MST - 25 anos de luta!!!!

"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor


"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Encontro regional dos sem-terrinha - 27 de setembro de 2009

Encontro regional dos sem terrinha 27/09/2009
No Assentamento Milton Santos
Planejamento

MANHÃ


Quando as crianças forem chegando vamos dar a elas crachás com seus nomes e idade, preenchendo ao mesmo tempo uma lista com o nome e idade de todas para nosso controle e melhor organização das atividades.
Para isso precisaremos de papel cartão colorido, caneta esferográfica, furador de papel.

MÍSTICA
-importância de trazer elementos que são parte dos encontros do MST para o encontro regional, como a mística, a produção de um painel coletivo....
-pensamos em cantar a música do "arroz deu cacho e o feijão florio...", tentei achar na internet a letra e as cifras, mas não consegui..talvez tenha no youtube. A idéia e que alguém do grupo acompanhasse no violão e outros instrumentos.
-e se alguém tivesse alguma idéia de um poema de luta mas infantil seria legal ler tb.

BATIZADO MINEIRO
- Faríamos o batizado tradicional para que todos se conhecessem, dos tres acampamentos. e depois algumas brincadeiras de roda como:
viuvinha
rosa juvenil
bamboo
andar de trem
elefante
historia da serpente
corre cotia
bom dia boa tarde
.....


MOMENTO DA LEITURA
Pensamos em ler o livro "O que os olhos não vêem" da Ruth Rocha,q ue fala da revolução através de metáforas

CONSTRUÇÃO DA CARTA DE REINVINDICAÇÕES
- a Claudinha vai conversar cm elas sobre o encontro estadual e depo9s disso vamos propor a brincadeira da Cesta da Memória: a idéia é apresentar a todos o João e a Maria e contar que eles trouxeram uma cesta cheia de objetos que fazem parte da historia deles, objetos que o João trouxe de minas e dos acampamentos/assentamentos que morou e a Maria idem. A idéia é descobrirmos qual a historia dos bonecos a partir dos objetos.
- Bom a idéia dessa brincadeira é reconstituir a vida das próprias crianças, suas rotinas e ambientes e a partir disso tirar as reivindicações delas.
- a cesta conteria:

cana
semente
lona
brinquedos
livros
cadernos
flores
chita
milho
mandioca
desenhos de criança
colher de pau
enxada
lenha
panela
........

ALMOÇO

TARDE

Pintura de um painel de tecido

A idéia é dividir em sub-grupos de acordo com a idade e pintar um tecido de 1m por 1m. Propondo que elas desenhem elementos que fazem parte da vida delas, de suas rotinas, sempre questionando elas, e levando elementos como: como é sua casa? vc tem horta?: gostaria de ter? que comida vc come? tem água limpa? como é a escola? como são os coleguinhas da escola?.....
Para essa atividade vamos precisar de tinta, tecido, pincel, jornal e alfinete.

Depois da produção do painel a idéia é fazer um jogo de batatquente, e quem for queimado tem que falar alguma coisa que gostaria que mudasse em suas vidas....sei laalgo do tipo.
Para essa atividade precisamos de uma bola.
Ainda precisamos pensar em uma mistica para o final e a participação de algum grupo de teatro, musica ou capoeira.

IMPORTANTE!!!!!!! Precisamos do maior número de cirandeiros para que o encontro corra legal e de tudo certo!!!! Só um carro seria um numero muito pequeno...

Relato da Liliane


ENCONTRO REGIONAL DOS SEM TERRINHA

Acampamentos/assentamento presentes: Elizabeth Teixeira, Roseli Nunes e Milton Santos.
Cidades de Limeira e Americana
Participantes do grupo da ciranda: Liliane, Miri, Bruninho, Bia, Pilar, Gabi, Ana, Kena e Dani.


