aparecida, Cida, Gláucia, Luzia, Alessandra

Clayton começou dando aula. Terminou as palavras FALAR, VOCÊ, SUSPIRAR. Se complicou um pouco quando falou das rimas e do assento como um som diferente.
Os educadores pareceram estar desinteressados.
Clayton fez uma rodada com os educandos que não queriam dizer nenhuma palavra.

Ao término da parte do Cleiton, Tiradentes inicia com uma rodada de perguntas para cada educando:
Você trabalha mais em casa ou na roça?
O quê é que você mais precisa para trabalhar na roça?
O quê é indispensável na roça?
Quem perdeu o instrumento de trabalho no dia que a polícia invadiu?
Como você conseguiu o instrumentos de trabalho?
Loja, auto-produção, ganhou?
Daí as pessoas foram citando algumas ferramentas de trabalho.
Cada palavra era escrita na lousa.
Foram citadas as seguintes palavras: ENXADA, FACÃO, ENXADÃO, ESTROVENGA (rolou uma discussão sobre a forma e o uso da ESTROVENGA), MACHADO, MÃOS, ÁGUA.

Pedíamos aos educandos, principalmente Waltuízo, para ler as letras em voz alta, tampando o resto da frase com uma folha.
Kena lembrou que na pronúncia do alfabeto nordestino (alagoano????) a letra L se fala “LÊ”, donde Tiradentes concluiu que estava atropelando a interpretação do Waltuízo.
É necessário enfatizar que o som e a escrita se relacionam, mas a escrita formal é uma convenção social que tentamos ensinar. POr que? POrque os educanos precisam ler o mundo do entorno...

Também numeramos as partes/pedaços (sílabas) das palavras.
Por exemplo: ENXADÂO (EN=1, XA=2, DÂO=3).
Também coloquei ENXADA e ENXADÃO uma embaixo da outra, para que facilitasse a comparação dos símbolos pelos próprios educandos.
Colocamos CHÁ embaixo do XA da ENXADA.
Comparamos som e escrita.
Waltuízo falou que sabia fazer qualquer ferramenta, até calibre 12, armadilha, bomba, etc. Perguntei se ele já tinha trabalhado como FERREIRO. Falou que sim. Escrevi FERRO e FERREIRO na lousa. Uma palavra vem da outra.

Ana Maria terminou lembrando do ditado popular: “Em casa de ferreiro o espeto é de pau”. Buscamos explicar o sentido da frase, que podemos retomar em outra aula.

[escrito por Tira]

Aula EJA - 14 de abril, terça-feira

Aula de 14 de abril

educadores: Clayton, Alessandra e Bruna... Nara e Tiradentes

educandos: Leonor, Cida, Aparecida, Elza, Luzia, Glaúcia, Valtuízo, Alessandra

A idéia da aula, proposta pelo próprio Clayton era a RIMA (palavras cujo som seja parecido).
Clayton leu em voz alta o poema do Mário Lago.
Selecionou uma estrofe. Nara explicou o que era estrofe.
Pegou algumas palavras da estrofe e colocou na Lousa: AMADA, FALAR, VOCÊ, SUSPIRAR

Cada palavra serviu para que fossem propostas palavras que rimassem.
Perguntou aos educandos quais as rimas possíveis.
Clayton não buscou trabalhar os significados mas apenas o som das RIMAS...

A aula funcionou bem até o momento da proposta de rima ARREPIADA e PAULADA com AMADA, em que educadores ficaram constrangidos e alguns educandos riram da piada machista surgida da boca da Alessandra: “ A Mulher AMADA/ se tornou CASADA/depois ARREPIADA de tanta PAULADA...”
O quê fazer? Como cortar isso? questões que surgem...

A aula acabou na palavra AMADA. Nara conversou com as meninas educadoras do Elisabete sobre alguns problemas. Tiradentes sugeriu para o Clayton trabalhar melhor o significado das palavras. Isso foi o assunto da reunião do grupo do EJA...

[escrito por Tiradentes]