MST - 25 anos de luta!!!!

"Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo)."
Eduardo Galeano – escritor


"O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente."
Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro



terça-feira, 30 de junho de 2009

Ciranda, 27 de junho de 2009

Dia: 27 de junho de 2009
Educadores: Andrea, Pilar e Gabi
A atividade contou com a participação de 20 crianças, com idades entre 2 e 13 anos.
Relato da Pilar sobre as atividades:
“Chegamos lá e algumas crianças já nos esperavam no barracão. Mas ainda assim tivemos que andar um pouco pelo assentamento chamando outras.
Na casa do Júnior, ele quis nos mostrar o bezerrinho que tinha acabado de nascer, estávamos presenciando os primeiros momentos de vida, as tentativas de ficar em pé da Pandorinha; em seguida, Estrela, sua mãe, começou a comer a placenta, o que se tornou um momento de comoção geral: “ Ai que nojo” era o que mais ouvíamos!
Subimos novamente para o barracão, nesse trajeto o Rick pegou um pedaço de pau de tamanho médio e começou a bater no chão, depois nas pessoas, correu atrás do Jonas e eles começaram a brigar; conseguimos acalmar os ânimos (tirando o pedaço de pau da mão do Rick, de uma maneira um pouco coercitiva), e num é que logo em seguida ele acha um instrumento de ferro maciço e começa a ameaçar bater no Jonas e na Natália? Nesse momento, eu que estava do lado dele, tentei conversar, falei que não ia ser legal machucar alguém com aquele negócio, que eu não queria que ele ficasse ameaçando as pessoas ao redor dele; depois ele começou a jogar o negocio para cima, e a ameaçar o Jonas novamente. Senti a necessidade de ser um pouco mais rígida, tomei o ferro da mão dele e disse que se ele continuasse se comportando daquela maneira ele não poderia participar da atividade, falei que achava que precisava conversar com a mãe dele; aí depois de um segundo a mãe dele estava lá, a Natália que é irmã do Rick foi chamá-la; ela nem esperou explicações e já o levou de castigo, chorando para casa. (*No meio da atividade ele voltou, sorridente)
Depois de todo esse fuzuê, iniciamos as atividades. Primeiro brincamos de pega-pega fruta, a pessoa tem que falar o nome de uma fruta que ainda não foi citada para não ser pega, essa brincadeira deve ter durado uns 20 minutos. Em seguida fizemos uma roda e cantamos a cantiga do Bambu (Bambu, tirabu, arueira, mangabeira, tirara tal pessoa pra virar bambu – falamos o nome de um a um na roda e a pessoa vira de costas ainda de mãos dadas; depois repetimos o nome de um a um, e um a um as pessoas vão voltando a posição inicial); depois a cantiga da Viuvinha, que é a mais pedida (Viuvinha, por que choras, seu marido já morreu, se é por falta de carinha, se levante e abrace alguém, se quiser também! – fica uma criança no meio da roda e no final da cantiga, ela levanta e abraça alguém que vai substitui-la no meio da roda) e nenhum de nós entende o por quê.
Sugerimos então que a gente fosse procurar folhas, sementes, flores, ramos, casca de arvore, galhos e qualquer outra coisa pelo chão do assentamento.
Cada um com seus achados, nos reunimos para a hora da leitura. Eu li o livro: “Artur faz arte”. Escolhemos este livro, porque na semana anterior, tivemos dificuldade em fazer os mais velhos aceitarem os desenhos dos mais novos no mural coletivo. Essa leitura, objetivava então mostrar como qualquer desenho que fizermos pode ser encarado como arte, e atentamos para o fato de que estamos ali para realizar construções coletivas, e para tal, temos que aceitar as contribuições de todos. O livro mostra as pinturas abstratas de Artur, um garotinho de 4 anos, é todo colorido, e eles adoraram.
Como no meio da leitura todo mundo fica pedindo pra ler, dessa vez levamos um livro de poesias para quem quisesse ler em voz alta para os colegas. Júnior escolheu uma poesia que falava de beija-flor e amor, e o Igor leu junto com ele.
Estava um rebuliço só, e então a Gabi buscou tábuas grandes de madeiras que colocamos no chão como suporte das cartolinas azuis que levamos. Nos reunimos em três grupinhos, cada um com sua cartolina, seus potinhos de cola, seus achados pelo chão, e o elemento surpresa que eram sementinhas coloridas que compramos em uma casa de rações (amarelo, preto, vermelho e verde). A surpresa foi um sucesso, as crianças adoraram, pareceu. A proposta era misturar tudo o que quiséssemos no nosso desenho coletivo, e o resultado ficou lindo e colorido. Gostamos tanto dessa colagem, que cada grupo recebeu outra cartolina para fazer outro desenho coletivo. Houve briga por espaço, houve um reclamando que o outro estava estragando o desenho, que o pequenino desenhava feio....mas esses são conceitos que a gente vai ter que ir trabalhando, como já estamos; não é de uma hora pra outra que vamos conseguir fazer com que um menino de 12 anos aceite as bolinhas de uma menina de 2 como arte! Mas me pareceu que estamos no caminho certo.
Quando estávamos guardando as tábuas, a Fawane machucou a mãozinha, e começou a chorar descontroladamente, culpando a sua irmã, Rosana, pelo seu machucado e batendo nela. Gabi e Andrea tentaram controlá-la e eu fui guardar o resto das tabuas. Quando só faltava uma, a Fawane cismou que precisava ficar em cima dela, e não queria sair de jeito nenhum; eu fui tentar brincar com ela, juntamos pedrinhas e fomos conversando aí eu falei vamos sair, ela fez que sim com a cabeça; aí quando eu levantei ela no colo, ela começou a espernear, me arranhou pelo braço inteiro, e começou a puxar meu cabelo. A Rosana veio e começou a bater na Fwane para ela me soltar; eu falava pra Rosana parar de bater na Fawane, a Gabi veio e afastou a Rosana. Eu consegui fazer a Fwane se acalmar um pouco, mas ela ainda foi aos prantos pra casa. Não entendemos muito bem o que aconteceu, e esse surto histérico da criança com certeza teve algum motivo que não identificamos, porque ela sempre foi uma menina serena e risonha, foi essa a esquisitice da coisa.
Na volta só pensávamos em como estávamos com fome, e fomos ouvindo o CD eclético que a Andrea gravou.”