Chegamos ao assentamento Milton Santos, mais ou menos, às 9 horas. As crianças do acampamento Elisabeth Teixeira, que vieram em um ônibus, já estavam lá. Acredito (pois foi a primeira vez que as vi), que parte das crianças do Milton Santos já estavam nas proximidades do barracão e as do acampamento (?) Roseli Nunes chegaram de carro um pouco depois.
Assim que chegamos, as crianças do Elisabeth Teixeira vieram nos cumprimentar, eu, que nunca as tinha visto, recebi calorosos abraços de boas vindas. Claro, ficou explicito que elas reconheciam a chegada do grupo da ciranda, certamente, muito importante para elas.
Começamos a ajeitar os materiais que levamos, quando, a “missa chegou”. Um grupo da igreja católica, que provavelmente já realiza as celebrações no local, começou a organizar o espaço do barracão maior. Neste intervalo e por não desejarmos participar da missa, fomos para o barracão menor e começamos a cantar e brincar em roda. Todos estavam bastante animados, embora bastante dispersos, as crianças se revezavam na participação deste primeiro momento, enquanto aguardávamos o café.
O café logo chegou e todos comeram bastante. O grupo da igreja também ofereceu pão com refrigerante. Foi a maior comilança.
Depois de fartos, fomos ao barracão maior e começamos a organização para a mística. Fizemos uma grande roda. Neste momento acredito que estávamos, no total, em 45 crianças e 14 adultos (nós do grupo da ciranda, Cláudia(?), Jussara (?) e mais dois adultos do Roseli Nunes), sem contar os “observadores” que, de certa forma, colaboraram na organização. O Richard (?) do Elisabeth Teixeira foi convidado a ler o poema dos vinte e cinco anos do MST. Com dificuldade e ajudado pela Cláudia, ele leu alto o poema todo. Depois cantamos a música “feijão florio”, tocada por Mateus, cantamos também frases de luta do MST e fizemos o batizado mineiro, que foi para mim que não conhecia a brincadeira, especialmente divertido. Após a mística, a Cláudia explicou a todos como está a organização do encontro estadual dos Sem Terrinha e o que será necessário fazer e levar para que todos possam participar.
Cabe ressaltar que as crianças, em alguns momentos, estavam bastante espalhadas, o que dificultou o encaminhamento de algumas atividades, no entanto, mesmo que esta dispersão tenha atrapalhado um pouco, todos colaboraram muito, contando também que alguns não se conheciam e outros estavam em um espaço “desconhecido”.
Com o término da fala de Cláudia, recebemos a “tia véia”, que já passou por muitos acampamentos e trouxe muitas coisas em sua cesta, que já não lembra mais o porquê estão ali. Incorporada por Miri, a “tia véia” tentou ajudar os Sem Terrinha a relatarem seus cotidianos no acampamento/assentamento e suas expectativas em relação a eles. Percebi que uma “tia véia” e uma cesta foram insuficientes para todos, muitos foram fazer outra coisa no momento desta atividade, embora outros tenham participado ativamente ajudando a memória da tia e disputando o que saia da cesta dela.
Depois que a “tia véia” terminou, iniciamos outras brincadeiras e cantorias: pula corda, imitação e outras. As crianças ficaram bastante animadas e às vezes se atropelavam, principalmente os grandes com os pequenos. Dani e Bia, no meio da brincadeira de corda, se não me engano, separaram os menores e levaram para o outro barracão para desenhar.
Quando algumas crianças se cansaram e pararam de brincar e todos já estavam aguardando o almoço, vi que uma das crianças chamou as outras para brincar de “vivo/morto ou geleinha”, sem a indicação ou orientação dos adultos presentes. Interessante como se relacionam entre elas, com bastante autonomia em relação aos adultos e as maiores cuidando das menores. Também neste momento, nós, do grupo da ciranda, começamos a cortar as caixas de papelão para fazer fantasias de boi para as crianças, elas nos ajudaram pintando com guache as caixas.
O almoço chegou e novamente todos nós comemos, dividindo pratos, vasilhas, garfos, colheres e copos. Após o almoço um dos moradores instalou uma TV, DVD e uma caixa de som, para a oficina de Break.. Quando a TV foi ligada e colocaram um filme, que não me lembro qual era e se era um filme, as crianças foram gradativamente se ajeitando em frente a ela, incrível o poder da televisão (que medo!) e assim ficaram até que colocaram um DVD feito pela Jussara (?) sobre os Sem Terrinha. Antes do término do DVD dos Sem Terrinha, Pilar “parou” a TV para darmos continuidade as atividades.
O grupo Nação Break, que chegou ao assentamento um pouco antes do almoço, iniciou as atividades mais ou menos às 14 horas. Sob a orientação de Fubá, as crianças pouco a pouco foram aderindo a oficina e entraram no “clima” hip hop. Primeiro teve uma apresentação do grupo e um segundo batizado mineiro, depois eles dividiram as crianças por idade, um grupo com menores de oito anos e um outro com maiores de oito. O grupo dos menores aprendeu uns passos de dança e depois desenharam os maiores dançando. Já o grupo dos maiores esteve empenhado em aprender passos mais articulados. Desfeito os grupos, todos se juntaram para uma roda de Break, Matheus do Elisabeth e a Ana da dança, junto aos meninos do Nação Break, deram um show na roda.
Por fim, a apresentação do Nação Break foi um espetáculo a parte, todos nós deliramos com as acrobacias corporais.. Crianças e adultos olhavam atentas os meninos dançarem e se equilibrarem nas mãos. Neste momento o barracão maior esteve rodeado por muitos moradores do assentamento.
Terminada a apresentação do grupo, nós iniciamos a confecção da “faixa” para o encontro estadual. Foi difícil conseguir a concentração das crianças no tema da pintura das faixas, claro que elas se animaram em pegar os pincéis e pintar o tecido, mas como estavam muito eufóricas com a recente oficina de Break, foi necessário insistir bastante no tema, no que elas pensavam para o assentamento/acampamento onde moram, quais suas reivindicações. No fim, todos desenharam um pouco de suas vidas e expectativas. O grupo no qual fiquei desenhou bandeiras, horta, casas, rio, moto, bicicleta, um moinho, etc.
Por fim, uma grande mesa com um bolo enorme foi organizada para o final do encontro. Os painéis pintados, que formarão a faixa, foram apresentados, cada um com diferentes desenhos. Todos aqueles que participaram da organização do encontro foram saudados e o bolo cortado. Neste final as pessoas ficaram conversando entre si até as crianças do Elisabeth se encaminharem para o ônibus e as demais para suas casas, enquanto outras pessoas terminavam de organizar o barracão e a cozinha.
Fomos embora do assentamento Milton Santos mais ou menos as 17:45 horas. Particularmente, uma linda experiência. Obrigada a todos os presentes.
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Se alguém puder relatar o movimento da cozinha será ótimo, pois foi uma organização “a parte” e muito boa, da qual não participei.
Tenho muitas questões em relação a história dos acampamentos/assentamentos, não tive oportunidade de perguntar, por exemplo, se o pessoal do Roseli Nunes está junto ao Milton Santos. Também não conhecia as crianças, o que dificultou bastante a percepção delas. Tentei arriscar alguns nomes, como puderam perceber, vejam se está correto. Talvez tenha confundido a ordem das coisas, foram muitas e novidades para mim.

Contribuição da Pilar
Quanto ao Roseli Nunes, o pessoal veio de uma ocupação recente que aconteceu em Valinhos; com a desocupação eles vieram se alojar nas proximadades do Milton Santos. Eles compõe um acampamento em teoria autônomo ao Milton Santos. Estão todos juntos, com seus barracos, numa pequena area, no interior da area do Milton Santos.

Isso aconteceu em certa época no Elizabeth também, vieram pessoas que compunham o Acampamento Che Guevara para a area do Elizabeth quando eles sofreram uma desocupação em São Paulo.
Como o Elizabeth também era um acampamento e estava em processo de legalização da area, o Che e o Elizabeth se integraram e lutam pela area juntos agora.

