MST - 25 anos de luta!!!!

"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor


"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro



terça-feira, 5 de maio de 2009

RELAtOS aulas EJA 21, 22, 28, 29 de abril

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Aula terça-feira 21.abril

Chegamos ao acampamento, mas os educandos não estavam presentes como havia sido combinado na sexta-feira 16 de abril. Não houve aula.

Aula quarta-feira 22.abril

Estavam presentes Valtuízio e Luzia. Pedi a Valtuízio que tentasse escrever “casa de ferreiro espeto de pau” no caderno. Pedi para Luzia que tentasse escrever um ditado em seu caderno. Entregamos as fichas de alfabetização para os dois, que o pessoal do Elisabete preparou.


Aula terça-feira 28 de abril

educadores: Nara, Tira, Maria Emília

educandos: Valtuízo, Luzia, Cida


Trabalhamos alfabetização com as fichas preparadas pelos educadores do acampamento. Pudemos fazer um intensivo mais individualizado com cada um. Tuízo está juntando as sílabas. Luzia já tá lendo. Cida foi retomando, porque fazia um tempo que não vinha nas aulas.


Depois passamos a montar a tabela de horários de cada um em uma folha em branco. Pedimos para que escrevessem a hora do dia e as atividades feitas em cada horário. Tuízo lembrou do trabalho dele em uma construtora, como servente de pedreiro. E dos casos de acidente de trabalho. Também reclamou de dor no braço por causa do trabalho na roça.


Aula quarta-feira 29 de março

educadores: Tira, Rosemir, Claudinha, Ana Maria e Clayton

educandos: Tuízo, Luzia, Cida, Aparecida, Elza, Marcão


Trabalhamos desde o início da aula com todos os educadores, com a tabela de horários de um dia normal. Fizémos uma rodada sobre as atividades que cada um realizava e a hora do dia para essas atividades:


Coloquei o horário de cada atividade na lousa e escrevi o que cada um falava de acordo com a hora do dia: “5h30: Agradeço a Deus por estar vivo” - “6h lavo o rosto e escovo os dentes” - “6h10: Faço o café” - “6h15: Acordo as meninas”...


Perguntei se aquilo ali era trabalho, “se alguém ali era pago pra mandar os filhos para a escola”. Aparecida disse que não, que era obrigação. Marcão disse que até agradecer a Deus era trabalho: “Escovar os dentes é trabalho?”/ “Cozinhar é Trabalho?” / “Trabalho é quando a gente se dedica” - disse Aparecida.


Falamos sobre tipos de trabalho. Propûs uma divisão bem tosca dos tipos de trabalho:

    1) Trabalho na Roça; 2) Trabalho em Casa; 3) Trabalho de Cuidados Pessoais

    E começamos a pensar em uma forma de classificar as atividades de cada um.... E o tempo que cada um ocupava com cada tipo de trabalho.

propûs que pensássemos o tempo de um dia em um relógio. Marquei 12 horas e me enrolei.

Ana Mria propôs então o relógio de lousa com 24 horas para durar o tempo de um dia...(uma espécie de gráfico de pizza com o tempo de ocupação e as divisões do tempo ao longo do dia, de acordo com o trabalho realizado).

A partir daí fomos perguntando: Quanto tempo gastamos, em relação ao total das horas do nosso dia com o trabalho? Aparecida contou da época em que trabalhava das 6h da manhã às 7h da tarde em casa de família, como empregada doméstica.

pintei com giz azul a parte do relógio que marcava das 6h até as 19h. E apontei o espaço livre que indicava o tempo restante de um dia de 24 horas de Aparecida.

→ “Sobram 11 horas para dormir, descansar, tomar banho, fazer comida, ir no banheiro, cuidar dos filhos”. “Dá tempo de fazer tudo isso, sem problema?'

Propusemos uma reflexão sobre a jornada de trabalho de antigamente, nas primeiras fábricas: 18 horas e pintei na lousa a área que ia das 0h até as 18h.

→ “Hoje melhorou ou piorou?”--> melhorou porque é proibido trabalhar tanto tempo. “Mas isso funciona?”. A Aparecida mesmo falou que não, que só quem tem carteira é que trabalha 9 horas por dia.

Antes de acabar a aula agradeci o retorno do pessoal à classe e pedi para que ajudassem os educadores a chamar as pessoas que não mais estavam vindo. Comentaram da melhora da luz. Também pedi desculpas por não podermos acompanhar todos da melhor forma possível sabendo que alguns já estão sabendo ler e escrever e outros estão aprendendo agora a juntar as letras.

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