sábado, 20 de junho de 2009

Relato ciranda 20 de junho de 2009.

Fomos para o acampamento Raquel, Pilar, Natasha e Bruninho. Estamos em junho e o frio as nove da manha ainda é grande.
Chegamos e fomos buscar as crianças. Descobrimos que não teria escolinha dominical porque o padre Adão está na ocupação de cima. Acho que ate não se resolver esse problema, não haverá mais a escolhinha dominical.
Conhecemos o Paulo Henrique (filho da Branca). A Joyce estah muito mais feliz agora com a vinda de seu irmão. Veio me contar toda feliz que domingo vai ao posto vaciná-lo. Hoje foi um dia de bastante participação das crianças. Elas estavam felizes também. No total eram cerca de 20 crianças. Primeiro fizemos a roda com as musicas da “abobora” e do “bambu” que aprendemos na formação de educadores. A brincadeira logo se esgotou e começamos a fazer o batizado mineiro transformado: invés de falarmos o nome próprio, falávamos uma semente, planta, arvore arbusto, fruta, flor (etc.) que quiséssemos plantar. Muitos ficam envergonhados e demoravam para fazer o movimento e falar a palavra escolhida. Nessa hora, a pressão do grupo era grande. Para mim é bem claro que as crianças mais velhas têm um desenvolvimento de falar na frente das pessoas bem maior que os pequenos. Não sei exatamente por que.
Bom, como não conseguimos criar um ritmo muito fluido na brincadeira, as crianças se aborreceram e não quiseram fazer mais. Então, propomos o jogo de imitação. Foi interessante, a situação de jogo é realmente imprescindível para se pensar educação infantil. Depois, começamos a brincar de pega-pega corrente. Achei interessante, que não deu muito certo. Os pegadores não conseguiam alcançar as pessoas. Então, mudamos para pega-pega ajuda, e o jogo logo terminava: era bem mais fácil. As crianças adoravam, e nós não acompanhávamos muito (só o Bruninho)...
Havia dois bebes ali: seus irmãos estavam brincando com a gente. E eles (os nenês) não queriam participar, mas sim ficar com seus irmãos. Era complicado, porque eles choravam e não deixavam as crianças brincar. Essa é uma situação bem corrente no acampamento: os irmãos mais velhos (a partir de uns oito anos de idade) cuidam de seus irmãos mais velhos. A Joyce, de 14 anos, é praticamente mãe de seus irmãos. Hoje em dia é muito raro vê-la em nossas atividades: sempre está ajudando a mãe a cuidar das tarefas domesticas.
Bom, depois, lemos o poema do “Chuchu” de Luis Camargo (A Pilar leu muito bem e eu lia a parte do chuchu). Eles gostaram: adoram poesias! Alguns até declamaram algumas que sabiam, ficaram super agitados e empolgados com a situação de falar na frente de todos um poema. Para mim, todas essas situações me indicam claramente que temos que trabalhar mais os jogos teatrais com as crianças. Parece ser uma linguagem muito interessante e fértil para trabalhar os temas de gênero, violência, coletividade, etc., que queremos.
Levamos a caixa de materiais e propomos um desenho e colagem sobre as sementes, plantas etc. que eles gostam. Eles têm muitos problemas em dividir espaço e pedirem as coisas: sempre falam com se estivesse exigindo e brigando. “Me dá a tesoura agora Richard!!!” – em tom de comando. Essa é uma questão que temos que trabalhar arduamente, falando de um em um que é possível se comunicar de outra forma com as pessoas: pedindo tranquilamente. Aos poucos, as crianças vão se adaptando a essa nova maneira de se relacionar e o clima melhora bastante.
Depois, demos tintas para eles, e foi uma bagunça enorme: pintaram as mãos, misturaram as cores etc. foi legal, mas acho que precisamos nos organizar melhor para saber como lidaremos com essas situações: existem muitas crianças de idades diferentes, e as grandes, às vezes, acabam dominando o espaço, complicando o trabalho dos pequenos.
Acabamos a atividade, e a tia do Cleiton chegou com uma doação enorme de livros. Colocamos no barraco das aulas e fomos embora.