Contribuição da Bia
Bom, vou falar um pouquinho só da cozinha, porque eu o Bruninho, fomos forçados a abandoná-la!!!!!!!
Eu e o Bruno (coitado) ficamos com a missão de limpar e cortar os frangos! A D. Maria, mãe da Telma fez o café. O pão foi feito no "Elisabeth", que aliás estava uma delícia, e o bolo foi feito no "Milton Santos". As verduras (couve, cheiro verde e o alho) e também a cenoura foram colhidos lá mesmo no Milton Santos, o cheiro estava maravilhoso! A Telama, D. Maria, a Clarisse e as filhas da Telma se incunbiram do almoço... foi tudo feito com muito carinho para as crianças... bom, foi um pouquinho que deu pra perceber enquanto eu e Bruno cortávamos o pescoço do frango!!!!!!!
OBS: As crianças gostaram muito do João e da Maria, a ponto de degolarem a cabeça da boneca...rsrsrs...
Contribuição da Maria Emília
Muito bom os relatos!
Bom, eu queria deixar minha leve impressão e acho legal se todos fizerem assim, pra gente poder indentificar os problemas da escola e outros.
Eu achei que as crianças estavam mto dispersas, elas n paravam nunca, como a Bia comentou no carro na volta, as crianças do Milton Santos não estão acostumadas a sentar e ouvir. Teve algumas horas que foram bem difíceis de conversar, a Claudinha teve que gritar, o Fubá, do Break teve mta dificuldade pra falar também.
As brincadeiras também parecem que foram ''poucas'', as crianças logo queriam fazer outras coisas, como brincar com os brinquedos da cesta, que eram inicialmente só para serem mostrados. Acho que devemos pensar em mais mil brincadeiras pra próxima vez hehehe.
As crianças falaram da escola coisas como ''a professoara é chata'', ''é legal andar de ônibus'' (porque elas bagunçam no ônibus heheh) mas na hora da pintura acho que surgiram mais coisas.
na cozinha à tarde foi tudo bem, a gente cortou laranja pro suco, deu tudo certo em termos de estrutura, só faltou o pessoa do M. Santos arrumar o banheiro, mas não faltou nada. Só achei ruim que tinha um assentado, o Lió, que ficou brincando o tempo todo e não ajudou em nada na cozinha. Eu tive que pedir ajuda pra ele fazer alguma coisa.
O break foi demais! de muita qualidade! tinha uma coreografia e tal! e o fubá dá mto certo com criança, pq ele faz brincadeiras td hora.
A eu falei com um dos meninos do break que ele salvaram a tarde, dai ele falou assim que é a gente que salva o mundo com nosso trabalho, que ele admira mto =´)
bom, é isso. Bjos

Ciranda - 19 de setembro de 2009

19/09/2009
Planejamento
TEMA: a criança sem-terrinha



Festa de apresentação dos novos sem-terrinha
Circuito de brincadeiras que seriam como uma mística de conhecimento e adaptação dos sem-terrinhas ao acampamento:
Mata - barata: os novos sem-terrinha morrem de medo de baratas, precisamos furar todos os balões presos nas pernas das pessoas ( baratas)

Corrida do saco: temos que levar as mandiocas plantas para a casa dos sem-terrinha
Carrinho de mão: Quem tem carro? vamos andar todos de carrinho de mão igual aos novos sem-terrinha
Corrida do ovo: a galinha deles pos muitos ovos, temos que ajuda-los a levar os ovos do galinheiro para casa, carregando na colher e sem derrubar.

Materiais:
bexiga
pipoca, 3 pacotes
ovo cozido, uma caixa
colheres
copos
guardanapo
água para lavar as mãos em garrafas de plástico: musica do ‘ra tim bum’
sacos de estopa
suco de pó
bolo - na
sacos de lixo - na
óleo
sal
agua mineral
bacia para pipoca

Relato da Gabi

Fomos para o Elizabeth 12:30 do dia 19/09, eu (Gabi), Natasha, Bruno, Pilar e Ana Maria ( da dança). Chegamos lá e nos dividimos, a Pilar e o Bruno foram fazer os corres de estourar a pipoca e fazer o suco, eu e Ana Maria fomos nos barracos chamar as crianças e a Na e a Alexandra foram nos lotes buscar o resto.
Reunimos no total umas 20 crianças e vou dizer que o número de 5 cirandeiros da Unicamp mais a Alexandra, a Branca e o Ismael (marido da branca) foi uma numero muito bom, apesar de que mais a branca participou das brincadeiras e a Alexandra ajudou a cuidar mais das crianças e o Ismael ficava incentivando os filhos dele a participarem de tudo.
Enquanto eu e a Ana Maria esperávamos o resto das crianças no barracão fomos conversando sobre a atividade do dia relembrando a atividade da semana anterior e brincando de roda. Deu pra notar como o Junior é um cirandeiro e super puxa as brincadeiras e a atenção das outras crianças, e ele tem só dez anos.
A Pilar chegou com as outras crianças e brincamos de pega-pega da lua ( aquele que só podemos correr imitando coisas), depois de "lencinho branco", corre cutia, adoleta e a Natasha chegou com as outras crianças, dos lotes.
Fizemos o batizado mineiro porém antes conversamos com elas pra relembrarem quem era o João e a Maria e como eles eram, e propusemos um o batizado mineiro pensando em coisas que eles gostavam e faziam, e elas enfatizaram q o J e a M deveriam estar na roda, e as apresentações foram:

O João gosta de brincar
O João e Maria são lutadores
A Maria gosta de pipoca
O J gosta de jogar video game
A Maria gosta de chupar pirulito
O J e a M gostam de dançar
A M gosta de boneca
O J e a M moram aqui em Limeira
O J e a M gostam de pular
O J e a M gostam de brincar
A M gosta de lavar roupa
O J também ( o bruno que disse)
O J veio de Minas ( não foi eu nem a pilar que dissemos heheh)
A M veio da Bahia
O J e a M são sem-terrinhas
O J solta pipa
O J joga vôlei
A M gosta de varrer a casa
O J adora cozinhar
O J e a M gostam de nadar ( a na e o bruno tb)
O J gosta de jogar bola ( disseram isso 3 vezes)
O J gosta de trabalhar
O J gosta de jogar burquinha( não faço idéia do que isso e esqueci de pergunta pra eles o que era)
O J e a M gostam de se esconder
O J é boxeador
O J e a M gostam de passear
O J e a M são ciclistas
O J gosta de dançar
A M gosta de comer fruta
O J e a M gostam de pescar
A M gosta de andar de bicicleta
O J e a M não vêem tv
O J e a M gostam de brincar na terra.

Foi bem legal o batizado mineiro pq ate as crianças que geralmente são mais timidas participaram e foram no centro das roda falar alguma coisa e inclusive o Rique e a Juju. Depois do batizado mineiro a Pilar leu pra elas " Bruxa, bruxa venha a minha festa" e elas estavam super concentradas, inclusive os pequenos, menos o Daniel e o Richard que ficaram cutucando o Matheus pequenino o tempo todo.
Depois da leitura nós falamos pra elas que pra ajudar o João e a Maria a serem parte do acampamento , ou seja, os novos sem-terrinhas eles iam ter que ajudar os dois em diversas tarefas:

Primeiro tínhamos que matar todas as baratas pq os dois não gostavam nenhum pouco de baratas e então amarramos os barbantes com bexigas na perna de todos inclusive nossas e dos adultos do acampamento, chamamos as bexigas o tempo todo de baratas e inclusive eles entraram totalmente no clima. combinamos que não podiam pisar no pé do outro e depois de matar todas as baratas tínhamos que recolher os restos delas. Eu acho q funcionou super bem a brincadeira e todo mundo se divertiu bastante.
A próxima tarefa era ajudar o J e a M a levar as mandiocas da plantação para serem cozidas e que todos tinham que chegar na linha de chegada juntos para que a mandioca de ninguém estragasse ou fosse desperdiçada no meio do caminho ahh e para que todo mundo pudesse comer depois. Rolou legal essa atividade de corrida de saco tb e os pequenos tb adoraram, as crianças insistiram em repetir ai propusemos que todos teriam que correr de braço dados em fila e foi bem mais legal.
a próxima tarefa era levar os ovos do galinheiro do J e da M para a cozinha, e todos carregaram os ovos na colher na boca e a maioria sem derrubar.
* Durante essas brincadeiras o Ismael e a branca ficaram super empolgados, a branca participou de todas e o Ismael ficava super incentivando os filhos a fazerem tudo e elogiando eles.
Ea ultima tarefa era ajudar o J e a M a andarem pelo acampamento de carrinho de mão, essa atividade ja tava um pouco mais varzeada mas td mundo se divertiu tb.
Nesse momento chegou a pipoca, o suco e o bolo de chocolate, fizemos uma fila de lavar mão (usamos a água que levamos) e a Pilar e Ana puxaram a musiquinha do Ra-tim-bum (que nenhuma delas conhecia) ,acho que podíamos ensinar melhor essa musica para elas ( e tão bonitinha) todo mundo comeu bastante e ate cantamos parabéns pro João e pra Maria pois era aniversario deles de um ano, o junior que disse que isso tinha sido decidido semana passada.
O Cleiton passou a atividade inteira tirando fotos e tem umas bem legais. Eu senti que a Branca esta bem mais "feliz" e estruturada, o Jonas engordou esta mais sorridente e extrovertido e a Juju esta falando bastante, inclusive a Joice esta com uma cara mais calma, menos preocupada.
Acho que o maior problema da atividade foi a participação do Daniel e do Matheus,não a participação deles em si mas a atitude deles, dava pra ver que eles estavam se divertindo muito porém não cumpriam nossos combinados e ficavam o tempo todo pentelhando e batendo nas outras crianças, chamando os outros de feio e gordo e por mais que agente conversasse ou brigasse com eles não adiantou nada.
Bom, gente acho que esse foi meu primeiro relato on-line de uma atividade, me desculpem a informalidade e o assassinato da gramática portuguesa. Fazia um mês que eu não ia, e estava com muita saudade das crianças. Foi bem legal o fato de irmos a tarde pois eu estava bem mais animada e disposta, porém fiquei moída e quebrada o resto do dia, inclusive hoje.

Falamos para eles sobre o Encontro Sem Terrinha Regional.

Ciranda - 12 de setembro de 2009

12/09/2009
Planejamento

As Crianças sem terrinha
Confecção de um bonecão de pano, um não, dois!
Uma menina e um menino.
Precisaremos de roupas velhas e retalhos e bonés do MST
Livro: Livro de Parlendas
Enquanto a Andréa e a Lauren vão buscar as crianças nos barracos e nos lotes a Dani fica no barracão fazendo uns alongamentos e danças com as crianças que já estiverem lá.
A idéia é começar a atividade retomando as lembranças da atividade sobre a Elizabeth Teixeira - questão da MEMÓRIA
Propor a montagem dos bonecos que seriam os filhos do "lavrador de café" do quadro da outra atividade...Para isso precisam escolher os nomes deles, um menino e uma menina.
Momento leitura:
Tentar construir uma historia dos bonecos retomando a atividade da E.T., a ideia é que isso pode ser feito na dinâmica do Batizado Mineiro

Relato da Andrea


Chegamos lá às 9h20. Já tinham algumas crianças lá: Júnior, Gabi, Joyce e Jonas. A Jéssica morena chegou logo depois, veio dos lotes sozinha. A Branca tbm logo apareceu com a Juju e o Paulo Henrique. Ai veio Nathália, Henrique, Gui (este correndo, ele tá uma graça e já está interagindo bem mais). Pedi pra Tamires ir comigo nos lotes, fomos de carro, pra pegar a outra Jéssica e o Samuel. No fim só pegamos a outra Jéssica pq ela nos disse que o Samuel não estava.

Começamos tarde (10h20) por causa desta ida aos lotes. A mãe da Jéssica mais loirinha (mãe dela é a Theresa) me disse que é muito longe pra ela ir sozinha, perigoso por causa da linha do trem. Ela tem tbm mais dois pequenos (a Camila e o Rafael, 3 e 2 anos, mas eles não querem ir, tem vergonha!). Tbm acho o Samuel pequeno pra ir sozinho. Então combinei com elas pra se reunirem na semana que vem, mais ou menos às 15h (Natasha disse que poderia ir a tarde) na pontinha que tem logo depois da linha do trem, que teria alguém para pegá-las de carro lá. E q depois, no final da atividade, as levaríamos de volta até o mesmo lugar.