sábado, 6 de junho de 2009

Relato da atividade de 6/6/09 - Ciranda

Relato da ida ao acampamento Elizabeth Teixeira
[escrito por Natasha]
Dia: 06 de junho de 2009
Atividade: Ciranda
Presentes: Andréa, Natasha e Tamires
Chegamos ao acampamento e fomos buscar as crianças para a atividade. Muitas delas estavam na escola dominical e outras ajudando as famílias a mudarem pros lotes. Algumas também estavam ajudando pessoas a transportarem o gado que havia chegado.
Conseguimos reunir poucas crianças para ir pro barracão (com muita dificuldade, pois elas se dispersavam o tempo todo), a maioria delas menores. Estavam a Ju, o Jonas, a Gabi, o Caique, Mateus, (acho que tinha mais umas duas, não me lembro quem mais).
Fomos pro barracão e chegando lá havia um caminhão descarregando as primeiras compras de material que o pessoal havia comprado (enxada, carrinho de mão, arado, ...). Com isso, as crianças se dispersaram de novo e tivemos que esperar o caminhão ir embora pra conseguir reunir elas de novo.
A atividade acabou por começar umas 10h17 (havíamos chegado umas 9h20). Além das crianças já citadas, algumas chegaram pra atividade, mas saiam e voltavam o tempo todo, entre elas o Nilson, a Nathalia, o Rick, o Richard, o Junior e a Fauane.
Primeiro cantamos "dig dig dig da viola", tentando mudar a letra pra "eu vim de ... você da onde veio?", mas não funcionou bem, primeiro porque estávamos em poucos (e pequenos) e também porque muitos não sabiam de onde haviam vindo. Depois cantamos "Viuvinha" e "A linda rosa juvenil", aí tentamos o "Batizado Mineiro", se apresentando e dizendo da onde havia vindo. Funcionou melhor, pois havia mais crianças e maiores que já sabiam de que lugar tinham vindo.
Como elas estavam elétricas e não paravam quietas por conta das atividades que estavam rolando no acampamento, resolvemos fazer uns pega-pegas para elas sossegarem um pouquinho.
Depois disso contamos uma história que a Andréa trouxe "Nhoquita a Minhoca"; era a história de uma minhoca que nasce de um ovo e outra que nasce por bipartição da mãe. Elas conversam de onde vieram. Uma não conhece a própria mãe, a outra aprendeu tudo o que sabe sobre as minhocas e os outros bichos com a sua mãe. Essa minhoca, chamada Serpentinha, conta pra Nhoquita que as minhocas são responsáveis por arejar a terra e deixá-la fofa pra que se possa plantar nela e que as minhocas preguiçosas acabam por virar isca para peixes. O Nilson nos ajudou a ler a história.
Depois fizemos desenhos livre com barbante e giz de cera. O Richard começou a fazer e depois foi ajudar o tio dele, não terminou. O Mateus começou o desenho e a Nathalia terminou o dele. A Nathalia pediu para a Tamires fazer uma flor pra ela e o Rick pediu um barco, que ele terminou fazendo uma escada de fita crepe. O Caique começou a cortar seu barbante, mas não sabia usar a tesoura. Aí ele aprendeu e ficou o resto da atividade cortando barbantes. Eles não gostaram muito de usar o giz de cera e a Nathalia queria muito usar a tinta, mas como todos estavam usando o giz, achamos melhor na dar só pra ela a tinta. Ela foi pra casa e buscou um pote de tinta para pintar a flor.
A Tamires nos ajudou na atividade de sábado. Perguntou se o Clayton e o Maurício não iriam ajudar também na Ciranda. Se faz urgente a reunião de planejamento com a Jo e os outros educadores da Ciranda do próprio acampamento.
Obs: Andréa, se você se lembrar de algo, me complete!