Enquanto fui lá, a Lauren, o Marco e a Dani ficaram organizando brincadeiras com os outros. A hora que cheguei estavam no meio de uma brincadeira organizada pela Lauren. Depois brincamos de elefantinho colorido... eles que sabiam a brincadeira e pediram pra fazermos.
Depois de umas 4 partidas de elefantinho colorido, chamei todos pra atividade do boneco, pq eles não queriam ler, estavam meio agitados. Coloquei a lona que usamos pra apresentação no PB (e que ainda estava no meu carro) no chão, e ficou bem legal brincar lá em cima. Espalhamos todos os trapos e retalhos e eles foram enchendo as partes do boneco que a Bia fez. A Dani ficou com a costura. No começo as crianças pensaram que seria um boneco pra cada um, e não gostaram da idéia de serem só dois. Mas como os bracinhos e perninhas estavam soltos, cada um ficou com um membro pra encher e ficaram mais calmos com isso. Enquanto eles enchiam tentamos identificar as características dos bonecos. Os nomes dados foram João e Maria, não lembro quem propos mas todos aceitaram de boa, não houve outras sugestões. Sobre a idade é que não entraram em acordo. Uns queriam que tivessem 7 anos, o Junior viu o tamanho do corpo do boneco e falou que eram bebes, os dois com a mesma idade, que deveriam ter meses... a conversa sobre isso não andou muito a partir daí. Decidiram depois que João e Maria moravam na fazenda, sugerimos que fossem sem-terrinha, eles gostaram da idéia, como gostaram quando fizemos a mesma sugestão na atividade com a figura, mas nunca vem deles esta identificação.

Depois a Dani começou a costurar as partes do boneco no corpo, e as crianças ficaram meio sem ter o que fazer. Aí resolvemos que esta seria a hora de ler. De primeiro, o Junior e a Joyce quiseram ler dois livros de versos sobre bichos brasileiros que levamos: Brasileirinhos e Novos Brasileirinhos. O Marco deu a idéia deles lerem para os outros adivinharem que bicho era. As duas Jessicas não queriam ler e ficaram tentando adivinhar. Os menores (Gabi, Henrique, Gui, Juju e Nathalia) não se interessaram pela brincadeira, preferiram ficar estourando um plástico bolha que levei para caso não houvesse tecido suficiente. Depois Marco começou a cantar um pouco com os maiores e o Rique pegou os livros pra ver. Achei muito bonitinho. Alguém, acho que o Júnior, queria tirar o livro dele, porque ele virava a página de um jeito que amassava o livro. Ai eu intervim e devolvi o livro pro Rique e disse pra ele como fazer pra não amassar, precisam de ver que fofo ele folhando o livro todo delicadinho (alguém imagina o Rique assim?!). Logo depois vi o Gui com o livro, ele começou a ver e me apontar os bichos desenhados. Comecei a falar pra ele que bichos eram. Fiquei assim um tempo eu a Gabi, Juju, Rique e o Gui vendo os desenhos e que animal era.

Então, quase 12h achamos que já tava na hora de levar as Jessicas pra casa. Achei que foi uma falha nossa que só percebi agora: as levei, vários foram comigo levá-las tbm (Gabi, Natalia, Rique e Gui), mas finalizamos a atividade só na volta! Que mancada! Foi a Joyce que lembrou de finalizar. Finalizamos a atividade com uma roda, cantamos o Digue da viola, a pedido do Rique, enquanto dançavamos o João e a Maria foram passando de mão em mão, pra dançar um pouquinho com cada um. Eles adoraram o João e a Maria quando ficaram prontos. Eles abraçavam e beijavam. Achei legal pq ninguém brigou, cada um ficava um pouco, abraçava, beijava e dava pro outro.

Várias vezes durante a atividade falei da festa dos bonecos, no proximo sábado, dia 19/09, que seria às 15h. Falei pra chamarem os amigos, pra avisarem no onibus da escola.
Fim! ;)

Ciranda - 5 de setembro de 2009

05/09/2009
Planejamento

História e Memória
Livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes
O livro fala sobre memória, a partir do mote do livro, retomar a história da Elizabeth Teixeira, através de coisinhas que tiraremos de dentro de uma cesta, como o Guilherme.
Depois de vermos o filme ‘Cabra marcado para morrer’, precisaremos pensar no que seria bom colocar nesta cesta para contarmos a história da Elizabeth.
1) Alongamento
2) BRINCADEIRAS (corre cotia, pega-pega, algum jogo teatral)
3) leitura do livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes de Mem Fox
4) Contação da história da Elizabeth Teixeira a partir de objetos selecionados (cada objeto corresponde a um - - elemento da vida dela):
- cabaça (sertão)
- lenço (mulher campesina)
- enxada (trabalho rural)
- 5 marias (jogo com os filhos; no total são 11 e 23 netos)
- foto de Sebatião Salgado (luta)
- sementes
- RG (mudou de identidade para não ser perseguida pela polícia depois da morte do marido/ nome falso era Marta Maria da Costa)
- bacia (lavadeira)
- caderno/lousa (professora)
- anel (casamento com João Pedro contra a vontade do pai porque o pretendente era negro e pobre/ fugiu com 16 anos)
- pedra (João Pedro trabalhou em uma pedreira)
- prisão (amarrar uma corda no braço de alguém/ Elizabeth foi presa por 3 meses e 24 dias)
- mala de palha (esconderijo)
5) Brincadeira de 5 marias!

Relato do João-zinho
Antes de começar queria dizer que só não enviei antes porque não consegui fazer no sábado... Eu, Bia e Raquel tivemos uma longa confraternização na Tonha e fiquei sem condições objetivas de fazer o relato no dia!

Reunimos poucas crianças: Jenifer, Jenifer, Paola, Junior, Gabi, Juju,
Crianças grandes: João, Bia, Raquel, Branca e Alexandra (certo?)

Fizemos um bom alongamento mas sentimos os meninos e meninas muito tímidos... Propusemos então algumas das brincadeiras de apresentação: batizado mineiro, cantigas de roda – eu n conhecia – viuvinha e uma outra que não me lembro bem...
Percebemos nesse momento que eles se empenharam mais e queriam continuar brincando. Chamou atenção a postura do Junior – desde já um educador. Ele puxava as músicas e chamava os outros para cantar também, um barato!

Em seguida a Bia fez uma leitura do livro Guilherme Augusto Araújo Fernandes. Os desenhos chamaram bastante atenção da molecada...
Enquanto a bia foi lendo, fomos arrumando a sacola com os objetos e ao fim da leitura propusemos a atividade: deveriam adivinhar de quem estávamos falando. Usando os objetos fomos dando pistas.
O primeiro objeto foi a foto... a primeira resposta foi: elisabeth teixeira!... nos fizemos de desconhecidos... é é vamos ver o resto...
Depois mostramos o lenço de chita... pensaram nas mães, nas marchas ... (as mães presentes, Branca e Alexandra participaram bastante da brincadeira, se divertiram junto com as crianças).
A corda trouxe frases curiosas como: corda te lembra o q? me lembra o meu pai que bate com uma corda!
Levamos uma rapadura da Miri (por sinal, comemos tudo! Brincadeira, ainda estou comendo o resto aqui em casa.)

A atividade foi muito boa, produtiva... a ideia de adivinhar a levar os objetos deu muito certo, eles pegaram as coisas e disseram coisas bacanas...infelizmente n me lembro de todas...

Problemas: o principal é a baixa adesão as atividades... motivos: 1 os meninos fazem reposição de aulas da gripe suína aos sábados... 2 a distância. É preciso reforçar a ideia que estaremos lá todo sábado e também pedir as crianças e pais que vão até lá... a Bia deu uma ideia legal, eles vão sozinhos e nós os levamos de volta... acho uma boa tb...

Fica ai o relato pras meninas completarem...

João
Relato da Raquel
O dia hoje foi muito legal de novo. Fomos eu,Joaozinho, Bia e Alessandra. AS crianças que estavam no barracão nos esperando era só a Gabi, a Juju, o Junior e o Rique. O Joãozinho, a Bia e Alessandra foi buscar mais crianças nos lotes. Enquanto isso fiquei jogando capoeira com o Junior porque ele pediu. Depois a Gabi e o Rique ficaram brincando com uma corda pesada e grossa. Um perigo. A Gabi subiu na tora do barracão e amarrou a corda para fazer um balanço. Fiquei impressionada com a proeza dessas criacnas. As inteligentes estratégias que elaboram para se desenvolverem, brincarem e tudo o mais.
Bom, como todos demoravam para voltar, comecei a ler o livro: Guilherme Augusto Araújo Fernandes para quem estava lá. Foi bem legalporque como havia poucas crianças, pude perguntar varias coisas durante a leitura e enriquece-la bastante. Esse momento é muito interessante, pois nunca sei como elas recebem essa historia. O rique, por exemplo, gostou muito dos desenhos aquarelas, mas não ficou tão compenentrado na história. Seu amigo Gabriel apareceu no meio com uma pipa e ele foi lá com ele. A historia conta que o Guilherme Augusto conta seus segredos para a Senhora do asilo. Perguntei para eles para quem eles contam seus segredos. Todos (Juju, Rique e Junior) disseram que para ninguem. Só a Gabi disse que conta para o Junior. Acho muito legal essa relação que esses dois irmãos estabelecem. O Junior cuida muito da Gabi e ela tem ele como um herói. É bonito.
Trabalhamos bastante com a questão da memória hoje, alem da história de Guilherme augusto, contamos a história da Elizabeth Teixeira através de memórias de objetos. Mostramos a corda que representava a prisão dela (3 meses e 24 dias). Para as crianças ela lembrava a corda que os pais batiam. Mostramos a rapadura, para eles lembrou a cana (que está sempre presente ali!). No caso da Elizabeth, representava a comida típica da época. O João lembrou porque a rapadura começou a existir: porque não existia saquinhos para colocar o açúcar na época. Foi assim que se constituiu esse momento de contacao de historias: memórias e elaborações de cada um ia construindo a historia da ellizabeth. A Alexandra ajudou bastante nesse processo. Acho que temos que fica mais espertos com essas situações. Elas nos indicam muito sobre a vida delas e as diferentes visões de mundo.

Ciranda - 29 de agosto de 2009

29/08/2009
Planejamento

o campo / o trabalho
Livro: Boi, Boiada
Levaremos uma pintura e a partir da pintura construiremos uma história coletiva, criando uma identidade para o personagem que aparece na tela.
Quem é ele, como ele chama?
Ele é sem-terra?
Pq ele se tornou um sem-terra?
De onde ele veio?
Ele gosta de trabalhar com a terra?
Depois disso, pediremos para as crianças fazerem uma releitura da tela em desenho.

Relato da Raquel
Foi um dia incrível. Um dos melhores que já vivi no acampamento. Fomos eu (Raquel), Andrea, Bruninho, Ana Maria e Larissa.
Chegamos no acampamento e só vimos a Natalia andando de bicicleta. Estava um dia muito quente!! Fui colar a fita adesiva na imagem de Portinari que ampliamos em A3 e as outras pessoas do grupo foram buscar as crianças. Em pouco tempo, já estavam algumas crianças lá: Jonas, Rique, Juju, Deberson, Natalia. Depois chegaram a Gabi, o Junior e um pequeno.
Enquanto as crianças chegavam, resolvi alongar com as crianças. Cada minuto naquele espaço parece muito oportuno para aprendermos e nos desenvolvermos. Bom, fomos alongando o corpo e no final já estavam as crianças que participariam naquele dia. A grande maioria era os pequenos. Os maiores foram para a escola (substituição de aulas da semana da gripe suína).
Depois de alongarmos, fomos brincar. Primeiro de “bom dia” (todos andam pela sala e quando encontram com uma pessoa, aperta a mão dela e diz “Bom dia”), depois de João-bobinho (duas pessoa uma para frente da outra, seguram a outra que está no meio que nem João bobo). Depois de pega-pega gelinho. Tentamos fazer alguns combinados, mas não foi muito bem sucedido. As crianças não ouvem muito a gente, ou nós não sabemos muito como lidar com esse tipo de situação. Tenho percebido nesses últimos tempos, que nós não colocamos muitos “limites” nas atitudes das crianças. Nesse encontro, acho eu foi mais pontual e legal porque a Larissa foi e ela é bem séria nessas horas!
Bom, quando estávamos super cansados, a Natalia propôs brincarmos de mímica de animais. As crianças brigam muito pela escolha da brincadeira. Talvez fosse importante observarmos mais (como a Bia disse no ultimo encontro) as brincadeiras delas: como elas fazem os combinados (pois toda brincadeira, tem regras!), como elas se relacionam (se excluem alguém) etc.
Foi um brilho só a mímica. Primeiro, porque eles gostam bastante de animais. Depois, porque eles são muito tímidos e parecem se desenvolver bem nesse tipo de atividade. Durante a brincadeira, reparei em dois elementos interessantes de análise: 1º como é instigante o modo como a comunicação gestual acontece - o Richard acertava uns animais de primeira por gestos que nenhum de nós (da Unicamp) acertaríamos. Aqui apareceria a questão de Vigotski, em que a criança se desenvolve e se constitui em seu meio histórico-cultural. 2º a imaginação era claramente mais desenvolvida nas crianças maiores do que nas maiores. Nessa brincadeira, era bem evidente como nós (monitores) tínhamos mais vocabulário e como os menores tinham muita mais dificuldade de pensar em um animal para imitar ou para acertar a mímica de alguém. Esse fato também pode ser interpretado segundo a teoria histórico-cultural de Vigotski. Segundo ele, a imaginação é um sistema psicológico superior que trabalha com elementos do cérebro retirados da realidade de cada individuo. Quanto mais elementos uma pessoa tiver, mais possibilidades de combinações da imaginação ela terá. Em conseqüência, um adulto sempre será potencialmente mais imaginativo que uma criança. Para mim isso ficou muito claro com as atitudes do Rique: ele sempre imitava o animal que a pessoa anteriormente tinha feito e sempre repetia o nome do animal que alguém tinha acabado de falar. Era muito interessante. Parecia que ele resgatava todos os elementos que ele tinha na hora, e eram realmente muito poucos. Por isso, entendo que um dos nossos papeis mais importantes enquanto educadores no acampamento, é ampliar a gama de conhecimento e elementos da realidade das crianças, para que elas tenham maiores possibilidades de escolha e de desenvolvimento humano.
Vale ressaltar um recurso interessante que usamos durante essa atividade: enquanto alguém demorava para imitar um bicho na frente de todos, nós batíamos palma em dois ritmos diferentes. Foi bem lagal.
Depois, partimos para a atividade pensada. Primeiramente, mostrei uma foto do
Portinari e, fazendo um certo suspense, perguntei quem seria aquele cara. Repostas fantásticas apareceram: escritor, skatista, desenhista, cientista, enfermeiro... Ao final, a Natalia acertou e disse que era um pintor. Eles gostaram da situação de suspense. Nesse momento chegaram as crianças que estavam na escola: Joice, Matheus e Daniel. Eles foram embora, tomaram banho e depois voltaram.
Peguei a imagem A3 do quadro “O lavrador de café” (1934) e cobri-la com um papel sulfite, deixando aparecer somente a sua cabeca com o céu atrás. As crianças ficaram super curiosas! Fomos tentando imaginar o que seria aquela pintura: falaram que ele estava voando no céu, que era anjo.Fui abaixando até o final, quando eles adivinharam que era um lavrador. Na verdade também pensaram que poderia ser um dono de fazenda. Não falamos se havia uma verdade, certo ou errado. Exploramos um pouco elementos do quadro: mostramos o trenzinho e falamos que era uma plantação de café. Perguntamos quem era aquele personagem e sugerimos que eles contassem a história dele. Foi complicado. Eles não quiseram muito inventar histórias. Perguntei se ele era um sem-terra, ficaram empolgados com a possibilidade dele ser, e assim, ao final deram o nome de Paulo Henrique para o personagem. Votamos entre Carlos de Las Vegas (nome sugerido pelo Junior) e Paulo Henrique (nome sugerido pela Natalia).
Enquanto o Bruninho e a Andrea pegavam as tabuas no barraco que estão os livros para que pudéssemos apoiar as cartolinas, nós fazíamos estátua. Foi um elemento bem legal para podermos continuar a dinâmica da atividade. Quando todos já estavam sentados nas tabuas, demos o material e eles ficaram muito contentes com a possibilidade de poderem fazer um desenho individual. Achei legal proporcionarmos também esses momentos. Apesar de estarmos lidando sempre com o coletivo, talvez o desenho individual possibilite a criança se apropriar de outro modo de sua produção. Bom, explicamos a proposta (pintar o Paulo Henrique cada um do seu jeito, mas com coerência com o quadro). Só os maiores seguiram a proposta, mas foi uma atividade bem legal. Eles ficaram bem concentrados. A Larissa ia passando com um pote de água para quem queria mudar de cor, a Andrea ajudou os menores a pintarem, cada um ia intervindo como podia. Foi muito importante irmos em 5 para a atividade. Fica muito mais dinâmica a atividade, e as crianças dispersam bem menos. Durante a atividade, li alguns poemas do “Boi, boiada, boiadeiro” da Ruth Rocha e eles reconheceram alguns deles; alegando que já tinham lido.
A mãe de um bebe (esqueci o nome dos dois, alguém me ajuda??) estava lá e pintou conosco. Ela gosta muito de pintar e disse que ia pintar para o filho. Achei engraçado, pois ela se apropriou da folha e disse que faria para ele, sendo que para mim seria muito mais coerente ela pintar junto com o filho para ajudá-lo. Bom, no final, o bebe também ficou com uma folha e um pincel e foi bem legal sua pintura: expressiva, laranja , abstrata! A mãe pintava muito bem, disse para ela da possibilidade dela pintar os poemas dos outros acampados e fazermos um livro!
Rolou um briga feia entre o Richard e o Jonas, a ponto do Jonas chorar muito e xingar feio o Richard. Conversamos com os dois e no final, o Richard chamou o Jonas para pintar. O Richard está em um período em que quer se defender de tudo e não quer deixar nada barato. Outra hora ele tava batendo no Rique (até porque o Rique não é nada inofensivo). A Branca, mãe da Joice, Jonas etc. estava lá toda hora querendo saber da atividade e querendo que seus filhos fizessem tudo certinho. Achei ótimo, pois ela nunca se preocupou muito com isso. Parece uma mãe mais presente.
A atividade rolou bem, e as crianças foram se dispersando conforme iam acabando a sua pintura. No final, quase todas foram embora sem conversarmos ou finalizarmos a atividade todos juntos. Foi bem ruim isso. Acho que temos que pensar melhor em estratégias de começarmos e terminarmos a atividade. Alguma mística, ou musica. Não sei.
Temos mais um problema a ser discutido: como faremos com as pessoas do acampamento que podem continuar a ciranda durante a semana? Não tinha ninguém nesse dia.

Ciranda - 22 de agosto de 2009

22/08
Planejamento

Divisão do trabalho e divisão do resultado do trabalho
Receita de bolo, fazer o bolo com as crianças atentando para medidas, produtos e de onde vêm, o que pode ser produzido no acampamento, etc
Enquanto esperamos assar, escrevemos no papel pardo a receita, com desenhos e palavras.

Leitura do livro: A galinha xadrez – trabalharemos coletividade, divisão do trabalho e do resultado do trabalho.

Relato da Pilar

Fomos eu (Pilar), Bia, Natasha e Bruninho.
Chegamos no acampamento e algumas crianças já estavam no barracão.
Fomos andando com algumas delas para falar com a Tamires, precisávamos conversar sobre o problema do gerador.
Ao voltar para o barracão encontramos algumas mães, conversamos sobre a reposição das aulas, que será aos sábados...
Começamos a atividade, a Bia tomou conta da feitura do bolo, mas íamos todos conversando sobre os ingredientes, sobre as quantidades, se dava pra fazer ali no acampamento as coisas que estávamos usando...
Usamos 6 ovos, 4 xícaras de açúcar, 2 xícaras de óleo, 4 xícaras de farinha de trigo, o suco de 3 maracujás com pouca água e 2 colheres de fermento.
Quando a Bia levou o tabuleirão com a massa do bolo para assar no forno da Clarisse, nós nos encarregamos de desenhar a receita, a Natasha desenhou para nós os ingredientes, depois nós ficamos treinando para ver se entendíamos a representação que tínhamos inventado e então escrevemos com letras do lado e colocamos alguns dos rótulos.
Aí chegou a hora da leitura, a Bia leu para nós o livro "A Galinha Xadrez"; Que conta a história da galinha que queria fazer um bolo, pediu a ajuda dos seus amigos e eles deram uma de joão-sem-braço; aí ela fez o bolo sozinha e foi dormir...num é que os amigos preguiçosos dela comeram todo o bolo?!A sorte foi que eles viram que tinham sido incovenientes e fizeram outro bolo para a galinha poder comer também. Ao realizar um trabalho coletivo, eles viram que assim as coisas ficam muito mais legais e começaram a trabalhar bastante na roça, todos juntos. Com o mote do livro, aproveitamos para conversar sobre divisão do trabalho e divisão do produto do trabalho; ajudar os outros, etc...
Como o bolo ainda não tava pronto, resolvemos brincar de pique-pega, mas não um pique-pega qualquer, nós primeiro tivemos que correr como se estivéssemos na lua, depois fingimos que éramos sapos, depois siris, depois cangurus e aí a criatividade deslanxou, e em seguida cansamos. Tentamos o pique-pega ajuda, foi muito rápido, ninguém nem quis repetir; tentamos o pique-pega corrente, foi divertido; depois passamos para o pique-esconde que só o Bruno acompanhou, eu por exemplo, fiquei sentada gritando que quem tava no pique tava guardando caixão...
E o bolo que não assa!
Fomos então brincar de coelhinho sai da toca, mas esse também num teve muito ibope. Nessa hora eu fui dar uma olhada no bolo, porque fiquei bastante irritada com a chegada do Fubá, completamente bêbado. Fui olhar o bolo, falei com a Clarisse, uma linda que a Bia não conhecia e adorou.
Achamos que já tava pronto e levamos para o barracão; o Daniel e o Júnior fizeram suco de uva para acompanhar. Pareceu-me consenso: o bolo estava uma delícia! Nessa hora um problema, a Joyce que tinha ficado pouquíssimo na atividade porque tinha que cuidar do irmão para a mãe lavar roupa, apareceu com uma vasilha para levar bolo para os irmãos que estavam na mina - entramos num dilema, porque senão todos iam querer levar bolo pros pais e pros irmãos; decidimos então que só ia comer do bolo quem estivesse ali, e falamos para ela chamar o pai dela, que estava em casa, para comer com a gente. O Mateus chamou a Joyce de passa-fome e ela quase chorou, foi foda.
Outro probleminha foi a hora que alguns tiveram que ir embora, porque tava na hora de se arrumar pra ir pra escola. A Diennifer saiu chorando, e no final o ônibus não passou, e eles não foram pra escola.
O bolo acabou, não sobraram nem farelos, cada um pôde comer o quanto quisesse. E então fomos embora, levando só o tabuleiro e o Fubá, que pegou carona com a gente, repetitivo e cantante como ele só, foi meio difícil eu achei, porque ele tava muito bêbado e irritando todo mundo, sorte foi que no meio do caminho até o Posto Três Vias ele capotou no ombro do Bruninho.

Ah, no meio de tudo isso, eu e o Bruninho conversamos com o Afonso sobre o gerador. Ele nos contou que o conserto ficaria em R$250, 00, e que problema surgiu com o mau uso. Falamos pra ele que não temos essa grana, e combinamos fazer uma conversa com o pessoal, porque achamos que a decisão tem que ser coletiva, todos os envolvidos tem que saber o que está sendo resolvido. Precisamos decidir o uso do gerador, combinar que quem não sabe não mexe, e pedir o compromisso de todos. Ele concordou com a gente, mas de todo caso, trouxemos a vela pra ver se conseguimos uma igual, porque pode ser que o Afonso consiga consertar ele mesmo.